Florianópolis, 20 de julho de 2024

Inteligência artificial será usada para tirar dúvidas sobre Plano Diretor de Florianópolis

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Ferramenta será lançada em evento nacional de arquitetura e urbanismo

A Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura de Santa Catarina (AsBEA-SC) lançará na próxima semana o “Chat Plano Diretor Florianópolis”, um chatbot de inteligência artificial com informações técnicas e instrutivas sobre o Plano Diretor de Florianópolis. A ferramenta será apresentada em primeira mão durante a 50ª Convenção Nacional AsBEA, que acontece de 19 a 22 de junho em Florianópolis.

A iniciativa foi um desejo do presidente da AsBEA-SC, arquiteto Ronaldo Martins, sempre atento às inovações na área da construção civil e arquitetura. Ele fez contato iniciais com a empresa responsável, a OSPA Place, que veio a ser contratada para o desenvolvimento da ferramenta. “A vontade de implementar uma inteligência artificial surgiu da necessidade de dar suporte à principal demanda dos arquitetos de Florianópolis, que enfrentam dificuldades de acesso a respostas rápidas da prefeitura e alta demanda de dúvidas e insegurança jurídica em nossos escritórios”, afirma Ronaldo Martins.

O Chat, encomendado através do Grupo de Trabalho em Legislação da AsBEA-SC, coordenado pelo arquiteto Allan Chierighini, auxiliará os usuários na geração de análises da lei e elaboração de projetos. “A complexidade do Plano Diretor de Florianópolis é notável, com 50% da ilha constituída por Áreas de Preservação Permanente (APP) e os outros 50% divididos entre áreas públicas urbanas e demais zoneamentos, alguns dos quais são passíveis de construção. O chat servirá como uma iniciativa para incorporar tecnologia nas análises, facilitando o dia a dia dos associados”, argumenta Allan. A ferramenta estará disponível inicialmente aos escritórios de arquitetura associados à AsBEA-SC, responsáveis pelo desenvolvimento de projetos de grande porte na cidade. Após ser testado pelos associados, a expectativa é que o Chat Plano Diretor Florianópolis esteja disponível para a comunidade em geral, com o potencial de despertar o interesse de outras regiões do estado.

Informação e tecnologia

Desenvolvida com uma das inteligências artificiais mais avançadas do momento, o GPT-4 da OpenAI, a plataforma foi alimentada com a Lei do Plano Diretor 739/2023 e seus 11 anexos, 19 documentos adicionais, 3 instruções normativas, 10 cartilhas e 2 leis complementares. O Chat oferecerá a análise lógica e racional dos entendimentos presentes na Lei e nas diversas documentações que a regulamentam.

“Treinamos o sistema para entender e responder questões detalhadas sobre termos e conceitos arquitetônicos”, explica a arquiteta Flávia Tissot, diretora de operações da OSPA Place. Segundo ela, a equipe de programadores responsável pelo desenvolvimento da plataforma foi composta por profissionais da arquitetura e urbanismo, que compreendem as necessidades de profissionais da área. Arquitetos vinculados à AsBEA-SC dedicaram-se na elaboração, revisão e testes do conteúdo. “Essa experiência foi fundamental para o desenvolvimento do sistema, para que ele realmente atendesse às demandas e dores dos profissionais da arquitetura”, complementa.

Durante a Convenção Nacional AsBEA, Flávia apresentará todas as funcionalidades da plataforma no painel ‘Inteligência Artificial’, na sexta-feira, 21. Haverá um computador no local com a ferramenta aberta para testagem dos participantes da Convenção. Para ela, o uso de inteligência artificial na arquitetura e no urbanismo é relevante para otimizar o tempo dos profissionais. “Esse projeto vai ajudar a reduzir o tempo gasto em atividades operacionais e permitir que os arquitetos se concentrem no que fazem de melhor: criar projetos arquitetônicos inovadores e de qualidade”, reforça.

Haverá também a oportunidade de utilizar análise legal de projetos por IA para corrigir inconsistências antes de submetê-los à prefeitura. Contudo, esta tecnologia complementar ao chat dependerá de próximos passos, além da aceitação e demanda dos escritórios associados, não associados e profissionais liberais. As tecnologias complementares poderão ainda trabalhar na realização de estudos volumétricos automatizados, trazendo viabilidades construtivas em estudos tridimensionais.