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terça-feira, maio 21, 2024
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10 países se unem pela conservação do peixe mero, espécie ainda vista como alimento e ameaçada de extinção 

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10 países se unem pela conservação do peixe mero, espécie ainda vista como alimento e ameaçada de extinção 

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A iniciativa é do projeto Meros do Brasil, que surgiu em Santa Catarina em 2002 e hoje está presente em nove estados e 37 municípios 

A proteção do peixe mero é motivo de mobilização internacional, tendo em vista sua importância para manutenção da vida nos oceanos e ecossistemas relacionados. O mero, o gigante dos mares, espécie ainda vista como alimento, explorada até exaustão há muitas décadas e em risco de extinção no Brasil e no mundo – classificado no país como Criticamente em Perigo, agora é assunto de um grupo de trabalho que reúne  Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Bahamas, Trinidade e Tobago, Angola, Guiana Francesa, Kenya, Porto Rico e Bonaire.

A espécie cumpre importantes funções ecológicas: ajuda a manter saudáveis as populações dos ambientes onde vivem; serve de alimento para peixes limpadores e até de moradia para pequenos organismos marinhos que vivem aderidos ao seu corpo. Esses e outros papéis contribuem para a manutenção do equilíbrio ambiental que irá garantir os serviços ecossistêmicos dos quais usufruímos e que estão diretamente relacionados com a nossa qualidade de vida e bem estar, como o controle do clima.

“Esse movimento, que reúne representantes da comunidade científica de países onde há ocorrência da espécie, ou de espécies-irmãs, é resultado do nosso aprendizado e experiência com o Projeto Meros do Brasil nos últimos 20 anos. Trabalhos em parceria são fundamentais para alcançar resultados mais coerentes e efetivos”, diz Maíra Borgonha, idealizadora do grupo e pesquisadora do projeto Meros do Brasil.

O mero é um peixe marinho da família das garoupas que vive nas águas tropicais e subtropicais do oceano Atlântico, do Senegal a Angola, e dos Estados Unidos a Santa Catarina no Brasil. Ele pode medir mais de 2 metros de comprimento e pesar cerca de 250 quilos. Vive em média 40 anos e leva de 6 a 8 anos para atingir a idade adulta, quando entram na fase reprodutiva. Anualmente, de dezembro a março, os meros se reúnem em cardumes com o único objetivo de reproduzir, formando as chamadas agregações reprodutivas. 

A espécie cumpre importantes funções ecológicas: ajuda a manter saudáveis as populações dos ambientes onde vivem; serve de alimento para peixes limpadores e até de moradia para pequenos organismos marinhos que vivem aderidos ao seu corpo. Esses e outros papéis contribuem para a manutenção do equilíbrio ambiental que irá garantir os serviços ecossistêmicos dos quais usufruímos e que estão diretamente relacionados com a nossa qualidade de vida e bem estar, como o controle do clima.

Ameaça constante à espécie é realidade

O mero é protegido por lei e a captura, o beneficiamento, o transporte e/ou a comercialização da espécie são crimes ambientais. No entanto, as ameaças constantes são uma realidade: pesca ilegal (que ainda acontece), a supressão de manguezais – habitats essenciais para que o mero chegue a fase adulta – e a degradação do meio ambiente com a poluição.

A pesca tem pouco controle no Brasil, o que torna o cenário mais crítico. “Desde 2011 não há estatística pesqueira. A gente não sabe o que se pesca, quando e nem quanto se pesca. Dessa forma fica difícil realizar tomadas de decisões que contemplem a sustentabilidade ambiental, social e econômica envolvendo a natureza”, avalia Maíra Borgonha. 

Rede global para amplificar voz 

A Rede Global de Conservação dos Meros, com representantes de dez localidades distintas, tem como objetivo compartilhar e  difundir conhecimentos, identificar prioridades de pesquisa e oportunidades de conservação das grandes garoupas, entre essas os meros (Epinephelus itajara) e outras duas espécies (Epinephelus quinquefasciatus e Epinephelus lanceolatus), além de criar sinergia entre os trabalhos voltados para a conservação do mero nos diferentes países, pensando numa esfera global, amplificando a força e impacto das ações.

E existem causas conectadas ao trabalho em rede, como bem estar animal – direito à vida das espécies de peixe – segurança alimentar e questões sanitárias. Pesquisas realizadas no Brasil e nos Estados Unidos evidenciaram que o mero, por ser um peixe que está no topo da cadeia alimentar, acumula poluentes em seus tecidos e não são seguros para o consumo. 

“Essa troca de experiências, seja em ações de pesquisa, de educação ambiental ou políticas públicas, fortalece o grupo e amplia o conhecimento sobre novas formas de se trabalhar a conservação dessas espécies”, comenta Áthila Bertoncini, pesquisador do Projeto Meros do Brasil. 

“Queremos levar a experiência brasileira para os parceiros que estão seguindo esses passos. A internacionalização dá corpo à causa da conservação dos peixes e eleva a importância do tema na Década do Oceano. Ela alcança outras mesas de discussão”, pondera.

O próximo encontro da rede será em julho deste ano. 

Projeto Meros do Brasil

O Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, é uma iniciativa socioambiental de conservação que tem como principal objetivo a proteção dos meros e dos ambientes costeiros e marinhos por meio da realização de ações de pesquisa, educação e comunicação.

Segundo estudo, cada um real investido no Projeto Meros do Brasil são gerados R$ 8,44 em benefícios socioambientais. No total, são R$ 48,8 milhões: 82% deste benefício estão concentrados nos meios físico e biótico, mais especificamente nos Meros e no ecossistema associado.

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