Maricultores freqüentam sala de aula para receber certificação de produtor

Grande FlorianópolisMaricultores freqüentam sala de aula para receber certificação de produtor

Compartilhe

Um grupo de maricultores entra esta semana na fase semifinal de avaliação para o Programa de Certificação de Qualidade das Ostras da Grande Florianópolis. Porém, no “vestibular da maricultura” não é a redação a matéria que mais conta ponto para a conquista do selo de qualidade inédito no Brasil.

Marcelo Lubi

Barco – Ostras – Flçorianópolis-SC

O que irá valer para a aprovação dos candidatos é o conhecimento em informática, matemática, administração, legislação, normas de higiene e manejo, e até natação. Para os produtores que têm dificuldade em algumas dessas disciplinas, a saída é recorrer à maratona de aulas que começa a partir desta segunda-feira (3/11), no Centro de Treinamento da Epagri, no Itacorubi, e também no Ribeirão da Ilha.

Dos 34 produtores inscritos no programa, três já estão aptos à certificação. Outros 25 maricultores cumpriram de 70% a 90% do caderno de normas, que contempla 45 itens, entre critérios de pequena, média e alta complexidade. Para esses candidatos foram programados cursos conforme as necessidades observadas pelos consultores durante a fase de acompanhamento às fazendas marinhas, ao longo do ano. “A partir de agora é como se eles estivessem estudando para fazer um simulado, antes de se submeterem à prova final do vestibular, que é a auditoria”, explica o gestor do APL, Januário Serpa Filho.

Os cursos vão permitir o aprendizado de cálculos de custo de produção, controle de planilhas de manejo e estoque, além de utilização do software para execução dessas tarefas. “Essa capacitação é importante porque alguns produtores não fazem um controle adequado da produção e não sabem o que têm no mar. Numa atividade profissional essa é uma condição básica para que ele tenha a dimensão do próprio negócio e possa competir no mercado”, disse Januário.

Também será oferecido aos maricultores um treinamento para a obtenção da carteira de “Marinheiro Auxiliar de Convés”, liberada pela Capitania dos Portos – equivalente à carteira de motorista para quem dirige automóvel. A habilitação é necessária ao profissional que vai conduzir barco a motor, além de ser um documento exigido para regularização da embarcação. Para obtê-la o produtor terá que fazer provas teóricas e um teste de natação – tão importante para quem trabalha no mar quanto a direção defensiva para um motorista de carro.

O selo do Programa de Certificação de Qualidade das Ostras da Grande Florianópolis é inédito no Brasil e segue características recomendadas pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. Foi desenvolvido sob medida para a maricultura, dentro do plano de ação do Arranjo Produtivo Local (APL), com o objetivo de garantir condições de sanidade ao molusco cultivado na região a partir da adoção de boas práticas de manipulação no processo produtivo. As propriedades aqüícolas certificadas serão mapeadas por coordenadas geográficas – medida que vai permitir ao consumidor de qualquer lugar do Brasil localizar as áreas por satélite. Já a produção será identificada por lotes, área e data de cultivo, permitindo a rastreabilidade da fazenda marinha, além de maior controle da atividade e segurança alimentar do produto.