De “doença” à causa de orgulho: cientista política dá aula sobre a luta LGBTQIA+

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São Paulo, SP 14/7/2021 – O que vai mudar na sua vida saber o que aquela pessoa tem entre as pernas?

Cientista política, Natália Pasetti conversou com os colaboradores do Grupo Comunique-se

O movimento contra o preconceito por causa de orientações afetivas não pode ficar restrito apenas ao mês de junho, período que conta o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Esse foi um dos ensinamentos disseminados pela cientista política Natália Pasetti aos colaboradores do Grupo Comunique-se. Na última semana, ela falou abertamente sobre o assunto e deu orientações em prol da inclusão e do respeito — atitudes que devem prevalecer em todos os meses do ano.

Durante a conversa com os “comunicats”, termo pelo qual os colaboradores do Grupo Comunique-se são internamente chamados, Natália atentou-se para alguns pontos que, infelizmente, ainda podem passar despercebidos no ambiente corporativo. Destacou que “piadinhas” no sentido de se referir, por exemplo, a um colega de trabalho como “bichinha” ou “viadinho” não agrega valor algum e pior: além de não ter graça alguma, pode fazer com que um profissional LGBTQIA+ sinta-se inibido — e até coagido — em relação a evidenciar a sua orientação afetiva no serviço.

Outro tópico discutido a partir da aula conduzida por Natália foi a postura no dia a dia. Para a cientista política, nada melhor do que perguntar, de forma sempre respeitosa, em relação à forma de tratamento. Como exemplo, citou que não precisa se questionar a orientação afetiva de determinada pessoa que acabara de chegar à empresa. No caso, bastaria perguntar como ela prefere ser chamada (no gênero feminino, masculino ou neutro). Por outro lado, é primordial não ser evasivo, como perguntar a uma profissional trans se ela chegou a realizar a cirurgia de redesignação sexual. “O que vai mudar na sua vida saber o que aquela pessoa tem entre as pernas?”, questionou Natália durante a apresentação aos funcionários do Grupo Comunique-se. O bate-papo ocorreu de forma online na última quarta-feira, 30 de junho.

De “doença” à causa de orgulho

Por que há um dia internacional em favor do orgulho LGBTQIA+ e não há uma data para celebrar os heterossexuais? Antecipando-se a perguntas desse tipo, Natália Pasetti explicou que, no caso, orgulho refere-se, sobretudo, a um pedido de respeito. E mostrar que identificar-se como gay ou lésbica, por exemplo, não deve ser algo para se envergonhar — e muito menos se sentir inferiorizado ou doente. Para evidenciar que, infelizmente, o preconceito perdurou por muito tempo contra a sociedade LGBTQIA+, ela lembrou que não se identificar como heterossexual deixou de ser considerado doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) somente em 1990.

Necessidade inclusão (na sociedade e no mercado de trabalho)

Apesar de avanços nos últimos tempos, a cientista política alerta para o triste fato de muitas pessoas LGBTQIA+ viverem marginalizadas, tanto da sociedade quanto do mercado de trabalho. Principalmente no Brasil, que há anos ostenta o indigno título de país onde mais mulheres trans são assassinadas no mundo, conforme informou o portal G1 em reportagem de janeiro. Com o preconceito ainda presente, Natália apresentou dois dados alarmantes em relação à educação e ao mercado de trabalho: mais de 80% das mulheres trans e travestis abandonam os estudos antes da conclusão do ensino médio; e cerca de 90% das mulheres trans brasileiras recorrem ao mercado informal de trabalho.

Diante da percepção da real necessidade de pessoas LGBTs receberem acolhimento e se integrarem à sociedade como um todo, Natália Pasetti decidiu agir. Mulher lésbica e que já teve de lidar pessoalmente com o preconceito, ela é uma das fundadoras do projeto “Casinha”. Trata-se de espaço localizado no Rio de Janeiro, e em atividade desde 2017, para acolher membros da comunidade LGBTQIA+. Atualmente com status de programa social, a organização não governamental (ONG) acolhe cerca de 700 pessoas em situação de vulnerabilidade, doou mais de 900 cestas básicas desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil e auxilia no acompanhamento de aproximadamente 40 casos relacionados à saúde mental.

Para realizar essas ações, a “Casinha” conta exclusivamente com doações. Sem ajuda do poder público, sem as doações e os trabalhos de voluntários, o projeto não conseguiria se manter. Por meio do site do projeto, é possível contribuir de forma simples, prática e rápida. Interessados podem destinar valores de R$ 20,00 a R$ 1.000,00. Além disso, é permitido fazer doação em “valor livre”. “A sua doação salva vidas!”, avisa a equipe à frente do projeto.

Comitê de diversidade no Grupo Comunique-se

Com a aula conduzida contra o preconceito, o Grupo Comunique-se externou a decisão de criar um comitê de diversidade. A ideia é entender, a partir de colaboradores e personalidades externas, em quais frentes a empresa pode ajudar no combate ao preconceito e mais do que isso: encontrar possibilidades para incluir pessoas LGBTs no hall de seus colaboradores. É buscar formas para ir além da luta contra o preconceito, mas se tornar uma aliada da causa. Para isso, a companhia contará com apoio da própria Natália Pasetti, que já se dispôs a ser uma integrante do comitê, que atuará para que o orgulho da comunidade LGBTQIA+ seja duradouro, não apenas num único dia do ano.

Website: http://comunique-se.com.br/