O documento, publicado pela Floram, define onde se pode fazer trilha, lazer e educação ambiental no parque mais urbano de Florianópolis e onde a mata fica só para a natureza. Com ele, a cidade chega a dez planos de manejo publicados.
No meio da Ilha, cercado por Monte Serrat, Alto da Caieira e Serrinha, o Parque Natural Municipal do Morro da Cruz agora tem regras escritas. A Prefeitura de Florianópolis, pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), publicou na quarta-feira, 28 de outubro, o plano de manejo do parque, oficializado pela Portaria Floram nº 043/2026, segundo a notícia divulgada pela Prefeitura.
São 129,20 hectares de Floresta Ombrófila Densa, um pedaço de Mata Atlântica no maciço da região central, uma das áreas mais urbanizadas do município. É ali que nascem cursos d’água que abastecem bacias do Centro e que a mata ajuda a segurar o calor dos bairros em volta.
O que muda com o plano de manejo do Morro da Cruz?
O plano divide o parque em nove zonas, cada uma com regras próprias. A maior delas, a Zona Intangível, ocupa 49,45% da área e fica reservada à proteção integral e ao monitoramento, sem visitação. Trilhas, mirantes, lazer e educação ambiental ficam nas demais zonas, como as da sede. É esse mapa que a Floram passa a usar para autorizar ou negar atividades, da abertura de uma trilha à instalação de qualquer estrutura.
A regra não para na cerca do parque. O plano também cria uma zona de amortecimento, uma faixa de 50 a 500 metros no entorno, onde novas atividades e empreendimentos seguem normas específicas para reduzir o impacto sobre a área protegida. Para quem mora nas comunidades do maciço, é aí que o documento chega mais perto do dia a dia. A Prefeitura não divulgou quais atividades ficam restritas nessa faixa nem o mapa das zonas.
Por que o Morro da Cruz é um caso à parte
“O Morro da Cruz, diferente das outras Unidades de Conservação, tem uma particularidade. É a mais urbana, cercada por bairros e comunidades que convivem com o espaço protegido diariamente. Planejar e estabelecer diretrizes nesta área significa conciliar a proteção da Mata Atlântica com a realidade de quem vive no entorno”, disse o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luiz Felipe Braga Kronbauer.
O chefe do Departamento de Unidades de Conservação, Guilherme Adilson de Freitas, lembra como o próprio documento descreve o parque: “O próprio plano de manejo define a Unidade como um oásis no centro urbano da Ilha, com influência direta na regulação do microclima do entorno, na concentração de nascentes que abastecem bacias hidrográficas da região central e na função de refúgio e trampolim ecológico para a fauna e a flora”.
A história do parque começou nas associações de moradores do maciço, e a revisão do plano passou por oficinas com moradores, escolas e conselheiros. “No caso do Morro da Cruz, esse esforço tem uma marca comunitária muito forte, porque a criação do parque nasceu da mobilização das associações de moradores do maciço”, afirmou o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado.
Só falta o Campeche
Com o Morro da Cruz, Florianópolis passa a ter plano de manejo em todas as Unidades de Conservação já consolidadas, dez no total. Fica faltando o Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, a UC mais nova da cidade, cujo plano está em fase inicial, em discussão num grupo de trabalho. Os planos estão disponíveis no site oficial da Prefeitura de Florianópolis.
Em resumo
- O Parque Natural Municipal do Morro da Cruz, no centro da Ilha, ganhou plano de manejo, publicado em 28 de outubro de 2026 pela Floram (Portaria nº 043/2026).
- O parque tem 129,20 hectares e é dividido em nove zonas; a Zona Intangível, sem visitação, ocupa 49,45% da área.
- Trilhas, mirantes, lazer e educação ambiental ficam concentrados nas outras zonas.
- Uma zona de amortecimento de 50 a 500 metros no entorno terá regras específicas para novas atividades e empreendimentos.
- Florianópolis chega a dez planos de manejo; falta só o da Ilha do Campeche.
Fonte: Prefeitura de Florianópolis (notícia de 29/10/2026).
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