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quarta-feira, outubro 20, 2021
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Albergado da Prefeitura, morador de rua luta para reaver aposentadoria

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Albergado da Prefeitura, morador de rua luta para reaver aposentadoria

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O pernambucano Valter Dias da Silva, de 76 anos, ex-morador de rua que atualmente encontra-se na recém inaugurada Casa de Acolhimento e Albergue Municipal de Florianópolis tem chamado atenção pela sua história de vida. Filho de oficial da Aeronáutica que foi piloto de caça e funcionário aposentado do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), ficou quase um mês nas ruas por falta de dinheiro. Agora, está no aguardo de um processo aberto junto à Defensoria Pública da União para reaver seu direito à aposentadoria. As informações são da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Florianópolis.

Filho único de José Batista Braga e Isaltina Dias Braga, nasceu em Recife (PE), onde chegou a ter aulas de latim, francês e inglês em escola particular e a estudar em colégio militar. Ainda que não tenha concluído o que hoje é conhecido por ensino médio, demonstra bastante sabedoria e orgulha-se em citar frases célebres dos pensadores Confúcio e Voltaire – lembranças que guarda de um livro que gostava de ler que pertencia ao pai.

Valter veio a Santa Catarina pela primeira vez a trabalho por uma empresa carioca para fazer ensaios de solo no município de Rio do Sul. E foi nesta cidade que, anos mais tarde, fixou residência e atuou, pelos seus cálculos, por 17 anos, no INAMPS. Segundo ele, foi aprovado em concurso público para auxiliar de serviços médicos, sendo que depois passou a exercer o cargo de agente administrativo, tendo chegado até o último grau de promoção. Mesmo assim, aposentou-se apenas com um salário mínimo, o que o levou a continuar trabalhando, inclusive, em circo.

Ainda de acordo com seu depoimento, após 23 anos recebendo a aposentadoria, teve o benefício negado, sob o argumento de que precisaria ter sido contratado pelo regime estatutário, e não celetista, como era o seu caso. Isto aconteceu em 2010, e desde então, já com a idade avançada para trabalhar, passou a viver das economias que havia feito, no valor de cerca de R$ 60 mil. Enquanto teve recursos financeiros, pagou aluguel de uma kitinete e viveu sozinho – já estava separado da mãe de seu casal de filhos – como pôde.

Encontrando-se desamparado em Florianópolis, resolveu passar as noites sobre um pedaço de papelão debaixo de uma marquise na qual conseguia se abrigar da chuva, próximo à Igreja São Francisco, no Centro. Alimentava-se apenas do sopão oferecido por voluntários todas as noites e de um pedaço de pão que acompanhava a refeição, que guardava para fazer o desjejum quando acordava pela manhã.

Desde meados de junho, passou a ter atenção da Secretaria de Assistência Social. Na Casa de Acolhimento e Albergue Municipal, além de boas condições de alojamento, ele está recebendo três refeições diárias, apoio psicológico da equipe de abordagem de rua e atendimento por assistentes sociais
 

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