Founder Haus reúne 42 participantes nos dias 14 e 15 de novembro, em uma maratona gratuita que conecta ciência, tecnologia e empreendedorismo. A comunidade chega à edição com projetos reconhecidos internacionalmente.
Uma imagem de satélite pode ajudar a identificar um incêndio. Dados sobre chuvas podem alimentar um sistema de alerta. Informações de missões espaciais podem se transformar em ferramentas para ensinar, pesquisar e empreender. Nos dias 14 e 15 de novembro, essas possibilidades entram na rotina de Jurerê Internacional, no Norte da Ilha.
A Founder Haus, em Florianópolis, recebe o NASA Space Apps Challenge 2026, encontro local do desafio internacional que mobiliza equipes para criar soluções com dados abertos da agência espacial norte-americana e de instituições parceiras. Serão 42 participantes selecionados, divididos em sete times de seis pessoas, na terceira edição consecutiva realizada no formato Pocket Edition.
O nome indica uma proposta de escala reduzida, não de ambição pequena. Durante 48 horas, os grupos vão trabalhar em desafios ligados à Terra e ao espaço, combinando conhecimentos de programação, ciência, design e negócios. Metade desse período será presencial: sábado e domingo, das 8h às 20h. Fora desses horários, os times poderão continuar o desenvolvimento de forma remota.
A participação é gratuita e depende de seleção. As inscrições estão disponíveis na página do evento.
O que é o NASA Space Apps Challenge?
O NASA Space Apps Challenge é uma maratona internacional de criação em que equipes usam dados abertos da NASA e de agências parceiras para responder a desafios científicos e tecnológicos. Os participantes desenvolvem propostas durante um fim de semana, em encontros locais ou virtuais. Os projetos indicados nas etapas locais podem seguir para avaliação global, conforme as regras da competição.
Conhecido como hackathon, esse formato concentra em pouco tempo etapas que normalmente ficariam espalhadas por semanas: entender um problema, formar uma equipe, testar uma ideia e apresentar uma solução.
O trabalho não se limita a escrever código. É preciso interpretar informações, descobrir quem poderia usar a ferramenta, desenhar uma experiência compreensível e explicar por que a proposta faz sentido. Por isso, a chamada de Florianópolis inclui designers, cientistas, engenheiros, empreendedores, comunicadores e entusiastas, além de programadores.
A diversidade de conhecimentos faz parte da proposta do programa internacional Space Apps. Uma pessoa pode entender de satélites; outra, de visualização de dados. Uma terceira pode reconhecer um problema cotidiano que as duas primeiras ainda não tinham considerado.
Da exploração espacial aos problemas da Terra
O tema apresentado para 2026 é “The Next Frontier”, ou “A próxima fronteira”. A edição de Florianópolis anuncia 18 desafios como ponto de partida para as equipes.
Entre os exemplos reunidos no material da organização estão propostas sobre equipamentos deixados na Lua e em Marte, identificação de paisagens terrestres semelhantes à superfície marciana, combustão em microgravidade e ferramentas educativas para futuros astronautas.
Também há desafios envolvendo informações dos sensores MODIS e VIIRS, usados na observação da Terra. É nesse encontro entre dados científicos e necessidades concretas que a maratona procura abrir espaço para novas aplicações.
O acesso às informações, sozinho, não resolve um problema. O desafio das equipes é transformar esse acervo em algo que possa ser compreendido e utilizado: uma ferramenta, uma visualização, uma experiência educativa ou um protótipo de serviço.
Uma comunidade que já chegou à premiação global
A edição em Jurerê Internacional parte de uma trajetória que inclui reconhecimento fora do Brasil.
Em 2024, o time I.O. conquistou o Local Impact Award, uma das categorias globais do Space Apps, com o G.R.O.W., projeto de prevenção de incêndios florestais baseado em dados de satélite. A informação integra o histórico apresentado pela organização para a edição deste ano.
Em 2025, o Orbishield AI, voltado a alertas de enchentes e deslizamentos, venceu a etapa local e recebeu indicação para a avaliação global. São dois exemplos de como uma competição ligada ao espaço pode produzir propostas voltadas a riscos vividos aqui na Terra.
A história da comunidade também passa por Curitiba. Em 2017, uma edição organizada pela JUPTER reuniu 258 participantes. Naquele ciclo, o JUNO Radio, de Raul Guedes Carlesso e equipe, venceu localmente e chegou ao Top 5 global na categoria Best Mission Concept. No ano seguinte, o grupo visitou o Kennedy Space Center, nos Estados Unidos.
Para Florianópolis, esse percurso acrescenta experiência ao encontro: quem chega para participar encontra uma comunidade que já passou pelo desenvolvimento dos projetos, pela apresentação aos avaliadores e pelas etapas internacionais.
Quem está à frente da edição em Florianópolis
A liderança local de 2026 é formada por Frank Rolim e Rosa Maria Miranda.
Engenheiro de software e fundador da conecte.ai, Frank integrou o time I.O., reconhecido globalmente em 2024. Rosa atua como cientista cidadã em projetos ligados à NASA e participou do Orbishield AI, indicado à etapa global em 2025.
O apoio à realização inclui Nima Kaz, cofundador e CEO da JUPTER e cofundador da Founder Haus; Paloma Lecheta, cofundadora da casa e líder local nas edições de 2024 e 2025; e Iggy, responsável por operações e logística.
A iniciativa reúne a Founder Haus e comunidades do setor espacial e de inovação, com parceiros como MoonDAO e conecte.ai. O De Olho na Ilha também aparece entre os apoiadores da edição.
Embora integre o NASA International Space Apps Challenge, o evento local não é financiado pela NASA.
Intensidade sem virar a noite na casa
Na Founder Haus, o formato presencial foi organizado para combinar concentração e descanso. A programação acontece das 8h às 20h nos dois dias, com alimentação, café e lanches oferecidos pela organização. Pausas para alongamento e respiração fazem parte da dinâmica prevista.
À noite, os participantes deixam a casa. A possibilidade de continuar trabalhando remotamente permanece, mas a estrutura presencial não prevê uma madrugada de competição dentro do espaço.
Depois da maratona, os projetos ainda podem ganhar novos caminhos. Além da seleção para as etapas internacionais, a organização prevê que equipes selecionadas apresentem suas propostas a investidores de tecnologia espacial uma semana após o evento.
O primeiro compromisso, porém, acontece em Jurerê: formar um time, escolher uma pergunta e construir uma resposta que possa ser demonstrada. Entre a imagem captada por um satélite e uma ferramenta útil para quem vive na Terra, há trabalho para muita gente — e não apenas para quem sabe programar.
Em resumo
- O NASA Space Apps Florianópolis acontece em 14 e 15 de novembro de 2026, na Founder Haus, em Jurerê Internacional.
- São 42 vagas presenciais, mediante seleção, para sete equipes de seis pessoas.
- A participação é gratuita, com alimentação oferecida pela organização.
- O desafio dura 48 horas, com atividades presenciais das 8h às 20h nos dois dias.
- Projetos indicados localmente podem seguir para avaliação global; a passagem não é automática.
Serviço
NASA Space Apps Challenge Florianópolis 2026 — Pocket Edition
Quando: 14 e 15 de novembro, com atividades presenciais das 8h às 20h.
Onde: Founder Haus, Avenida dos Merlins, 156, Jurerê Internacional, Florianópolis.
Participação: gratuita, mediante seleção para as 42 vagas presenciais.
Inscrições: página oficial do encontro no Luma.



