Combustíveis e quarentena levam a deflação em março, mostra índice da Udesc Esag

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A queda no preço dos combustíveis e a redução do consumo com as medidas de controle da pandemia de Covid-19 levaram a uma deflação de -0,07% em março. Os preços dos produtos e serviços consumidos pelas famílias em Florianópolis ficaram praticamente estáveis em média, com leve queda, mesmo com a alta verificada nos preços de alguns alimentos em fim de safra.

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag). O boletim mensal de março foi divulgado nesta quinta-feira, 2. Em 12 meses, o índice acumulado de inflação está em 3,92%.

De acordo com o coordenador do ICV/Udesc Esag, Hercílio Fernandes Neto, a redução do preço dos combustíveis para automóveis foi determinante para a deflação verificada em março. “Se não fossem os combustíveis, a inflação seria positiva em 0,10%”, explica. O produto sozinho, assim, foi responsável por uma queda de 0,17 pontos percentuais no índice geral.

A queda nos preços dos combustíveis reflete uma crise internacional do setor de petróleo detonada em março pela disputa comercial entre dois grandes produtores (Arábia Saudita e Rússia) e pela queda mundial do consumo em razão da quarentena em vários países.

Preços em queda

Além disso, o fechamento parcial do comércio e a quarentena de grande parte da população em casa – resultado das medidas de controle da pandemia – provocaram uma queda generalizada de preços nas últimas duas semanas, percebida no levantamento. “Como as pessoas não estão comprando, o mercado faz com que os preços caiam”, diz Fernandes. 

Mas nem todos os preços caíram. Houve aumento forte em alguns alimentos em fim de safra, como a cebola (33%), tomate (19%) e batata (15%). Em compensação, comer fora de cada ficou mais barato, com queda de -3,68% nos preços dos bares e restaurantes. Considerando todos os itens de alimentação (dentro e fora de casa), houve queda de -0,24%.

Também houve redução dos preços dos artigos de vestuário (-0,73%), serviços de transportes (-0,24%), saúde e cuidados pessoais (-1,15%) e despesas pessoais (-0,19%). Por outro lado, subiram em média os preços dos artigos de residência (1,16%) e dos serviços relacionados à habitação (0,80%), educação (0,11%) e comunicação (0,46%).

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 31 de março.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag), na atualização das ferramentas utilizadas.

Mais informações podem ser obtidas em udesc.br/esag/custodevida, onde é possível consultar os boletins mensais (desde 2010) e as séries históricas (desde junho de 1994) do ICV/Udesc Esag.