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segunda-feira, outubro 18, 2021
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Especialista do HU-UFSC aponta medidas que podem ajudar no combate à trombose

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Especialista do HU-UFSC aponta medidas que podem ajudar no combate à trombose

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anter hábitos saudáveis, estar atento aos sinais do corpo, evitar situações de estresse e adoção de medidas de prevenção são algumas das atitudes que podem ser tomadas por todos os cidadãos e por profissionais de saúde para combater e prevenir a trombose. As dicas foram apontadas pelo cirurgião vascular Gilberto do Nascimento Galego, chefe da Unidade do Sistema Cardiovascular do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/Ebserh), que falou sobre o tema por ocasião do Dia Mundial da Trombose, 13 de outubro.

A data tem como principais objetivos aumentar a conscientização sobre a doença, reduzir o número de casos não diagnosticados, incrementar medidas para prevenção baseada em evidências, incentivar sistemas de cuidados de saúde de forma a criar estratégias para garantir “melhores práticas” para a prevenção, diagnóstico e tratamento e incrementar os recursos adequados para estas ações e o apoio à pesquisa para reduzir a carga da doença trombótica.

Galego explicou que a trombose é a formação de um coágulo no interior de um vaso que pode ser uma artéria ou uma veia e isso vai orientar sobre o tipo de trombose, os fatores de risco, a dimensão do problema e as possibilidades de tratamento. “No caso de uma artéria, temos uma trombose arterial e no caso de uma veia, trombose venosa. Quando for uma veia mais calibrosa ou profunda, chamamos de Trombose Venosa Profunda”, explicou o médico.

Segundo ele, a trombose arterial, que acomete os vasos que levam o sangue para todo o corpo, atinge principalmente pessoas com mais idade, além de estar associada a fatores de risco bem conhecidos, como o fumo, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, sedentarismo e obesidade, além de histórico familiar.

Ele explicou que, dependendo da área atingida, o paciente pode apresentar um quadro de isquemia. “Pode ser uma isquemia cerebral, quando acomete as carótidas, pode ser um infarto do miocárdio, quando acomete as coronárias, pode ser uma isquemia do intestino, quando atinge as artérias viscerais, ou ainda nos membros – braços e pernas – quando acontece nas artérias desses locais”, detalhou.

Já a Trombose Venosa Profunda pode acontecer em pessoas em idade mais precoce e pode ter relação com algumas doenças neoplásicas; em casos de pessoas em pós-operatório (quando o paciente fica muito tempo internado sem se movimentar) e até em casos de períodos de grande imobilidade, como viagens intercontinentais ou engessamento de membros por fraturas, por exemplo. “Há, ainda, casos relacionados ao uso de anticoncepcionais e, atualmente, temos também casos associados à Covid-19”, acrescentou.

Sempre ressaltando a diferença entre trombose arterial e trombose venosa, Galego explicou que os sintomas no caso da trombose arterial variam de acordo com o território do corpo que foi acometido. “Se o paciente tiver uma isquemia cerebral, poderá apresentar sintomas de um Acidente Vascular Cerebral, como desmaio, perda de movimento em algum membro, perda de visão, dificuldade de fala, por exemplo. Se for no miocárdio, vai ter dor precordial; se for uma isquemia no intestino, vai apresentar dor abdominal”, explicou.

No caso da Trombose Venosa Profunda, que acomete preferencialmente os membros inferiores, o principal sintoma é um edema, inchaço ou aparecimento súbito geralmente em um dos membros, associado aos fatores de risco (por exemplo: internação sem movimentação, doença neoplásica, viagens longas, imobilização).

Conforme ele, todos os médicos devem estar preparados para identificar casos de trombose, pois quanto mais precoce o diagnóstico e mais rápida a decisão terapêutica, melhor será o resultado. “Claro que uma vez identificada a trombose, o ideal é que seja encaminhado para um especialista: ou um cirurgião vascular, ou um cardiologista, hematologista ou neurologista, dependendo do quadro do paciente e do território atingido”.

No caso da trombose arterial, o tratamento depende da gravidade, sendo que muitas vezes é necessária uma abordagem intervencionista, como uma cirurgia de ponte de safena, uma cirurgia endovascular, como angioplastia ou colocação de stent. No caso da Trombose Venosa Profunda, na imensa maioria dos casos, o médico recorre a anticoagulantes, como heparina, varfarina ou os novos anticoagulantes orais conhecidos como DOAC.

“Logicamente o ideal é a prevenção. Em relação à trombose arterial, nós já ouvimos muitas vezes falar que é importante a atividade física regular, o controle da pressão arterial, evitar estresse, não fumar, etc. No caso da Trombose Venosa Profunda, também é importante manter hábitos saudáveis, mas, além disso, é preciso evitar situações que possam induzir à formação deste coágulo”, disse o médico, citando como exemplo evitar ficar muito tempo deitado ou parado, procurar se movimentar durante viagens intercontinentais, ficar hidratado, usar roupas confortáveis. “Se estiver internado, o corpo clínico deve promover a deambulação ou usar medicamentos profiláticos”, avisou.

Galego disse que no caso da doença arterial o tratamento não é curativo. “O cirurgião vascular atua com o objetivo de resolver aquele problema pontual, mas é muito importante que o paciente mantenha os cuidados para que a doença não progrida ou não aconteça uma recidiva (um reaparecimento)”, explicou.

Já no caso da Trombose Venosa Profunda, o tratamento é feito com os anticoagulantes ministrados no período de três a seis meses, sendo que o reaparecimento vai depender muito da causa desta trombose. “Se a causa for o uso de contraceptivo, uma vez que se evita este medicamento, provavelmente não haverá recidiva. Já no caso de uma doença neoplásica, se esta se mantém em atividade, por vezes mantemos o anticoagulante para reduzir a chance de reaparecimento da doença”, disse o especialista, reforçando que todo tratamento leva em conta as consequências do uso do medicamento e os benefícios que o paciente terá.

Legenda: Gilberto do Nascimento Galego cirurgião vascular do HU-UFSC/Ebserh. Foto: Sinval Paulino.

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