Casas subutilizadas ganham nova função como colivings para nômades digitais no Brasil

Nômade DigitalCasas subutilizadas ganham nova função como colivings para nômades digitais no Brasil

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Modelo transforma imóveis de proprietários locais em hospedagens voltadas para estadias longas em destinos como Florianópolis, Rio de Janeiro e, em breve, Pipa


Cle é um fotojornalista viajante que transformou sua casa em um coliving na Barra da Lagoa, em Florianópolis. Foto: Reprodução/Nomadico

Casas que antes permaneciam vazias durante parte do ano estão encontrando um novo uso no Brasil: receber nômades digitais que permanecem semanas ou até meses trabalhando remotamente. O movimento, que já cresce em diversos países, começa a ganhar força no Brasil por meio de um modelo de coliving baseado em parcerias com proprietários locais, sem compra de imóveis ou administração direta das propriedades.

Desde agosto de 2025, a plataforma Nomadico, fundada em 2022, passou a conectar donos de casas em destinos brasileiros a uma comunidade internacional de trabalhadores remotos. A proposta é transformar imóveis subutilizados em colivings voltados para estadias de longa duração, ampliando a ocupação dos imóveis e incentivando que os recursos gerados permaneçam nas economias locais.

Diferentemente de modelos tradicionais de hospedagem ou plataformas de aluguel por temporada, a Nomadico atua como uma vitrine internacional para propriedades que desejam receber nômades digitais. A empresa não compra imóveis nem substitui seus proprietários: estabelece parcerias com donos das casas, muitas delas com baixa ocupação em determinados períodos do ano, para atrair um perfil de viajante interessado em permanecer mais tempo nos destinos.

O objetivo é oferecer uma alternativa tanto aos hotéis quanto aos aluguéis convencionais, combinando espaços privados com áreas compartilhadas e atividades voltadas para a convivência entre moradores temporários e a comunidade local. Como consequência, os hóspedes permanecem por períodos mais longos, consomem no comércio da região, frequentam estabelecimentos locais e estabelecem vínculos com o destino.

Segundo a empresa, o modelo busca se diferenciar do turismo de massa ao priorizar a ocupação de imóveis já existentes, sem retirar moradias do mercado residencial ou incentivar novas aquisições imobiliárias. Em vez disso, aposta na utilização de casas que já pertencem a moradores locais e que permanecem parcialmente ociosas ao longo do ano.

A primeira operação brasileira foi inaugurada em Florianópolis, em agosto de 2025, com três casas na Barra da Lagoa. Em menos de um ano, 67 nômades digitais passaram pelo local.

“Desde o primeiro contato com a Nomadico, senti que fazia todo sentido a parceria. A oportunidade de receber e acolher nômades digitais tornou-se enriquecedora e trouxe uma nova vida também para a comunidade local”, afirma Cleide, proprietária da casa Radda.

Em seguida, a empresa iniciou operações em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Desde janeiro de 2026, 46 nômades digitais escolheram o bairro como base temporária para trabalhar e viver.

“A parceria com a Nomadico trouxe uma nova energia. Depois de tantos anos recebendo turistas de curta estadia, foi uma mudança real hospedar nômades digitais que ficam por mais tempo, trabalham na casa e compartilham uma experiência de comunidade”, afirma Pauline, responsável pela Casa da Gente. Segundo ela, o modelo também aumentou a ocupação do imóvel durante o ano.

Fundada em 2022, a Nomadico já recebeu mais de 1.200 nômades digitais em destinos como Marrocos, Cidade do Cabo, Ericeira e Medellín, mantendo avaliação média de 4,9 estrelas no Google. No Brasil, a proposta segue o mesmo modelo adotado internacionalmente: trabalhar em parceria com hospedagens locais para atrair viajantes que buscam permanecer mais tempo nos destinos.

O próximo destino da rede no país será Pipa (RN), com inauguração prevista para agosto de 2026. A expectativa é ampliar a presença em cidades reconhecidas pela infraestrutura para trabalho remoto e pelo potencial de integração entre visitantes e comunidades locais.