As origens da psicanálise contadas em novo livro

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Obra reúne documentos históricos que relatam as primeiras reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena. Lançamento será a 6 de julho, às 19h30, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC

Resultado de pesquisa direta nos arquivos da Sociedade Psicanalítica de Viena e de uma temporada de imersão na Berggasse 19 — endereço onde Sigmund Freud viveu e atendeu seus pacientes —, o livro Das Origens da Psicanálise: Memória e Formação de um Laço Social e Político da Clínica revela um momento ainda pouco conhecido da história da psicanálise: os protocolos das primeiras reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena. 

O livro é assinado pelo psicólogo Anderson Abreu, mestre e doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com revisão e tradução do Gestalt-terapeuta e músico Alberto Heller, mestre em Educação e doutor em Literatura pela UFSC e prefácio da psicanalista Ana Lúcia Mandelli de Marsilla, professora de psicologia da UFSC.  Com apresentação de Daniela Finzi, diretora científica do Museu Sigmund Freud (Viena), o livro será lançado pela editora Appris no dia 6 de julho, às 19h30, no Auditório Arquiteta Giseli Zuchetto Knak (Bloco E), na UFSC.

O interesse dos autores pela pesquisa nasceu da vontade de compreender a psicanálise antes de sua consolidação como teoria. Nos protocolos, Freud e seus interlocutores aparecem experimentando conceitos, revisando posições e discordando entre si. “Estar na Berggasse 19 significou perceber que aqueles textos nasceram em um espaço concreto, atravessado pela cidade, pela cultura e pelas tensões da época. Essa experiência tornou a pesquisa muito menos arqueológica e muito mais viva”, afirma Anderson, que é também professor do programa de pós-graduação em psicologia (UFSC). Na Áustria, em Viena, onde vive há quatro anos, Anderson é docente no Österreichisches Latei namerika-Institut (LA).

Uma das particularidades da obra é o diálogo entre cada protocolo e obras da Secessão Vienense. Enquanto Freud elaborava suas primeiras hipóteses sobre o inconsciente, artistas como Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoschka também interrogavam o corpo, o desejo e a subjetividade humana. “Havia uma mesma atmosfera intelectual produzindo diferentes formas de pensar o humano”, afirma o autor.

O livro defende que, naquelas reuniões, teoria, clínica e mundo se entrelaçavam como um “pensamento em ato”. “A teoria não era construída primeiro para depois ser aplicada à clínica. Ela surgia no próprio movimento das discussões. Casos clínicos, literatura, política, filosofia, medicina e acontecimentos da cidade apareciam na mesma conversa”, explica Anderson. A obra também situa o nascimento da psicanálise no contexto das profundas transformações da Viena do início do século XX — modernização, nacionalismos, antissemitismo e intensos debates sobre sexualidade —, tensões que não funcionavam como pano de fundo, mas como parte ativa da elaboração teórica.

Citando o psicanalista Bruno Bettelheim, que descreveu esse momento como uma “simultaneidade de forças opostas”, o autor traça paralelos com a atualidade: “Vivemos novamente um tempo de enormes avanços científicos e tecnológicos convivendo com guerras, migrações, desigualdades e crises democráticas. Talvez seja justamente nesses momentos que a psicanálise reencontre sua vocação original: compreender como as transformações da cultura atravessam a vida psíquica.”

A edição bilíngue busca aproximar pesquisadores, estudantes e psicanalistas do Brasil e da Áustria, favorecendo um diálogo entre a tradição vienense e a produção latino-americana em psicanálise.

SERVIÇO

Lançamento do livro Das Origens da Psicanálise: Memória e Formação de um Laço Social e Político da Clínica

Data: 6 de julho de 2025
Horário: 19h30
Local: Auditório Arquiteta Giseli Zuchetto Knak (Bloco E), no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC — Trindade, Florianópolis

Sobre os autores:

Anderson Abreu: mestre e doutor  pela (UFSC. Concluiu também pós-doutorado em Psicologia pela mesma instituição, com pesquisa desenvolvida junto ao Sigmund Freud Museum, em Viena.  É professor do programa de pós-graduação em psicologia (UFSC) e na Áustria, em Viena,  docente no Österreichisches Latei namerika-Institut (LA).

Alberto Heller: músico (pianista, compositor) e Gestalt-terapeuta. Pós-graduação em música na Alemanha (Musikhochschule ‘Franz Liszt’ Weimar), mestrado em Educação, doutorado em Literatura (ambos pela UFSC. 

Ana Lúcia Mandelli de Marsillac: professora Associada do Departamento de Psicologia da UFSC). Coordena o Laboratório de Psicanálise, Processos Criativos e Interações Políticas (LAPCIP/UFSC). Pós-doutoranda na Université Laval/Québec/Canadá. Pós-doutora pela Universidade Nova de Lisboa (UNL).