Alunos do Campeche terão aula de francês

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A praia do Campeche terá um clima europeu a partir de 12 de março. “Bonjour” (bom dia) e “au revoir” (até mais) são expressões que farão parte do cotidiano da comunidade. Nesta data, alunos da Escola Básica Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes iniciam um curso de francês, numa parceria entre a Secretaria de Educação de Florianópolis, Fundação Saint-Exupéry e Aliança Francesa.

Uma turma pela manhã e outra à tarde terão aula de duas horas uma vez por semana. A ideia é proporcionar o aprendizado de outro idioma na rede municipal, que já tem no currículo o Inglês e o Espanhol. Além disso, a intenção é de dar maior visibilidade ao idioma que um dia foi a segunda língua mais falada no mundo, bem como ensinada nas escolas brasileiras.
Para que os estudantes permaneçam na escola em tempo integral, nos dias de curso a Secretaria de Educação (SME) irá garantir o almoço aos 40 participantes, que estão nos anos finais do ensino fundamental. O curso terá duração de três anos.

Diploma

A Fundação Saint-Exupéry ficará responsável pelo fornecimento do material didático, com livros de textos e de exercícios, e pelo pagamento do professor. Caberá à Aliança Francesa fazer o acompanhamento pedagógico e selecionar o profissional que ministrará o curso. Ao final dos três anos, os alunos estarão capacitados para falar e ler em francês, ouvir e compreender a língua e produzir pequenos textos.
A cada três semestres, os participantes farão uma prova para obter o Diploma de Estudos na Língua Francesa (DELF) emitido pelo governo do país europeu. “Com o diploma, os alunos terão permissão e estarão habilitados a concorrer a bolsa de estudo na França”, observa Fernand De Fornier, Diretor Geral da Aliança Francesa em Florianópolis.

Conforme a Assessora Pedagógica da SME, Mônica Moreira, a reunião realizada com os familiares demonstrou que os pais estão empolgados com a oportunidade dos filhos terem o ensino do francês. “O desafio agora é tentar abrir novas turmas para atender outras crianças”.

Mônica Cristina Correia é a Representante da Fundação Saint- Exupéry, entidade criada para a preservação da memória no Brasil de Antoine Saint-Exupéry (1900-1944). A representante oferecerá também um curso para os alunos e pais sobre a vida e história do autor do livro O Pequeno Príncipe, e aviador, que pousava diversas vezes em Florianópolis, mais precisamente no Campeche, no início do século passado.

Ligação forte

Saint- Exupéry era piloto da Companhia Génerale Aéropostale, hoje Air France, pioneira no serviço de correio aéreo.
Na América do Sul, a companhia passava pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Das 11 escalas no Brasil, uma delas era em Florianópolis, na Praia do Campeche, durante os anos 1920 e 1930.
O casarão onde funcionou a base da Aérpostale, que será transformado em Centro Cultural, fica bem ao lado da Escola Brigadeiro Eduardo Gomes. Saint Exupéry era chamado pelos ilhéus de “Zeperri”, devido à dificuldade de pronunciarem o sobrenome dele. Na região, o francês tornou-se amigo de Manoel Inácio, o Seu Deca. O morador ensinou o escritor e aviador a pescar e preparar corvina e pampo.