Resíduos de bares e restaurantes viram adubo para arborização do Centro de Florianópolis

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Iniciativa articulada pelo Núcleo do Centro Histórico da CDL Florianópolis já recolheu mais de 12 toneladas de rejeitos orgânicos e conecta coleta, compostagem e qualificação das áreas verdes da região

Desde abril, 12.170 quilos de resíduos orgânicos produzidos por bares, restaurantes e outros estabelecimentos do Centro de Florianópolis deixaram de ser encaminhados ao aterro sanitário e passaram a ganhar uma nova destinação. O resultado faz parte de uma iniciativa do Núcleo Centro Histórico da CDL Florianópolis, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que organiza a separação, a coleta e a compostagem do material. O adubo produzido será utilizado no plantio e na manutenção de árvores e jardins da própria região.

A coleta ocorre três vezes por semana, às terças, quintas e sábados. Nos estabelecimentos participantes, restos de alimentos e outros materiais orgânicos são separados do lixo comum e armazenados em bombonas com tampas herméticas até o recolhimento. Depois, seguem para o Centro de Valorização de Resíduos, no Itacorubi, onde passam pelo processo de compostagem.

Para facilitar a adesão dos empresários, o Núcleo Centro Histórico organizou a compra coletiva das bombonas. A aquisição conjunta reduziu os custos e garantiu recipientes adequados para acondicionar o material, evitando vazamentos e odores durante o armazenamento.

“A proposta foi criar uma solução que funcionasse na rotina dos bares e restaurantes. A compra coletiva facilitou o acesso às bombonas e, com a parceria do município, conseguimos estruturar um processo completo, da separação à destinação. O envolvimento dos empresários mostra que ações coordenadas podem gerar resultados concretos para o Centro”, afirma David Vieira, coordenador do Núcleo Centro Histórico da CDL Florianópolis.

Entre o início da operação em abril e o final de junho, os veículos responsáveis pelo serviço percorreram cerca de 699 quilômetros. O volume retirado a cada coleta triplicou no período, passando de 250 para 750 quilos. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, cerca de 50% dos estabelecimentos mapeados na área já aderiram ao serviço.

“A coleta seletiva de orgânicos na área central é um passo importante para o alcance das metas do Floripa Lixo Zero e para a qualidade ambiental de uma região tão representativa para a cidade. O aumento do volume recolhido mostra que conseguimos ampliar a adesão ao longo dos primeiros meses e consolidar o serviço entre os estabelecimentos do setor alimentício”, destaca Karina da Silva de Souza, engenheira sanitarista e ambiental e gerente da Coleta Seletiva da Secretaria.

A ação também auxilia no cumprimento da Lei Municipal nº 10.501/2019, que estabelece a reciclagem dos resíduos sólidos orgânicos em Florianópolis. A separação impede que restos de alimentos e outros materiais biodegradáveis sejam misturados ao lixo comum, reduzindo o volume enviado ao aterro sanitário.

Com os resultados da primeira etapa, a Prefeitura prepara a expansão da coleta para a região Centro-Oeste. Cerca de 40 estabelecimentos do ramo alimentício já foram mapeados e estão recebendo orientações de educação ambiental. A previsão é que o serviço comece em agosto.

Composto retorna às áreas verdes do Centro

Após ser processado no pátio de compostagem do Itacorubi, parte do adubo produzido retornará ao Centro para atender a iniciativa de arborização desenvolvida pela CDL Florianópolis e executada pela Arboran. Neste momento, o projeto completo do Viva a Cidade Arborizada está em análise técnica pelos órgãos municipais.

O composto será misturado ao solo durante o plantio das árvores e reaplicado a cada seis meses para auxiliar no desenvolvimento da vegetação. A perspectiva é destinar o material também a espaços como a Praça XV, a Rua Felipe Schmidt e os canteiros de avenidas da região. Os estabelecimentos participantes poderão receber parte do adubo para utilizar em suas próprias plantas.

“O projeto fecha o ciclo dentro do próprio bairro. O resíduo produzido pelos estabelecimentos passa pela compostagem e retorna como adubo para nutrir as árvores e os jardins do Centro. É um material natural, sem compostos químicos, que contribui para o desenvolvimento da vegetação e evita o envio de resíduos ao aterro sanitário”, explica o biólogo e CEO da Arboran, Paulo Garbugio.

Segundo Garbugio, a destinação do composto integra um conjunto mais amplo de medidas voltadas à resiliência urbana. O projeto de arborização busca ampliar a cobertura vegetal e reduzir os efeitos das ilhas de calor, enquanto os jardins de chuva previstos para a região deverão contribuir para o escoamento das águas em períodos de chuva intensa.

Carrinhos retiram 921 toneladas de lixo das ruas em seis meses

A coleta de orgânicos soma-se a outra frente de gestão de resíduos mantida pela CDL Florianópolis na região central. Os carrinhos coletores elétricos complementam a operação convencional em vias de grande circulação e acesso restrito, reduzindo o tempo em que o lixo permanece exposto nas calçadas.

Entre janeiro e junho de 2026, o serviço retirou 921.820 quilos de resíduos das ruas do Centro. O volume já supera em quase 5% tudo o que foi recolhido durante os 12 meses de 2025, quando a operação registrou 881.700 quilos.

Somente em junho, os carrinhos recolheram 9.003 sacos de resíduos, que totalizaram 180.060 quilos. O serviço opera de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30, e aos sábados, das 8h às 12h.

“Uma cidade organizada, limpa e ambientalmente responsável cria melhores condições para quem vive, trabalha e circula pelo Centro. Quando a CDL participa de iniciativas de gestão de resíduos, arborização e qualificação dos espaços públicos, contribui para tornar a região mais atrativa e fortalecer todo o ecossistema local, do comércio e da gastronomia aos serviços e ao turismo”, afirma Rafael Salim, vice-presidente da CDL Florianópolis.