Projeto Libras no Parto, premiado pelo IGK, garante inclusão a gestantes surdas

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Quatro intérpretes de Libras criaram, há dois anos, uma rede voluntária para acompanhar gestantes surdas na hora do parto — e, em agosto, o projeto Libras no Parto foi homenageado pelo Instituto Guga Kuerten no Prêmio IGK, na categoria Ação Voluntária.

Fora do horário comercial, gestantes surdas costumam ficar sem os intérpretes oferecidos pelo Estado. Isso amplia dúvidas, inseguranças e o risco de violência obstétrica. Em resposta, Aline Iolanda, Fabiana Albuquerque, Juliana Sousa Pereira e Vanessa Rizzotto organizaram um revezamento para que nenhuma chamada fique sem atendimento.

O trabalho individual já vinha há sete anos, com gestantes chamando as profissionais para os partos. Em determinada situação, ao perceberem que precisavam de uma rede, Juliana, Fabiana e Aline chamaram Vanessa. “Se uma das surdas que estiver grávida chamar, a gente, no grupo, já determina: ‘ah, eu posso ir’, ‘eu não posso ir’. Assim, a surda não fica sem o atendimento”, explica Vanessa.

Entre todas as profissionais envolvidas, já foram realizados 16 partos, além de alguns “alarmes falsos” com contrações de teste. Para consultas agendadas, a demanda é menor, porque os horários facilitam o chamamento dos intérpretes do Estado.

Vanessa ainda não participou de um parto pelo projeto, mas descreve o que as colegas relatam: “Não tem como mensurar a emoção. Porque, além de ser um momento muito importante para a pessoa que está se tornando mãe, é uma questão de ela ter seu direito linguístico atendido.”

As quatro mantêm o Libras no Parto como ação voluntária, mesmo trabalhando como intérpretes em outros contextos e defendendo a regulamentação da profissão. Para Vanessa, o Prêmio IGK trouxe visibilidade: “Várias pessoas ficaram sabendo do projeto por causa do prêmio, porque ele acontecia muito isolado para a comunidade. E, através do prêmio, a comunidade também fica sabendo essa carência da comunidade surda.”

O Instituto Guga Kuerten e a assessoria de imprensa ficam à disposição para entrevistas com Alice Kuerten, presidente do IGK, e com as intérpretes do projeto.