“Cartografias das Reexistências” é a primeira individual de Renata Felinto em SC

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Mostra inédita, que reúne obras produzidas entre 2000 e 2021 e tensiona narrativas coloniais e experiências de pessoas negras, abre dia 30 de abril na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis; entrada é gratuita

A primeira exposição individual da artista Renata Felinto em Santa Catarina, “Cartografias das Reexistências”, vai reunir pinturas, fotografias, fotomontagens, vídeos e ações performáticas. A mostra, que propõe um percurso articulado por diferentes séries, materialidades e temporalidades, evidenciando continuidades, deslocamentos e permanências que estruturam a pesquisa da artista, abre às 19h da quinta-feira, 30 de abril, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis.

Com curadoria de Juliana Crispe, a individual apresentará ao público um amplo conjunto de obras que atravessam mais de duas décadas da produção da artista. A mostra se apresenta como uma proposição inédita ao reorganizar trabalhos produzidos entre 2000 e 2021, revelando a complexidade das investigações visuais e conceituais que marcam a trajetória da artista, natural de São Paulo.

Entre os conjuntos que integram a mostra está a série “Re-Existindo”, que reúne obras como “Filhos de Cam”, “Made in Brazil”, “A/C do Pai”, “Em nome de quem” e “Matriarcas”, criadas a partir do álbum fotográfico familiar da artista e que abordam a dimensão de existir novamente, fundamental para compreender os desafios do povo negro na afro-diáspora e seus processos de recriação cultural e humana.

A exposição apresentará também a série “Afro Retratos”, com trabalhos como “Fase Africana – Angolana”, “Muíla” e “Fase Asiática – Chinesa”, nas quais Renata Felinto explora as múltiplas identidades que a constituem, recusando leituras congeladas de africanidade.

Já no projeto “Também Quero Ser Sexy”, que reúne pinturas como “Renata Monroe”, “Renata Basinger” e “Renata Bardot”, além da fotografia e vídeo “White face and blonde hair”, a artista questiona a branquitude enquanto padrão e a naturalização do racismo recreativo. A mostra inclui ainda obras como “Fada Gestante”, “Ori Inu”, “Dias de Luta, Dias de Amar” e a série “Gritem-me Negra!”, com homenagens a Makota Valdina, Raquel Trindade e Tula Pilar.

Renata explica que ao tratar dos regimes coloniais de visibilidade que historicamente produziram estereótipos, silenciamentos e violências sobre o povo negro, especialmente sobre as mulheres negras, “Cartografias das Reexistências” afirma outras possibilidades de existência, espiritualidade, desejo e autoinscrição. As mulheres negras aparecem não como categoria homogênea, mas como corpo coletivo atravessado por múltiplas experiências, memórias e temporalidades.

“Ao reconstruir narrativas e enfrentar silêncios históricos, a exposição propõe a construção de imaginários comprometidos com justiça social e valorização das experiências negras, especialmente as de mulheres/ mulheridades. A mostra se afirma como um dispositivo de educação antirracista, ao produzir deslocamentos nos modos de aprender, ensinar e imaginar as experiências negras”, compartilha a artista.

“Cartografias das Reexistências”, que marca a primeira individual de Renata Felinto na Fundação Cultural Badesc, bem como em Santa Catarina, poderá ser visitada até 18 de junho. A visitação pode ser feita de segunda a sexta, das 13h às 19h e aos sábados, das 10h às 16h, na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis. A entrada é gratuita. Como parte das atividades da exposição, na quarta-feira, 6 de maio, às 19h30, será realizada uma Roda de Conversa com a participação da artista e da curadora.

“Espero que o público seja convocado a um exercício de desaprendizagem do racismo estrutural e epistemológico, permitindo-se atravessar pelas obras e pelas questões que elas colocam”, completa Renata.

Sobre a artista:

Renata Felinto é artista visual, pesquisadora e professora afro-diaspórica. Doutora e mestra em Artes Visuais pela UNESP, bacharel em Artes Plásticas pela mesma instituição, com especialização em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo MAC/USP e formação pedagógica equivalente à licenciatura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral no Center for Africana Studies da University of Pennsylvania – UPenn (2023). É professora da URCA, onde atua na Licenciatura em Artes Visuais e lidera o grupo de pesquisa NZINGA (CNPq). Foi cocuradora artística e do educativo da 15ª Bienal Naïfs do Brasil (SESC), recebendo o Prêmio Miguel Arcanjo de Cultura (2021). Atuou também como curadora adjunta do Instituto Oficina de Cerâmica Francisco Brennand. Como artista, participou de exposições como Histórias Afro-Atlânticas (MASP/Instituto Tomie Ohtake), 12ª Bienal do Mercosul, Enciclopédia Negra (Pinacoteca/MAR), Empowerment (Kunstmuseum Wolfsburg) e Dos Brasis (SESC). Recebeu o Prêmio PIPA, o Prêmio Select de Arte e Educação e o 25º Salão Anapolino de Arte (2020).

Sobre a curadora:

Juliana Crispe é curadora independente, pesquisadora, arte-educadora. Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina. Membra da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte. 

Serviço: “Cartografias das Reexistências”, de Renata Felinto

Abertura: 30 de abril – quinta-feira, às 19h
Local: Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro – Florianópolis/SC)

Visitação: até 18 de junho, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h e aos sábados, das 10h às 16h

Entrada gratuita