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sábado, setembro 25, 2021
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Comissão da Verdade ouve presos catarinense de três períodos da Ditadura Militar

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Comissão da Verdade ouve presos catarinense de três períodos da Ditadura Militar

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A Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright ouviu nesta segunda-feira, 14, o depoimento de catarinenses que foram presos em três períodos diferentes do Regime Militar (1964-1985): o golpe de 1964, o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1968 e a Novembrada, ocorrida em 1979. Ao todo, das 16 pessoas convidadas para depor, 14 compareceram. As informações são da Agência Alesc.

Um dos depoentes foi o deputado estadual Edison Andrino (PMDB). Ele era estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e foi preso durante o congresso da UNE de 1968, realizado na cidade de Ibiúna, no interior do estado de São Paulo. À época, a UNE estava na clandestinidade e o congresso foi realizado de forma secreta.

Andrino conta que permaneceu uma semana preso no Presídio Tiradentes, na capital paulista. Ele não chegou a ser torturado, mas afirmou que a cela onde ficou estava superlotada e em condições precárias. Ao retornar a Florianópolis, foi fichado pelos órgãos de repressão e proibido de arrumar emprego. O deputado foi preso preventivamente em outras três ocasiões.

Outro depoente, Valdir Izidoro Silveira, foi preso em março de 1964 e permaneceu por 45 dias no Dops em Florianópolis. Além de ser ligado ao movimento estudantil, Silveira era do Partido Comunista Brasileiro. Ele contou que não sofreu tortura física nessa primeira prisão. 

Silveira ainda foi preso em outras duas ocasiões: em 1970, em Porto Alegre, e em 1975, no Paraná. Na primeira, foram quase sete meses de prisão, além de uma sessão de tortura, que só não foi pior devido à intervenção de uma namorada. 

Roberto Maciel Cascaes, outro depoente desta tarde, tinha 18 anos quando foi preso, em janeiro de 1969. Ele era ligado ao movimento estudantil secundarista e foi detido quando saía de casa. Levado para o Dops de Florianópolis, foi torturado por quase oito horas.

A Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright foi criada em Santa Catarina, por meio de decreto do governador Raimundo Colombo (PSD), em março deste ano. Um projeto de autoria do Poder Executivo, em tramitação na Assembleia, transforma a criação da comissão em lei e dá mais poderes para o colegiado.

O grupo examina violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar e auxiliar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A comissão é formada por representantes do Tribunal de Justiça (TJSC), da Procuradoria-Geral do Estado, OAB, Assembleia Legislativa, e do Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça.
 

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