Para quem corre, nada, pedala ou frequenta a academia, deixar de depender dos óculos pode tornar a prática esportiva mais confortável; fontes explicam indicação e retorno aos treinos
Para quem pratica esportes com frequência, os óculos podem deixar de ser apenas um recurso para enxergar melhor e virar uma limitação: armação escorregando com o suor, lentes embaçadas, desconforto em movimentos intensos e risco de quebra em modalidades de contato. Nesse cenário, a cirurgia refrativa — quando há indicação — pode oferecer mais liberdade em atividades em que o uso de óculos nem sempre é prático.
Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que 42,3% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal já praticam atividade física no tempo livre em nível equivalente a pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa. A rotina esportiva, segundo especialistas, precisa entrar no planejamento da correção visual.
Segundo a oftalmologista Dra. Débora Fardim, conhecer o estilo de vida do paciente é parte da avaliação pré-cirúrgica. “Para quem pratica atividade física regularmente, deixar de depender dos óculos pode fazer bastante diferença. Na corrida, no futebol, na academia ou em esportes aquáticos, há uma liberdade de movimento muito maior. Ao mesmo tempo, precisamos entender qual esporte essa pessoa pratica, com que frequência e quais são as características dos olhos para definir a técnica e orientar corretamente o pós-operatório”, explica.
Entre as técnicas utilizadas estão o LASIK e a PRK, cujas indicações dependem de espessura e formato da córnea, estabilidade do grau, saúde da superfície ocular e hábitos de vida. Em algumas situações, o tipo de esporte influencia a escolha: a PRK, que não cria flap corneano, pode ser considerada em pacientes com maior exposição a traumas oculares, como modalidades de contato.
“Quando falamos em se livrar dos óculos, não estamos falando apenas de estética. Para quem pratica esporte, isso pode mudar bastante a rotina”, afirma Valter Jobim, CEO da Ocular Laser Brasil.
O retorno aos treinos depende da técnica, da recuperação individual e do tipo de atividade. Esportes sem contato costumam permitir retorno mais rápido com liberação médica; modalidades com impacto e atividades aquáticas exigem mais cuidado nas primeiras semanas. “Não existe um prazo único para todo mundo. A volta ao esporte acompanha a recuperação do olho”, orienta a Dra. Débora Fardim.


