Destinos que podem ser explorados a pé ganham destaque entre viajantes

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Festival Tambores do Axé leva “Uma Noite de Magia” a Biguaçu no dia 14 de novembro e abre o centenário de Mãe Hilca D’Iansã

Edição do festival reúne sete atrações no Centro de Eventos Fenix, sábado (14), às 21h, com arrecadação de alimentos para a Escola Pan-Africana Olodum Sul.

Villa Francioni abre a série Uvas e Vinhedos, que estreia nesta quarta-feira no canal Modo Viagem, da Globoplay

Vinícola pioneira em vinhos de altitude em Santa Catarina está entre as apresentadas pelo programa, que estreia às 20h30 desta quarta (4) no canal Modo Viagem.

Parque do Morro da Cruz ganha plano de manejo, com nove zonas e quase metade da área fechada à visitação

O Parque do Morro da Cruz, em Florianópolis, ganhou plano de manejo: nove zonas, 49,45% da área sem visitação e regras para o entorno. Veja o que muda.

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Com atrativos concentrados em poucas quadras, Centro Histórico de Florianópolis reflete a busca por viagens mais lentas e conectadas à cultura local 

A forma de viajar está mudando. Cada vez mais turistas buscam experiências que permitam uma conexão mais próxima com a cultura e a rotina dos destinos visitados. Nesse contexto, cidades e regiões que podem ser exploradas a pé vêm ganhando destaque entre os viajantes. A tendência, conhecida como turismo caminhável, impulsiona a valorização de centros históricos, regiões culturais e áreas urbanas com boa infraestrutura para pedestres. 

O conceito está diretamente ligado à caminhabilidade — indicador utilizado no urbanismo para medir o quanto uma cidade oferece condições seguras, confortáveis e acessíveis para quem circula a pé. No turismo, isso significa a possibilidade de conhecer atrações, restaurantes, cafés, espaços culturais e pontos históricos sem depender constantemente de carro ou transporte público.

Caminhar também faz parte da viagem

A relevância desse modelo vem sendo observada também em estudos sobre comportamento turístico. Pesquisas internacionais apontam que a qualidade da experiência de caminhar influencia diretamente a percepção dos visitantes sobre um destino, contribuindo para uma vivência mais imersiva e para uma conexão mais profunda com a identidade local. Em muitos casos, o próprio deslocamento passa a ser parte da experiência de viagem.

O movimento acompanha uma mudança de comportamento dos viajantes, que passaram a priorizar experiências mais autênticas, sustentáveis e conectadas ao cotidiano local. Em vez de percorrer grandes distâncias em roteiros acelerados, muitos turistas preferem explorar bairros inteiros caminhando, descobrindo detalhes da arquitetura, da gastronomia e da cultura que normalmente passariam despercebidos.

Em Florianópolis, por exemplo, o Centro Histórico reúne uma série de atrativos concentrados em poucas quadras, permitindo que moradores e visitantes percorram diferentes experiências em um único roteiro. Mercado Público, Praça XV, museus, cafés, restaurantes e a Ponte Hercílio Luz formam um circuito urbano que vem atraindo um público cada vez mais interessado em conhecer a cidade além das praias.

Segundo Adriano Palma, CEO do Faial Prime Suites, a busca por esse tipo de experiência tem se tornado cada vez mais evidente entre os hóspedes. “O turista quer conhecer a essência do lugar. Caminhar pelas ruas, descobrir pequenos negócios, visitar espaços culturais e observar a dinâmica da cidade. Existe uma valorização crescente das experiências que acontecem fora dos roteiros tradicionais”, afirma.

Impactos além do turismo

Além de melhorar a experiência dos visitantes, a caminhabilidade também gera impactos positivos para a economia local. Estudos sobre turismo urbano mostram que ambientes amigáveis para pedestres estimulam maior permanência dos visitantes nos espaços públicos e ampliam a interação com o comércio de rua, favorecendo restaurantes, cafeterias, lojas independentes, feiras e atrações culturais. A lógica é simples: quanto mais agradável é caminhar, maior tende a ser o tempo de permanência e o consumo no entorno.

Para Palma, o conceito também transforma o papel da hospedagem. “Hoje o hotel faz parte de uma experiência muito mais ampla. A localização, a conexão com o entorno e a facilidade de explorar a cidade se tornaram fatores decisivos na escolha do destino e da hospedagem”, destaca.

A valorização das cidades caminháveis acompanha uma tendência global de desenvolvimento urbano voltada à mobilidade humana, à sustentabilidade e à ocupação dos espaços públicos. Não por acaso, rankings internacionais de turismo e mobilidade passaram a incluir a caminhabilidade entre os atributos analisados na avaliação dos destinos. No turismo, esse movimento reforça o potencial dos centros históricos e das regiões culturais como protagonistas de uma nova forma de viajar: mais lenta, mais consciente e mais conectada à identidade local.