Projeto piloto, proposto pela Acompeche com apoio da Floram, quer descobrir quantos quatis vivem na ilha e qual o efeito deles sobre a fauna nativa. Nenhum animal foi retirado ou sacrificado.
Quem já desembarcou na Ilha do Campeche conhece a cena: o quati que chega perto da canga atrás do lanche. A espécie não é nativa dali, foi levada por gente, com relatos desde os anos 1950, e até hoje ninguém sabe ao certo quantos animais vivem na ilha. Para começar a responder isso, a ilha recebeu entre 26 e 28 de setembro a primeira etapa de um projeto piloto de manejo da população de quatis, segundo a notícia divulgada pela Prefeitura de Florianópolis nesta quinta-feira (5).
A iniciativa é da Associação Couto Magalhães de Preservação da Ilha do Campeche (Acompeche), com apoio da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e de outras oito instituições, entre elas Ibama, IMA, UFSC e Unisul. Nos dias de trabalho, a ilha ficou fechada à visitação.
O que foi feito com os quatis da Ilha do Campeche?
No dia 26 de setembro, quatro machos foram esterilizados por vasectomia, número considerado o mínimo para avaliar o piloto. Depois da captura, os animais passaram por avaliação veterinária e coleta de amostras, receberam microchip e marcação temporária e foram soltos no mesmo ponto onde foram pegos, sem intercorrências, segundo a Prefeitura. Armadilhas fotográficas já acompanhavam os pontos onde os quatis costumam circular.
“Durante esta ação, nenhum animal foi retirado da Ilha do Campeche ou eutanasiado”, afirma a médica veterinária Laura Tonon, responsável técnica pelo projeto. Ela explica que até a sutura foi pensada para não precisar de nova captura: “utilizamos pontos intradérmicos, que reduzem a possibilidade de manipulação da ferida pelo animal e evitam a necessidade de uma segunda captura para a retirada dos pontos”.
Por que mexer nos quatis
Relatos técnicos indicam pressão dos quatis sobre a fauna nativa da ilha, mas não há estudo sistemático que meça isso. O projeto também nasce da convivência com os visitantes: comida de gente muda o comportamento dos bichos e os aproxima das áreas de uso público, principalmente na alta temporada, o que aumenta o risco de mordidas, arranhões e contato com carrapatos e pulgas.
“Nós ainda não sabemos com precisão quantos quatis vivem na Ilha, como essa população está estruturada nem qual é a real dimensão de seus impactos sobre a flora e fauna nativas”, diz a bióloga da Floram Priscilla Tamioso.
A ideia é ampliar o projeto a partir do ano que vem, com novas etapas de manejo e monitoramento. Para quem vai ao Campeche neste verão, a orientação não muda: não alimentar e não tocar nos quatis.
Em resumo
- A Ilha do Campeche recebeu, de 26 a 28 de setembro de 2026, a primeira etapa de um projeto piloto de manejo dos quatis, introduzidos na ilha por ação humana.
- Quatro machos foram vasectomizados, microchipados e soltos no mesmo lugar; nenhum foi retirado ou eutanasiado.
- O projeto é da Acompeche, com apoio da Floram e de mais oito instituições, como Ibama, IMA, UFSC e Unisul.
- O objetivo é saber quantos quatis vivem na ilha e medir o efeito deles sobre a fauna e a flora nativas.
- Visitantes não devem alimentar nem tocar nos animais.
Fonte: Prefeitura de Florianópolis (notícia de 05/11/2026).
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