Crianças e adolescentes atendidas por OSCs em Florianópolis vivenciam situações de violência e vulnerabilidade

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ICOM pesquisou como está a saúde mental de trabalhadores de organizações e sua percepção sobre as pessoas atendidas

O Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM) lança nesta sexta-feira, dia 31, o diagnóstico que faz parte do projeto “Quem Cuida de Quem Cuida?”, focado na saúde mental das pessoas que trabalham em Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de Florianópolis e na percepção delas sobre as crianças e adolescentes atendidos.


A pesquisa mostra que, segundo os trabalhadores ouvidos, 82% do público atendido não têm acesso a condições básicas de vida, como moradia, saúde e educação. Além disso, 73% das crianças e adolescentes enfrentam situações de violência no ambiente familiar e 64% no território, mesmo percentual dos que convivem com insegurança alimentar. O trabalho infantil está presente na vida de 27% dos atendidos.


Violência geral e comportamentos agressivos entre os menores são relatados por 95,5% dos trabalhadores das OSCs. Já 59% relatam frequência alta ou constante de violência de gênero contra meninas, 45% observaram casos de racismo e 36% de xenofobia entre as pessoas atendidas.


Para quem cuida das crianças e adolescentes nestas organizações, as dinâmicas familiares conflituosas são o principal fator de sofrimento psíquico (77%), seguidas pela vulnerabilidade social (55%).


“O sofrimento psíquico de crianças e adolescentes está fortemente associado a fatores de violações de direitos e vulnerabilidades estruturais. Esses resultados indicam que o sofrimento em saúde mental não pode ser compreendido apenas como uma questão individual, mas está profundamente relacionado às condições de vida, às relações familiares e às desigualdades sociais que atravessam o cotidiano”, analisam os pesquisadores Jackson Müller e Guilherme Silva.


Eles acrescentam que “os resultados reforçam que a promoção da saúde mental exige respostas intersetoriais que enfrentem não apenas os sintomas, mas também os determinantes sociais que produzem e perpetuam esse sofrimento”.

Sobre o projeto
A saúde mental de quem trabalha na sociedade civil é uma preocupação do ICOM desde sua fundação, há 20 anos. A entidade tem entre suas missões o fortalecimento destas organizações e, para isso, é preciso conhecer a realidade em que atuam. Neste projeto, o ICOM quis ir a fundo na realidade local.


“Hoje, a saúde mental está em pauta e há muitas pesquisas e debates sobre o tema. O que torna este diagnóstico relevante é justamente o recorte que conseguimos construir. Nossa proposta de valor é dar visibilidade às particularidades do campo social em Florianópolis”, explica Mariana de Assis, coordenadora do projeto.


Construído de forma coletiva, o projeto foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2026. Reconhecido pela expertise na realização de diagnósticos sociais, o ICOM pesquisou de maneira presencial e online a saúde mental das pessoas que trabalham na sociedade civil. Foram mais de 30 visitas a OSCs, além de respostas coletadas via formulário online.


O lançamento será em um seminário que também pretende discutir os dados no dia 31 de julho, entre as 8h e 12h, na sede do ICOM na Acate Downtown, em Florianópolis. Podem participar pessoas que atuam em OSCs que atendem crianças e adolescentes em Florianópolis, gestores e técnicos do Sistema Único de Assistência Social (Suas), e representantes de empresas e organizações interessadas na causa da infância e adolescência.


O seminário será dividido em três paineis e tem as presenças confirmadas de Luciana Xavier, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego em Santa Catarina, e Carla Daiane, CEO da Clínica Tríade da Saúde.

Programação
Seminário “Quem Cuida de Quem Cuida? “
Data: 31 de julho
Local: Sede do ICOM (Acate Downtown, Rua Felipe Schmidt, 835, Centro de Florianópolis)
8h: credenciamento
8h45: abertura
9h: Painel 1 – Como estamos hoje? O retrato da saúde mental nas OSCs e do bem-estar de crianças e adolescentes e profissionais, com apresentação do resultado do diagnóstico
10h: Painel 2 –O que já está funcionando? A atualização da NR-1 e práticas institucionais de promoção da saúde mental
11h: Painel 3 – O que precisa mudar? Desafios estruturais, compromissos e caminhos para o futuro
11h40: Encerramento