Há 36 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) estabeleceu um novo modelo de acesso à saúde no Brasil, baseado nos princípios da universalidade, integralidade e equidade. Criado pela Constituição Federal de 1988, o sistema transformou a saúde em um direito de todos e uma responsabilidade compartilhada. Para que essa estrutura funcione, existe uma rede formada por hospitais, profissionais de saúde e entidades que fazem a interlocução entre as instituições e o poder público.
Em Santa Catarina, os hospitais filantrópicos têm participação decisiva na assistência oferecida pelo SUS, especialmente nos atendimentos de média e alta complexidade. Segundo levantamento da Associação dos Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC) e da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC), 71% dos atendimentos de alta complexidade realizados pelo SUS no estado passam por hospitais filantrópicos. Na oncologia, a participação chega a 69% das internações.
Entidades representativas como AHESC e FHESC exercem uma função que ultrapassa a representação institucional. Ao reunir hospitais de diferentes regiões e perfis, conseguem identificar demandas comuns, levar as dificuldades da assistência aos órgãos públicos e acompanhar a construção de políticas que precisam chegar como atendimento na ponta do sistema. A atuação funciona como uma ponte entre quem formula as políticas de saúde e quem precisa colocá-las em prática diariamente.
Para a presidente da FHESC, irmã Neusa Lúcio Luiz, essa articulação é fundamental para que as decisões no âmbito público considerem a realidade enfrentada pelos hospitais. “O SUS é uma construção coletiva. Para que uma política pública funcione, é preciso que exista diálogo entre quem planeja, quem financia e quem está diariamente diante do paciente. As entidades têm o papel de aproximar essas realidades e contribuir para que as decisões sejam mais conectadas às necessidades da assistência”, afirma.
A interlocução também envolve temas como financiamento, atualização de procedimentos, investimentos em tecnologia, qualificação das equipes e manutenção de serviços de alta complexidade. A realidade dos hospitais pode variar conforme a região e o perfil da unidade, mas muitos dos desafios são compartilhados.
O aniversário do SUS, celebrado em 19 de setembro, é uma oportunidade para reconhecer a complexidade da rede que sustenta esse sistema. Em Santa Catarina, onde os hospitais filantrópicos assumem parcela expressiva dos atendimentos de maior complexidade, a articulação entre instituições, entidades e poder público é parte essencial para garantir que as políticas de saúde se transformem em atendimento efetivo à população.
Para Maurício José Souto-Maior, presidente da AHESC, “aproximar o poder público, as entidades e quem presta a assistência é um dos caminhos para construir soluções mais adequadas à realidade dos hospitais e às necessidades dos pacientes”.



