Florianópolis, 27 janeiro 2026

Feriados prolongados estão mudando a forma de viajar — e de trabalhar

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Feriados prolongados mudam a forma de viajar: hotéis viram escritório temporário para quem trabalha remoto

Brasileiros antecipam chegadas, estendem estadias e transformam datas estratégicas do calendário em jornadas que misturam produtividade e descanso

Chegar antes do feriado, trabalhar dois dias do hotel e só depois entrar no clima de descanso tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre brasileiros que atuam em regime remoto ou híbrido. A prática, conhecida como bleisure — união de trabalho e lazer — deixou de ser tendência para se consolidar como um novo padrão de comportamento, especialmente em feriados prolongados e pontos facultativos.

Impulsionado pela flexibilidade do home office, esse modelo vem transformando a relação das pessoas com o tempo livre, a produtividade e até com a hotelaria urbana, que passa a funcionar como uma extensão do escritório — e não apenas como local de passagem.

Misturar trabalho e lazer durante uma mesma viagem já faz parte da rotina de executivos, empreendedores e profissionais de áreas diversas. Uma pesquisa do setor de viagens divulgada em 2025 aponta que 60% dos executivos estendem viagens de trabalho para incluir momentos de lazer, confirmando que o bleisure se tornou um hábito consolidado. O estudo também projeta crescimento consistente desse mercado até 2032.

Segundo Adriano Palma, CEO do Faial Prime Suites, em Florianópolis, o comportamento dos hóspedes mudou de forma estrutural.

“O feriado deixou de ser visto apenas como uma pausa total. Muitas pessoas usam esse período para manter a produtividade em um ambiente diferente, mais confortável, e só depois desacelerar”, afirma.

Chegar antes e sair depois virou o novo normal

Nos feriados nacionais e pontos facultativos, cresce o número de hóspedes que fogem do padrão tradicional de check-in e check-out. No Faial Prime Suites, é cada vez mais comum a antecipação da chegada ou a extensão da estadia após o feriado.

“São hóspedes que trabalham um ou dois dias diretamente do hotel, participam de reuniões online, cumprem a agenda profissional e, em seguida, aproveitam o descanso”, explica Palma.

Uma mudança que impacta o turismo urbano

O movimento observado na prática acompanha análises globais do setor. De acordo com o Travel Industry Monitor 2024, da Tourism Economics, a integração entre viagens de negócios e lazer é hoje considerada uma das principais oportunidades de crescimento do turismo mundial.

O relatório destaca ainda que esses viajantes permanecem mais tempo nos destinos e gastam mais por viagem, impulsionando especialmente a hotelaria em regiões centrais e urbanas.

“O hotel deixa de ser apenas um local de hospedagem e passa a fazer parte da rotina profissional do hóspede”, avalia Jefferson Carminatti, gerente do Faial Prime Suites.

Calendário brasileiro favorece o trabalho fora de casa

No Brasil, a concentração de feriados e pontos facultativos ao longo do ano cria janelas ideais para esse modelo híbrido. Datas como Carnaval, Páscoa, Tiradentes, Dia do Trabalhador, Corpus Christi e feriados do segundo semestre estimulam decisões mais flexíveis.

“O viajante percebe que pode trabalhar de qualquer lugar e passa a planejar a estadia de forma estratégica”, diz Carminatti.

Em 2026, a combinação dessas datas amplia ainda mais as oportunidades para viagens que unem trabalho e descanso, reforçando a consolidação do bleisure no país.