Mostra CurtaDoc amplia o acesso ao cinema e à educação no interior de Santa Catarina

VariedadesMostra CurtaDoc amplia o acesso ao cinema e à educação no interior...

Casa dos Açores Museu Etnográfico, em Biguaçu, fecha para reforma estrutural e deve reabrir no primeiro semestre de 2027

Casarão administrado pela FCC fecha a partir desta quarta (4) para obras elétricas, hidráulicas, de telhado e de acessibilidade; oficinas e pesquisa seguem no espaço.

Festival Tambores do Axé leva “Uma Noite de Magia” a Biguaçu no dia 14 de novembro e abre o centenário de Mãe Hilca D’Iansã

Edição do festival reúne sete atrações no Centro de Eventos Fenix, sábado (14), às 21h, com arrecadação de alimentos para a Escola Pan-Africana Olodum Sul.

Villa Francioni abre a série Uvas e Vinhedos, que estreia nesta quarta-feira no canal Modo Viagem, da Globoplay

Vinícola pioneira em vinhos de altitude em Santa Catarina está entre as apresentadas pelo programa, que estreia às 20h30 desta quarta (4) no canal Modo Viagem.

Parque do Morro da Cruz ganha plano de manejo, com nove zonas e quase metade da área fechada à visitação

O Parque do Morro da Cruz, em Florianópolis, ganhou plano de manejo: nove zonas, 49,45% da área sem visitação e regras para o entorno. Veja o que muda.

Compartilhe

A Mostra CurtaDoc – Cinema Documentário na Educação concluiu sua edição 2025 mobilizando 650 pessoas, entre estudantes, educadores, famílias e comunidade, nos dias 4, 5, 11, 13 e 14 de novembro. Idealizada pela Contraponto, produtora audiovisual de Florianópolis com mais de 20 anos de trajetória, a Mostra nasceu para fortalecer o acesso ao cinema brasileiro no interior de Santa Catarina, promover debates e estimular a formação de plateia.

A programação reuniu sessões gratuitas, debates, oficinas e o Seminário EducaDoc, realizado em parceria com o NICA – Núcleo Infância, Comunicação, Cultura e Arte/UFSC, envolvendo escolas e instituições de São Pedro de Alcântara, Águas Mornas, Santo Amaro da Imperatriz, Antônio Carlos e Florianópolis.

Formação docente e cinema como ferramenta pedagógica

O Seminário EducaDoc abriu a Mostra com dois dias de atividades conduzidas por Gilka Girardello, Monica Fantin e José Douglas Alves dos Santos, que dialogaram com educadoras e educadores sobre percepção, alteridade, infância e cinema como linguagem para educar o olhar.

Logo no início da programação, Monica Fantin, coordenadora do NICA/UFSC, destacou o papel da Mostra para democratizar o acesso à cultura:

“A Mostra está democratizando o acesso, trazendo outras formas de mediação e alimentando o desejo de conhecer e de trabalhar com o cinema. É um projeto lindo porque sai para outros espaços, busca outras experiências e outras formas de educação. Como dizia Franklin Cascais: ninguém ama o que não conhece. É preciso conhecer, apropriar-se da cultura e da arte que está sendo produzida — e talvez daqui surjam futuros criadores, futuros cineastas.”

Na mesma linha, Gilka Girardello, também coordenadora do NICA/UFSC, ressaltou o impacto da iniciativa:

“Fico muito emocionada ao ver esse projeto, que traz arte, cinema, cultura e memória para professoras e professores, especialmente de uma região que não tem tanto acesso quanto temos na capital.”

As atividades incluíram exercícios de escuta sensível, observação silenciosa e criação de sinopses, estimulando a imaginação e o olhar educativo.

Encerrando o seminário, José Douglas Alves dos Santos, doutor em Educação e estudioso do cinema, destacou a dimensão afetiva da experiência:

“O que me move, enquanto amante da sétima arte, é perceber a beleza dos filmes e o conhecimento que eles trazem — e depois reencontrá-los no olhar dos professores. Quando vejo no outro aquilo que o cinema me faz sentir, compreendo ainda mais a potência dessa linguagem.”

Itinerâncias e ações formativas pelo interior

A Mostra percorreu quatro municípios com sessões comentadas, debates e escuta ativa:

  • Águas Mornas – 70 estudantes da EEB Coronel Antônio Lehmkuhl, com apoio da Prefeitura Municipal.
  • Santo Amaro da Imperatriz – 150 estudantes da EBM Professora Lourdes Garcia, em duas sessões com temas de juventude, diversidade e meio ambiente.
  • Antônio Carlos – 120 estudantes da EEB Altamiro Guimarães, em sessão no auditório da Prefeitura, que também abriga o cineclube Cinextasia.
  • São Pedro de Alcântara – Escolas – 140 estudantes da EBM Adalberto Tolentino de Carvalho, em duas sessões no pátio da escola.

Ações com a comunidade de São Pedro de Alcântara

Além das escolas, a Mostra desenvolveu encontros especialmente dedicados à comunidade:

  • Grupo de Mães –cerca de 30 pessoas participaram da sessão no Teatrinho da Igreja, com filmes sobre memória, cultura popular e cotidiano, despertando risos e lembranças afetivas.
  • Grupo de Idosos – cerca de 60 participantes assistiram a filmes sobre trabalho, legado e vida no campo, acompanhados de depoimentos emocionados sobre infância, colheitas e histórias de vida.

Sessão acessível em Florianópolis

No dia 11 de novembro, a Mostra realizou uma sessão acessível na ACIC – Associação Catarinense para Integração do Cego, com cerca de 40 participantes. A audiodescrição ao vivo, conduzida por Carla Azevedo e José Carlos Rodrigues, emocionou o público e reforçou a importância da acessibilidade no audiovisual.

Premiação e encerramento

A cerimônia de encerramento, realizada em 14 de novembro, no Teatrinho da Igreja, reuniu público, artistas e realizadores — com apresentação musical do duo Ecos da Grota.

  • Melhor Curta – Júri Oficial

Guia – Tarcísio Ferreira (AL, 2024)

  • Melhor Curta – Júri Popular

Só Rezando – Projeto Animação / Instituto Marlin Azul (RN/ES, 2023)

  • Menção Honrosa – Júri Oficial

Cabeça de Fogo – Lidiana Reis (GO, 2024)

Encerrando a Mostra, as proponentes reforçaram o propósito do projeto:

“A Mostra CurtaDoc reafirma o cinema como um espaço de encontro. Ver estudantes, mães, idosos e professores compartilhando olhares e memórias nos lembra do poder transformador do documentário,” afirmou a coordenadora e idealizadora Kátia Klock.

“Levar filmes brasileiros ao interior é fortalecer identidade, pertencimento e pensamento crítico. O cinema amplia horizontes e nutre novas formas de ver o mundo”, completou a coordenadora e idealizadora Lícia Brancher.

Realização

Projeto da Contraponto, realizado com recursos do Prêmio Catarinense de Cinema – Edição Especial Lei Paulo Gustavo/2023, com apoio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), Governo do Estado de Santa Catarina, Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Mais informações:

www.instagram.com/mostracurtadoc