RAPI 2026 analisa 208 indicadores e aponta avanços e desafios de Florianópolis

GeralRAPI 2026 analisa 208 indicadores e aponta avanços e desafios de Florianópolis

Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil e Florianópolis lidera entre as capitais, aponta anuário

Com 7,7 assassinatos por 100 mil habitantes em 2025, SC tem a menor taxa do país no Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil 2026. Florianópolis é a capital mais segura, com 11,5.

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10ª edição do relatório monitora áreas como saneamento, mobilidade, saúde, educação, segurança, meio ambiente e gestão fiscal

A FloripAmanhã lança a 10ª edição do Relatório Anual de Progresso dos Indicadores de Florianópolis (RAPI), que reúne a análise de 208 indicadores relacionados à sustentabilidade ambiental, urbana, fiscal e de governança. O documento apresenta um panorama da cidade em áreas que impactam diretamente a qualidade de vida e busca apoiar a definição de prioridades e a avaliação de políticas públicas.

Produzido pela Associação FloripAmanhã, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Observatório Social do Brasil – Florianópolis, o RAPI 2026 utiliza como referência a metodologia do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com dados do ano base 2025. O monitoramento é realizado desde 2017. Clique aqui para baixar edições anteriores.

“O futuro de Florianópolis depende das escolhas que fazemos hoje. O RAPI ajuda a identificar onde a cidade avançou e quais problemas ainda precisam ser enfrentados. Cabe ao poder público, à sociedade civil e ao setor privado transformar esse diagnóstico em prioridades e ações, com continuidade no planejamento e compromisso com a qualidade de vida da população”, destaca o presidente da FloripAmanhã, empresário e publicitário Daniel Araújo.

Indicadores mostram avanços e pontos de atenção

Nesta edição, 76 indicadores foram classificados como satisfatórios, 29 ficaram em nível de atenção e 30 abaixo do nível considerado satisfatório. Outros 45 foram classificados em cinza, por ausência de dados no exercício ou por informações incompatíveis com a métrica ou os parâmetros solicitados. Completam os 208 indicadores os 20 classificados em azul, novos ou em fase de estruturação, ainda sem parâmetros de classificação ou metas históricas fixadas, e os oito em branco, utilizados para acompanhamento do contexto, sem metas estabelecidas.

“O relatório transforma dados técnicos em informações que permitem à sociedade conferir o desempenho e projetar políticas públicas, independentemente da gestão”, declara o conselheiro da FloripAmanhã, Ivo Sostizzo.

Entre os pontos de atenção estão o saneamento e a mobilidade. O relatório aponta que a cobertura da rede de esgoto chegou a 58,71% em 2025. Na mobilidade, a velocidade média do transporte coletivo permanece em 23 km/h, em um cenário de elevada motorização e ausência de vias exclusivas para ônibus.

Avanços convivem com desafios estruturais

O documento também identifica resultados positivos em áreas como segurança, saúde e gestão fiscal. Florianópolis registra redução nas taxas de homicídios, roubos e furtos, recuperação das coberturas vacinais e melhora nos indicadores fiscais.
Na avaliação do professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Hans Michael van Bellen, os resultados precisam ser analisados em conjunto. “Temos indicadores que nos posicionam entre as melhores capitais. Entretanto, a leitura integrada mostra que esses avanços convivem com fragilidades estruturais que limitam a capacidade do município de enfrentar desafios ambientais complexos”, afirma.

Dados para orientar políticas públicas

A disponibilidade de informações públicas também aparece como desafio. O número de indicadores sem dados adequados reforça a necessidade de melhorar a produção, atualização e transparência das informações utilizadas para acompanhar a evolução da cidade. “Não se melhora aquilo que não se mede. O acompanhamento sistemático dos indicadores oferece uma base sólida para avaliar avanços, reconhecer desafios e orientar decisões com transparência, responsabilidade e visão de longo prazo”, destaca a gerente executiva da FloripAmanhã, Márcia Regina Teschner.

O RAPI 2025-2026 apresenta ainda análises, comparativos e recomendações em áreas como saneamento, mobilidade, drenagem, proteção ambiental, habitação, serviços públicos e resiliência climática. O relatório completo está disponível nesta página do site da FloripAmanhã.

Considerações e recomendações

O RAPI aponta medidas para enfrentar os desafios identificados e orientar as prioridades de Florianópolis. Entre as recomendações, destacam-se:

  • Ampliar o saneamento e a transparência dos serviços: Acelerar a expansão da coleta de esgoto para acompanhar o crescimento da população. O relatório também recomenda a publicação regular de dados e o diálogo permanente entre concessionária, poder público e sociedade civil para acompanhar as soluções.
  • Investir em drenagem e prevenção de desastres: Garantir recursos para obras preventivas e intervenções nas áreas de risco, dando execução aos planos e mapeamentos existentes. As compensações financeiras decorrentes da venda de potencial construtivo devem priorizar melhorias na drenagem urbana e na mobilidade.
  • Dar prioridade ao transporte coletivo: Implantar vias dedicadas aos ônibus e renovar a frota com fontes de energia limpa. As medidas buscam melhorar a eficiência do sistema e tornar o transporte coletivo uma alternativa ao automóvel.
  • Proteger os mananciais e reduzir perdas de água: Modernizar a rede para combater desperdícios, preservar as fontes locais de abastecimento e aprimorar o monitoramento da qualidade da água. Essas ações são necessárias para enfrentar o crescimento da demanda e as crises climáticas.
  • Concluir os planos de manejo das áreas protegidas: Avançar na elaboração dos instrumentos que orientam a gestão, a fiscalização e o uso das unidades de conservação municipais. A medida busca reduzir ocupações irregulares e conflitos de uso, preservando o patrimônio natural da cidade.
  • Fortalecer a reciclagem e reduzir a geração de resíduos: Ampliar a infraestrutura de coleta seletiva e as parcerias com associações de catadores, além de estimular o consumo consciente e a compostagem. O objetivo é diminuir o volume de resíduos enviado aos aterros e os custos ambientais e financeiros dessa destinação.
  • Qualificar os dados para orientar a política habitacional: Manter o cadastro habitacional atualizado e transparente, integrando suas informações aos dados de vulnerabilidade social e ocupação de áreas de risco. Essa base deve orientar o acesso à moradia adequada e permitir o acompanhamento dos resultados pela sociedade.

    Link para baixar o RAPI 2026 com 208 indicadores de Florianópolis – https://materiais.floripamanha.org/rapi-2026