O Caminho da Ilha de Santa Catarina, o CAISCA, junta num só traçado trilhas que moradores e pescadores fazem há gerações, passa por dez unidades de conservação e é a primeira trilha de longo curso do município.
Dá para atravessar a Ilha a pé, do Sul ao Norte, e agora isso tem nome, decreto e mapa. A Prefeitura de Florianópolis, pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), instituiu o Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), um percurso de 95,2 quilômetros que sai da Caieira da Barra do Sul e termina na Praia de Canasvieiras. Também vale fazer no sentido inverso. O Decreto nº 29.806 formaliza a rota, segundo a notícia divulgada pela Prefeitura nesta quinta-feira (5). O percurso de 95,2 km já havia sido apresentado no evento Floripa o Ano Inteiro, em São Paulo, com repercussão na imprensa nacional de turismo.
Não é uma trilha aberta do zero. O CAISCA costura caminhos que já existem e que muita gente conhece, como o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa. No trajeto, o caminhante sai da areia, ao nível do mar, e sobe morros de até 232 metros de altitude.
Por onde passa o CAISCA, a trilha de longo curso de Florianópolis?
O traçado cruza dez unidades de conservação: o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a Área de Proteção Ambiental do Entorno Costeiro, o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste, o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, o Monumento Natural Municipal da Galheta, o Parque Estadual do Rio Vermelho, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro das Aranhas, o Parque Natural Municipal Lagoa do Jacaré das Dunas do Santinho e o Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe. A Prefeitura não divulgou o mapa nem a divisão por trechos.
Mata, baleia e sambaqui no mesmo caminho
Cerca de 41% da área terrestre de Florianópolis está dentro de unidades de conservação, e o CAISCA liga essas áreas de mata atlântica, restinga e manguezal. A Ilha registra cerca de 400 espécies de aves e, entre julho e novembro, a baleia-franca-austral pode aparecer em pontos do litoral ao longo do percurso. A rota também passa por áreas de valor histórico e arqueológico, numa Ilha com presença humana documentada há pelo menos 5 mil anos, em sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas.
“O CAISCA une em um só caminho trilhas que moradores e pescadores percorrem há gerações. Com o decreto, esses percursos passam a ter proteção formal, manejo planejado e uma identidade própria, que valoriza o patrimônio natural e cultural de Florianópolis”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.
Pernoite nas comunidades
Como a travessia completa exige dormir no caminho, a ideia é que comunidades tradicionais como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses ofereçam hospedagem, comida e condução aos caminhantes, dentro da Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, criada pela Lei nº 11.457/2025. Quantos dias leva a travessia e onde ficam os pontos de apoio, a Prefeitura não divulgou.
O desenho da rota vem de longe. O Programa Roteiros do Ambiente, da Floram, mapeia e sinaliza trilhas desde 2015, e as primeiras conversas sobre a trilha de longo curso aconteceram entre 2016 e 2018, com IFSC, IPUF, institutos ambientais e coletivos ligados às unidades de conservação. O trabalho foi retomado em 2024, e em 2025 as vistorias de campo tiveram o acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), que coordena no estado a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.
“O traçado foi construído com rigor técnico e participação social. Foram diversas saídas de campo para conferir e georreferenciar cada trecho e a proposta passou pela aprovação dos conselhos gestores das unidades de conservação envolvidas”, destaca o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado.
O que não pode na trilha
Ao longo do CAISCA ficam proibidos danificar placas e sinalização, coletar ou capturar plantas e animais nativos, alimentar bichos silvestres, largar lixo, instalar estruturas, alterar o traçado sem autorização e entrar em áreas restritas. Valem também as regras dos planos de manejo de cada unidade de conservação.
Em resumo
- Florianópolis oficializou o Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), sua primeira trilha de longo curso, pelo Decreto nº 29.806.
- São 95,2 km entre a Caieira da Barra do Sul e a Praia de Canasvieiras, nos dois sentidos, com altitudes de até 232 metros.
- O percurso passa por dez unidades de conservação e junta trilhas conhecidas, como o Caminho dos Naufragados.
- A travessia completa exige pernoite; comunidades como Pântano do Sul, Armação e Barra da Lagoa podem oferecer hospedagem e alimentação.
- Mapa por trechos e pontos de apoio ainda não foram divulgados.
Fonte: Prefeitura de Florianópolis (notícia de 05/11/2026).
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