Decoração do Carnaval 2009 homenageia Carmen Miranda

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O Brasil celebra nesta segunda-feira (9/02), o centenário de nascimento de uma das artistas que mais divulgou a cultura brasileira pelo mundo. Com seu jeito irreverente de cantar e se vestir, Carmen Miranda ganhou o apelido
de “Pequena Notável” e ditou moda com seus balangandãs, braceletes, turbante com frutas, brincos grandes e salto alto, não apenas entre as mulheres, como também entre os gays, que até hoje a consideram uma musa inspiradora.* Para reverenciar a cantora, a decoração de rua do Carnaval da Magia 2009 tem como tema “100 Anos de Carmen Miranda”. Os painéis com figuras coloridas imitando o estilo da artista já estão ganhando as ruas de Florianópolis para criar o clima da Festa de Momo. A criação é do artista plástico Carlos Alberto Schneider.

Ao todo serão decorados 20 arcos metálicos distribuídos pelo calçadão das ruas Felipe Schmidt e Deodoro, além do Largo da Alfândega, entorno da Praça XV de Novembro e Praça Tancredo Neves. Na parte central de cada arco uma
figura esculpida em PVC prensado, em dupla-face, vai representar o rosto de Carmen Miranda com os tradicionais adereços de cabeça. Nas laterais dos pórticos serão colocados arabescos feitos com sucata de lantejoula.

Na avenida Beira-mar Norte, no trecho entre a ponte Hercílio Luz e o Elevado do CIC a decoração será intercalada em 30 postes, totalizando 90 peças decorativas, no formato de máscaras carnavalescas, confeccionadas em
dupla-face e que terão como novidade contornos em corda luminosa. “O conjunto vai dar um efeito muito bonito à noite”, garante o artista plástico Carlos Alberto Schneider, idealizador do projeto e responsável pelos trabalhos.

Segundo ele, a confecção das peças vai consumir cerca de 400 quilos de sucata de lantejoula de diversas cores, 300 quilos de cola, 80 chapas de MDF e 700 plumas, que vão adornar os arranjos da cabeça das figuras que imitam o rosto da cantora. Além de colares, brincos, maquiagem forte, as alegorias trazem frutas, turbante com flores e uma arara, que é o símbolo da Amazônia e das matas brasileiras. Dezoito pessoas integram a equipe de confecção,
montagem e instalação das peças.

*Carmen Miranda*

Nascida em Portugal, Maria do Carmo Miranda da Cunha veio para o Brasil com um ano de idade. Filha de um barbeiro e de uma dona de pensão, a jovem não concluiu os estudos porque desde cedo teve que trabalhar para ajudar a
família. Começou vendendo gravatas e depois conseguiu emprego como balconista de uma loja de chapéus, onde aprendeu a elaborar os adornos de cabeça. O nome Carmen foi dado por um tio que a achava exuberante como a
personagem da ópera de Bizet.

Aos 19 anos, Carmen Miranda foi descoberta pelo compositor e violonista Josué de Barros que, encantado pelo seu talento, passou a promovê-la. Incentivou-a a gravar três discos, porém sem grande repercussão. O sucesso
só veio em 1930, quando gravou a música de Jobert de Carvalho “Pra Você Gostar de Mim”, que ficou conhecida como “Taí”. O disco vendeu 35 mil cópias em apenas um mês, batendo todos os recordes da época.

Com o sucesso no Brasil, e sendo apontada como uma das maiores cantoras brasileiras, Carmen Miranda passou a investir na carreira internacional. Fez shows na Argentina e Uruguai, mas foi nos Estados Unidos que obteve grande
sucesso e reconhecimento, e onde ficou conhecida como “Brazilian Bombshell”. Com balangandãs, pulseiras, colares, brincos, turbante na cabeça e pernas à mostra, Carmen Miranda construiu um jeito próprio de se expressar,
encarnando um personagem brejeiro, que através das mãos, do sorriso e do olhar, conseguiu conquistar o público americano mesmo que ele não entendesse uma palavra sequer das músicas que ela cantava.

Tal foi o seu sucesso que chegou a ser a mulher mais rica dos EUA. Carmen atuou em 13 filmes em Holywood e nos mais importantes programas de rádio e televisão, além de fazer sucesso em cassinos e teatros nos Estados Unidos,
bem como no Brasil quando esteve no país. Entre as músicas que marcaram a carreira da cantora estão: “O que é que a baiana tem”, “Mamãe eu quero”, “Tico-tico no fubá” e “Disseram que voltei americanizada”. Considerada a personalidade brasileira mais conhecida na América Latina e com a maratona de filmes, shows e entrevistas na agitada agenda, Carmen Miranda não suportou a pressão da fama e do público. Passou a utilizar pílulas para dormir, anfetaminas, cigarro e álcool. Em 1955, nos Estados Unidos, faleceu aos 46 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Mas, como era seu desejo, foi enterrada no Rio de Janeiro.

*Sobre o artista Schneider*

Artista Plástico, formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro Carlos Alberto Schneider é um profissional respeitado na folia catarinense. Trabalhou com Joãozinho Trinta, na Beija Flor de Nilópolis, e também na escola de samba Império Serrano.

Em Florianópolis, foi carnavalesco campeão por 10 anos no bloco Consulado, e atuou também nos carnavais de 84 a 87 na Unidos da Coloninha, conquistando o tetracampeonato na agremiação. Em 1989, trabalhou na Consulado, onde dividiu as funções de presidente e carnavalesco. Em 1990, foi carnavalesco da Copa Lord. Além dos trabalhos realizados para o carnaval, Schneider fez ainda vários projetos de decoração para estabelecimentos comerciais da cidade, festas temáticas e bailes de fantasias.