Com o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio e à conscientização sobre saúde mental, ganha força o debate sobre como ambientes de trabalho pouco saudáveis — pressão excessiva, relações desgastadas e falta de diálogo — podem contribuir para o sofrimento emocional e para quadros como o burnout.
Para a advogada empresarial Lidiane Feijó, prevenir conflitos trabalhistas também passa por cuidar de como as pessoas são recebidas, lideradas, orientadas e desligadas. “Segurança jurídica e relações humanas não são opostos. Na verdade, as melhores empresas conseguem construir os dois juntos. É possível estabelecer limites, cobrar desempenho e tomar decisões difíceis sem deixar de ter respeito pelas pessoas”, explica.
Segundo ela, muitos conflitos que chegam à esfera trabalhista nascem de falhas de comunicação, ausência de feedback, lideranças despreparadas ou situações mal conduzidas. Pequenas atitudes fazem diferença: integração estruturada, expectativas claras, canais de diálogo, feedbacks constantes e lideranças atentas a mudanças de comportamento.
“O acolhimento não pode ser confundido com permissividade. Uma empresa pode ser humana e, ao mesmo tempo, ter regras muito claras. Quanto mais transparente e respeitosa for essa relação, menores são as chances de o problema crescer silenciosamente”, destaca.
Até o desligamento merece cuidado. Nesse contexto, o jurídico pode atuar de forma preventiva — ajudando a criar políticas internas e a orientar lideranças — e não apenas quando surge uma ação. “A advocacia empresarial preventiva não precisa aparecer apenas quando existe conflito. Ela pode ajudar a empresa a construir relações melhores antes que o conflito aconteça”, conclui Lidiane Feijó.


