No Outubro Rosa, a mamografia é o exame mais lembrado, mas o diagnóstico por imagem das mamas reúne mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética e tomossíntese, cada uma com uma função. Segundo a médica radiologista Cristina Barreto, especialista em Imagem da Mulher, mais exames não significam necessariamente mais proteção: o que importa é a mulher fazer o exame adequado para a sua situação.
“Cada método responde a uma pergunta diferente”, explica a radiologista. É essa jornada, que começa antes do diagnóstico e segue ao longo do acompanhamento, que a história de Gisele Toledo ajuda a contar: ela teve câncer de mama aos 33 anos, pouco depois do nascimento do primeiro filho, e voltou a engravidar meses após terminar a radioterapia.
Qual exame de imagem é indicado para investigar as mamas?
A mamografia segue como o principal exame de rastreamento do câncer de mama e ajuda a identificar microcalcificações e distorções da arquitetura mamária. A ultrassonografia entra como exame complementar, por exemplo para diferenciar nódulos sólidos de cistos e avaliar áreas específicas, sobretudo em mamas densas. A ressonância magnética tem alta sensibilidade e é indicada principalmente para mulheres de alto risco ou em situações diagnósticas específicas.
A escolha leva em conta idade, sintomas, densidade mamária, histórico familiar, risco individual e resultados de exames anteriores. Pedir tudo de uma vez não é o caminho, alerta a especialista.
“Solicitar todos os exames indiscriminadamente aumenta a possibilidade de falsos positivos, controles desnecessários, biópsias de alterações benignas, ansiedade, custos e exposição a contraste ou radiação sem benefício comprovado”, destaca Cristina Barreto.
O que acontece quando o exame encontra uma alteração?
Quando uma alteração aparece, o primeiro passo é caracterizar o achado e compará-lo com exames anteriores. Dependendo do caso, podem ser pedidas novas incidências mamográficas, tomossíntese, ultrassonografia direcionada ou, em situações específicas, ressonância magnética. A avaliação segue o sistema BI-RADS, que classifica os achados pelo grau de suspeição e orienta a conduta.
Alterações benignas podem voltar ao rastreamento habitual; achados provavelmente benignos podem exigir acompanhamento em intervalo mais curto; e alterações suspeitas ou altamente suspeitas podem indicar biópsia.
“Se a biópsia for necessária, ela deve ser guiada pelo método que melhor demonstra a alteração, ultrassonografia, mamografia/tomossíntese ou ressonância magnética”, explica a radiologista.
Ela lembra que a investigação não termina com a coleta do material: é preciso verificar se o resultado anatomopatológico é concordante com o que foi observado nas imagens.
Tecnologia e inteligência artificial no diagnóstico
De acordo com Cristina Barreto, a mamografia digital melhorou a qualidade das imagens, e a tomossíntese reduziu o efeito de sobreposição dos tecidos, permitindo ver com mais detalhe pequenas distorções e nódulos. A ultrassonografia de alta resolução e os métodos contrastados também avançaram, enquanto a ressonância segue como recurso importante em situações específicas.
A inteligência artificial começa a entrar nesse cenário como ferramenta de apoio à detecção e à leitura dos exames, ainda com estudos em andamento para validar melhor os resultados. “A tecnologia melhora a capacidade de enxergar, mas a indicação correta, a interpretação especializada e a correlação entre os diferentes exames continuam sendo decisivas”, afirma.
Gisele Toledo: um exame que virou parte da vida
Hoje com 48 anos, Gisele Toledo percebeu um caroço na mama durante o banho aos 33, pouco tempo depois de dar à luz o primeiro filho. A investigação levou ao diagnóstico de câncer numa fase que deveria ser marcada pela chegada da maternidade. O filho, então com seis meses, virou uma das principais motivações para enfrentar o tratamento.
Quinze anos depois do diagnóstico, os exames fazem parte da rotina dela. “Amo fazer meus exames, pois é o que me traz tranquilidade de entender que posso continuar caminhando por essa rota”, conta.
A história ganhou um capítulo que, segundo Gisele, surpreendeu até os médicos. Poucos meses depois de concluir a radioterapia, ela descobriu que estava grávida de novo. “Foi um susto, pois os médicos diziam que eu poderia estar estéril, mas poucos meses após a radioterapia estava grávida”, relata. A filha tem hoje 13 anos.
“Olho para a minha vida com mais leveza, tranquilidade e respeito. Estamos vivas! O câncer não me deu uma nova vida. Ele me ensinou a olhar de um jeito novo para a vida que eu já tinha”, diz Gisele.
O De Olho na Ilha tem acompanhado o Outubro Rosa em Florianópolis: leia sobre como o diagnóstico precoce e os avanços mudam o tratamento do câncer de mama, sobre a estimativa de 400 novos casos na Capital em 2026 e a autoestima na jornada do tratamento e sobre a pesquisa clínica contra o câncer em Santa Catarina.
Em resumo
- A mamografia é o principal exame de rastreamento; ultrassonografia e ressonância magnética complementam conforme o caso.
- Segundo a radiologista Cristina Barreto, pedir todos os exames sem indicação aumenta falsos positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e custos.
- Achados são classificados pelo sistema BI-RADS, que define se a mulher segue no rastreamento, faz controle mais curto ou biópsia.
- Tomossíntese, ultrassom de alta resolução e inteligência artificial ampliam a detecção, mas a interpretação especializada segue decisiva.
- Gisele Toledo teve câncer de mama aos 33 anos, após o primeiro filho, e engravidou de novo meses depois da radioterapia.
Fonte: Fábrica de Comunicação, com informações da radiologista Cristina Barreto.



