“Lana, como eu odeio esses caras!” acompanha uma adolescente que encontra o primeiro amor enquanto desvenda os segredos de uma cidade marcada pelo legado do nazismo e por uma organização extremista ainda em atividade
Aos poucos, o que parecia ser apenas mais uma mudança para uma cidade do interior se transforma em uma jornada de autodescoberta, perigo e amor. Lana, como eu odeio esses caras! (Casa de Astérion), romance de estreia do escritor catarinense Arthur Simon, acompanha Jéssica, uma adolescente que se vê arrancada de sua vida em Florianópolis e levada para Hortênsias, uma pequena cidade fictícia de colonização alemã em Santa Catarina. O que ela não esperava era encontrar ali não apenas a hostilidade de uma comunidade fechada, mas também Lana — uma vizinha de cabelo platinado, tatuagem de arco-íris e uma habilidade surpreendente: mover objetos com a mente.
Após o lançamento nacional durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o livro ganha um evento especial em Florianópolis, cidade natal do autor. A noite de lançamento acontece no dia 7 de agosto, das 18h às 21h, na Letraria, no Rio Tavares (Rodovia Doutor Antônio Luiz Moura Gonzaga, 3339).
Ambientado em 2008, o romance resgata a atmosfera dos primórdios das redes sociais — Orkut, MSN e comunidades virtuais — para construir uma narrativa que reúne coming-of-age, suspense sobrenatural e thriller político. Em meio a referências da cultura pop, que vão de Britney Spears à série Friends, Arthur Simon desenvolve uma história sobre o que significa ser diferente em um lugar que cultiva a uniformidade.
A trama se desenrola em duas frentes. De um lado, o romance entre Jéssica e Lana desafia as convenções de uma cidade onde tudo o que foge da norma é tratado com desconfiança ou violência. De outro, a descoberta de diários escritos em 1942 revela um passado marcado pela repressão e por um amor proibido durante o Estado Novo. O nazismo e o integralismo, longe de permanecerem apenas na memória histórica, ressurgem na narrativa por meio de uma organização extremista que continua atuando nas sombras da cidade.
Embora trate de temas como intolerância, violência política e extremismo, Lana, como eu odeio esses caras! também é uma história sobre afeto, pertencimento e descoberta. O relacionamento entre as protagonistas é construído com delicadeza e humor, abordando questões como a bissexualidade, o medo da rejeição familiar e a importância da aceitação. Para Arthur Simon, trata-se do livro que gostaria de ter encontrado quando era mais jovem e da confirmação de que a literatura de entretenimento também pode provocar reflexão e ampliar perspectivas.
Com uma escrita que o autor define como cinematográfica e hiperestésica — expressão utilizada pelo escritor Luiz Antonio de Assis Brasil durante uma oficina literária —, o romance alterna momentos de tensão e intimidade, incorporando diferentes formatos narrativos, como diários, artigos de jornal, bilhetes e publicações em fóruns da internet. A estrutura cria uma narrativa fragmentada que amplia o suspense e reforça a investigação sobre os segredos de Hortênsias.
Sobre o autor
Arthur Simon, 32 anos, nasceu, cresceu e vive em Florianópolis, com uma breve passagem por uma pequena cidade da Califórnia. Formado em Direito, é servidor público e atua como Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. Em 2024 concluiu a especialização em Escrita Criativa pela PUCRS e atualmente cursa Letras – Língua Portuguesa na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No mesmo ano, recebeu menção honrosa no 4º Prêmio Literário Máquina de Contos pelo conto O presente de Marta.
Segundo o autor, a origem do romance surgiu a partir da imagem recorrente de duas meninas caminhando por uma floresta. Influenciado pela cultura pop, pela literatura norte-americana e por autores como Carol Bensimon, Arthur Simon faz de Lana, como eu odeio esses caras! uma história que combina entretenimento, memória, identidade e enfrentamento ao extremismo.
Serviço
Lançamento de Lana, como eu odeio esses caras!, de Arthur Simon
- Data: 7 de agosto (sexta-feira)
- Horário: das 18h às 21h
- Local: Letraria
- Endereço: Rodovia Doutor Antônio Luiz Moura Gonzaga, 3339 – Rio Tavares – Florianópolis (SC)
O evento contará com sessão de autógrafos, comidinhas do Café Cultura, chope da Unika e macarons inspirados nas cores da capa do livro.


