Mudança repentina no padrão de transpiração e suor intenso durante a noite são sinais de alerta que pedem avaliação médica, segundo a dermatologista Débora Cadore, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Com a chegada dos dias mais quentes em Florianópolis, ela explica quando o suor deixa de ser normal e quais tratamentos existem para a hiperidrose.
Transpirar mais no calor é uma reação esperada do organismo: o suor ajuda a regular a temperatura do corpo, principalmente em dias quentes e durante atividades físicas. Quando a transpiração aparece em excesso mesmo em repouso, ou muda de intensidade de uma hora para outra, pode ser hiperidrose, condição que compromete a qualidade de vida e, em alguns casos, está relacionada a outras doenças.
“Tem pessoas que geneticamente suam mais, mas se de uma hora para outra você mudou o padrão, tem que procurar ajuda médica”, explica Débora, fundadora da Cadore Clínica Dermatológica, em Florianópolis. Segundo ela, o aumento da produção de suor pode estar associado ao uso de determinados medicamentos, a alterações hormonais e a disfunções da tireoide, entre outras condições.
Quando o suor excessivo deixa de ser normal?
O suor deixa de ser normal quando aparece em excesso independentemente da temperatura ou de esforço físico, inclusive em repouso, ou quando o padrão habitual de transpiração muda de repente. Essa é a hiperidrose, que costuma atingir palmas das mãos, plantas dos pés, axilas e rosto. Nesses casos, a orientação da dermatologista Débora Cadore é procurar avaliação médica para descobrir se é uma característica individual ou sintoma de outro problema de saúde.
A condição pode se manifestar ainda na infância. Crianças com hiperidrose palmar, por exemplo, podem ter dificuldade para escrever e manusear livros e cadernos, já que a umidade constante nas mãos danifica o papel. O suor excessivo também interfere nas relações sociais: há quem evite apertos de mão ou escolha a roupa pensando em disfarçar manchas de transpiração.
“Muitos pacientes já têm essa hiperidrose. Para eles, é normal, não têm um problema de saúde, mas isso impacta socialmente nas atividades”, observa a médica. Para Débora, o constrangimento e as limitações provocados pelo suor já são motivo suficiente para buscar orientação especializada, mesmo quando não há uma doença associada.
Suor noturno pode indicar doença?
A transpiração intensa durante o sono merece avaliação específica, sobretudo quando surge de repente ou representa uma mudança no padrão do paciente. “A sudorese noturna precisa ser investigada”, afirma Débora. Segundo a dermatologista, o sintoma pode estar relacionado a doenças infecciosas, como tuberculose e malária, a alterações hormonais e a determinados tipos de câncer, como o linfoma.
Isso não significa que toda pessoa que sua durante a noite tenha uma doença grave: o histórico clínico, a frequência dos episódios e a presença de outros sintomas precisam ser considerados. As mudanças hormonais do climatério e da menopausa também estão entre as causas possíveis. “Pode ser o primeiro sinal que a mulher vai procurar uma ajuda”, comenta a especialista.
A transpiração intensa ainda pode favorecer a proliferação de bactérias naturalmente presentes na pele e alterar o odor corporal, quadro associado à bromidrose. Hiperidrose e bromidrose são condições diferentes, mas podem coexistir, e identificar a origem do problema ajuda a definir o tratamento.
Quais são os tratamentos para a hiperidrose?
As opções variam conforme a região afetada, a intensidade do suor e as necessidades de cada paciente. A dermatologista cita antitranspirantes à base de compostos de alumínio, iontoforese, aplicação de toxina botulínica e procedimentos cirúrgicos.
A toxina botulínica atua temporariamente sobre os estímulos nervosos que levam à produção de suor e reduz a atividade das glândulas sudoríparas em áreas como axilas, mãos, pés e rosto. “Toxina botulínica é ‘vida’ para quem sofre”, afirma Débora. As aplicações podem ser repetidas periodicamente, conforme a resposta de cada paciente e a avaliação do especialista.
Quando outras abordagens não funcionam, pode ser considerada a simpatectomia, cirurgia que interrompe nervos envolvidos no estímulo à transpiração. O procedimento pode reduzir o suor de forma duradoura em áreas específicas, mas tem riscos, como a hiperidrose compensatória, o aumento da transpiração em outras regiões do corpo. Há ainda técnicas que reduzem ou destroem as glândulas sudoríparas, algumas com recuperação dolorosa e prolongada. Em Santa Catarina, o portal já mostrou médicos catarinenses que trouxeram um procedimento não cirúrgico contra o suor excessivo nas axilas.
Quando procurar um dermatologista?
Para Débora Cadore, duas situações merecem atenção especial: quando a transpiração muda de repente de intensidade ou frequência e quando o excesso de suor começa a prejudicar a vida cotidiana. A avaliação clínica permite saber se o paciente tem hiperidrose primária, sem outra doença como causa, ou se o suor é consequência de uma condição que exige investigação, com encaminhamento a outras especialidades, como a endocrinologia.
Formada em Dermatologia pela Santa Casa de São Paulo e em Oncologia Cutânea pelo A.C.Camargo Cancer Center, a médica, que também recebeu em Florianópolis uma imersão de médicos de vários estados sobre terapias regenerativas capilares, reforça que o suor em excesso não precisa ser encarado como um desconforto inevitável. “Por que você vai sofrer sozinho se hoje em dia tem tratamento?”, questiona. Para quem vai encarar o sol do verão na Ilha, vale rever também os cuidados com queimaduras solares.
Em resumo
- Mudança repentina no padrão de transpiração é o principal sinal de alerta, segundo a dermatologista Débora Cadore, membro titular da SBD.
- Hiperidrose é o suor excessivo mesmo em repouso, mais comum em mãos, pés, axilas e rosto, e pode começar na infância.
- Suor noturno precisa ser investigado: pode estar ligado a infecções como tuberculose e malária, ao linfoma e às alterações hormonais da menopausa.
- Os tratamentos incluem antitranspirantes com compostos de alumínio, iontoforese, toxina botulínica e, em último caso, cirurgia (simpatectomia).



