Com exposição “Entre Nós”, Adelaide Caldas une o místico, o sagrado e o profano no Via Arte Ateliê de Cerâmica

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Os caminhos simbólicos que unem pessoas, memórias e emoções são revelados na exposição “Entre Nós”, que a artista Adelaide Caldas leva ao Via Arte Ateliê de Cerâmica (Av. Rio Branco, 533 – Sala 5, Florianópolis), a partir do próximo sábado (11), às 9h. O evento será marcado por um café de boas-vindas e uma conversa sobre seu processo criativo. A mostra segue até o dia 31 de outubro, quando será encerrada com um Sarau Poético Musical, às 18h. Durante esse período, a visitação pode ser feita de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Entre o sagrado e o profano, o fantástico e o imaginário, Adelaide cria obras que evocam a literatura de Franklin Cascaes e desatam nós do tempo para amarrar laços de contemporaneidade. Em 30 trabalhos, lança mão diversos materiais para a composição de suas obras, mesclando cerâmica, ferro, madeira, renda e tecidos.

Para a artista, a exposição é um reencontro consigo mesma e com o outro. “Olhar para esta exposição é como reconciliar meu passado, meu presente e o agora. Cada trabalho é fruto de histórias que me atravessam, de encontros que me tocam profundamente. É um processo urgente, quase como uma gravidez: preciso dar forma, preciso falar. E falo através da cerâmica, da madeira, dos tecidos, do que encontro. Nada pode ficar guardado apenas em mim”, reflete.

“As obras desatam os nós do tempo e amarram laços de contemporaneidade e impressões da alma de uma artista inquieta, que cria com elementos da natureza o quimérico e o inefável. Adelaide Caldas transborda, impacta e acorda a rua que passa”, afirma Marcoliva, curador da mostra ao lado de Denilson Antônio.

A artista

Adelaide Caldas, 53 anos, nasceu em Minas Gerais, cresceu entre o barro, a terra e a madeira das construções populares, e reencontrou nesses elementos a base de sua produção artística. Vive em Florianópolis desde 2016, após uma temporada em São Paulo, e transita entre linguagens como cerâmica, instalações e objetos, sempre em busca de novas formas de expressão.

Seus trabalhos são alimentados pelo cotidiano e por uma visão intensa da vida: pregos, penas, sementes, madeira, objetos encontrados ou doados, tudo pode se transformar em arte. “Quero que os trabalhos falem de coisas reais. Somos fragmentados, mas as diferenças se encaixam e viram uma bela estrutura. Nada é especial e, ao mesmo tempo, tudo é especial”, diz.

Com um processo criativo visceral, Adelaide traduz memórias, dores e alegrias em obras que acolhem tanto o belo quanto o inquietante. Sua trajetória também é marcada pelo engajamento social: em São Paulo, manteve um ateliê aberto a crianças e adolescentes em situação de rua, usando a arte como espaço de acolhimento e transformação.

Em Florianópolis, Adelaide levou suas máscaras para o Centro de Eventos da UFSC, onde expôs 16 peças
feitas em seu quintal, queimadas em forno a lenha. “Fiz pensando nos alunos. As obras tinham simplicidade, não eram codificadas. Todos conseguiam entender e se expressaram. Acho que deu certo por isso”.

Defensora da escola e da universidade como espaços de inclusão, Adelaide acredita que o primeiro palco do artista deve ser ali, antes de chegar a grandes museus. “É preciso dizer aos alunos: aqui está seu espaço. Ele não começa no MASP, mas pode começar na escola. E isso é fundamental”.

Entre o barro que molda, o mar que inspira e os objetos que recolhe, Adelaide Caldas constrói uma arte que fala da vida como ela é: fragmentada, intensa e sempre em transformação.

Serviço
Exposição: Entre Nós – Adelaide Caldas

  • Abertura: 11/10 (sábado), às 9h – café da manhã com a artista. Até 18h.
  • Encerramento: 31/10, às 18h – Sarau Poético Musical. Abre 9h.
  • Horário: De segunda a sexta, das 9h às 18h.
  • Local: Via Arte Ateliê de Cerâmica (Av. Rio Branco, 533 – Sala 5, Florianópolis).
  • Curadoria: Marcoliva e Denilson Antônio

Crédito fotos: Marcoliva/Divulgação