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quinta-feira, julho 7, 2022
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Ponteiras podem comprometer aqüífero

Ponteiras podem comprometer aqüífero

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Segundo estudos existem trechos, onde já houve salinização da água, tornando-a imprópria para consumo.

A aproximação da temporada de verão, que costuma trazer enorme aumento da demanda de água e ocasionar problemas no abastecimento do norte da Ilha, chama a atenção para a crescente preocupação da comunidade com a situação do Aqüífero de Ingleses. A professora mestre em Geografia da rede municipal de ensino, Eliane de Fátima Ferreira Amaral Westarb, que realizou um estudo sobre o aqüífero, alerta que já existem diversos trechos em que ocorreu a invasão da água do mar no lençol freático, o que provoca salinização e o torna impróprio para consumo. Isso ocorre devido à retirada excessiva de água por parte das ponteiras colocadas por moradores, que dificultam a recomposição do aqüífero, que depende totalmente da chuva para recuperar seu volume. “Desde que fiz o estudo, em 2002, o que se vê é uma situação pior ainda, com a população da região crescendo cada vez mais e fazendo mais ponteiras”, avisa a professora. Embora esse seja um processo lento, ela considera que há o risco concreto de salinização de todo o aqüífero.

O outro problema grave enfrentado pelo lençol freático da região é a contaminação por coliformes fecais, causada pelas fossas sépticas colocadas por moradores. A professora conta que, mesmo que as fossas sejam feitas de forma totalmente correta, elas precisam estar no mínimo a dois metros acima do lençol freático, o que se torna impossível durante os períodos de chuva intensa, principalmente nas regiões de topografia mais baixa, como no Sítio do Capivari. Para piorar essa situação, acrescenta Westarb, muitas pessoas colocam fossas irregulares e não há fiscalização. “As pessoas fazem isso porque não há coleta e tratamento de esgoto na região, isto é, existe um sistema mas não está funcionando”, avalia. A professora diz que ainda não é possível falar em contaminação grave, pois isso seria notado através da ocorrência de problemas de saúde como diarréia, no curto prazo, e problemas como gastroenterite e cianose, no longo prazo, mas que esse risco existe diante do quadro atual.

O presidente do Conselho Comunitário de Ingleses, Márcio Porto, revela que têm sido feitas audiências públicas para discutir essa questão. Uma das principais reivindicações da comunidade é de realizar ações para obter a proteção das fossas sépticas, seguindo as regras estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. “Vínhamos discutindo isso com o Ministério Público Estadual com apoio do promotor Abreu Filho, mas ele saiu e desde então a questão não avançou mais”, lamenta Porto. Outro problema que, segundo ele, contribuiu para piorar a situação da demanda de água foi a da Praia Brava, que foi concebida como um balneário com sistema privado autosustentável de abastecimento, mas entrou em colapso e obteve na Justiça o direito de utilizar o fornecimento do aqüífero. Ele alerta ainda para a o crescimento das construções de grande porte realizadas pelo setor empresarial, como condomínios. “É preciso haver um controle sobre o quanto as ponteiras retiram do solo, a água do Aqüifero de Ingleses ainda é considerada de excelente qualidade, por isso é preciso preserva-la”, alerta.

Por Alexandre Winck

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