Coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas pode comprometer a visão

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No Junho Violeta, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia alerta para o ceratocone, doença que pode avançar na infância e na adolescência

Coçar os olhos é um gesto comum, quase automático. Aparece no fim do dia, durante uma crise alérgica, depois de muitas horas diante das telas ou logo ao acordar. O problema é quando esse hábito se repete com frequência e força, especialmente entre crianças e adolescentes. No Junho Violeta, mês de conscientização sobre o ceratocone, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia chama atenção para uma informação que ainda passa despercebida por muitas famílias: esfregar os olhos continuamente pode favorecer a progressão de alterações na córnea em pessoas predispostas e comprometer a qualidade da visão.

O ceratocone é uma doença progressiva que modifica o formato da córnea, estrutura transparente localizada na parte anterior do olho. Com o avanço do quadro, ela se torna mais fina e irregular, assumindo um formato semelhante ao de um cone. Essa alteração provoca distorções na visão, aumento frequente do grau, astigmatismo irregular, sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar mesmo com óculos.

Segundo informações divulgadas pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, com base em dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, estima-se que o ceratocone afete de 50 a 200 pessoas a cada 100 mil habitantes. No Brasil, cerca de 150 mil pessoas desenvolvem a doença por ano, principalmente entre 10 e 25 anos, faixa etária em que o diagnóstico precoce pode fazer diferença no controle da progressão.

Para o Dr. André Frutuoso, presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, o alerta precisa chegar antes que a doença esteja em fase avançada. “Quando uma criança ou adolescente começa a trocar o grau com muita frequência, aproxima objetos do rosto, reclama de visão embaçada ou continua enxergando mal mesmo com óculos, é preciso investigar. O ceratocone pode evoluir de forma silenciosa, e quanto mais cedo for identificado, maiores são as possibilidades de preservar a visão”, afirma.

Atenção aos sinais e cuidados no dia a dia

A coceira ocular frequente não deve ser tratada como algo sem importância. Muitas vezes, ela está ligada a quadros alérgicos, comuns em crianças e adolescentes. O risco está no hábito de esfregar os olhos com força e de forma repetida, o que pode contribuir para a piora do ceratocone quando a córnea já apresenta maior vulnerabilidade.

“Nem toda pessoa que coça os olhos terá ceratocone, mas o hábito precisa ser observado. A coceira tem causa e deve ser tratada. O mais importante é evitar que o desconforto vire um comportamento repetitivo, principalmente em uma córnea que já pode estar fragilizada”, explica o Dr. André Frutuoso.

Entre os sinais de alerta estão coceira intensa, vermelhidão frequente, sensibilidade à luz, visão embaçada, troca recorrente dos óculos, dificuldade para enxergar de longe e queda no rendimento escolar. Nesses casos, a avaliação com o oftalmologista é essencial.

O diagnóstico do ceratocone depende de exames específicos, como a topografia e a tomografia da córnea, que permitem identificar alterações no formato e na espessura da estrutura. Quando descoberto cedo, o quadro pode ser acompanhado e tratado com mais segurança. Em alguns casos, óculos e lentes especiais ajudam a melhorar a visão. Em outros, procedimentos como o crosslinking podem ser indicados para tentar estabilizar a evolução da doença.

No Junho Violeta, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia reforça que coçar os olhos não deve ser encarado como um simples hábito. Observar os sinais, tratar alergias oculares e manter consultas oftalmológicas regulares são medidas importantes para proteger a visão, especialmente na infância e na adolescência.

“Os olhos não devem ser esfregados como resposta automática ao desconforto. Procurar a causa da coceira e avaliar a córnea é um cuidado simples, mas que pode evitar perdas visuais importantes”, destaca o presidente da SCO.

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