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terça-feira, agosto 16, 2022
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CASACOR Santa Catarina: Sustentabilidade na decoração é possível e necessária

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CASACOR Santa Catarina: Sustentabilidade na decoração é possível e necessária

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Busca ideias de como projetar um espaço ou mesmo decorar a casa com mais sustentabilidade? Entre os 21 ambientes criados para a CASACOR Santa Catarina em Florianópolis, mostra que foi prorrogada até dia 12 de setembro no Espaço + UM, muitas são as inspirações. Aqui um garimpo de produtos e soluções com esta pegada de design mais consciente e em equilíbrio com o meio ambiente. 

Espaço Plural (Fotos de Rodrigo Marini)

Beto Gebara e Marila Filártiga, depois de anos, retornam para uma mostra de decoração dando evidência a um projeto regenerativo. Já ouviu falar? Este conceito, que vai além da sustentabilidade, eles exploram muito bem no restaurante Espaço Plural dentro da CASACOR SC.


“O regenerativo vem para promover uma mudança de comportamento e impactar as pessoas positivamente. Isso gera uma realidade mais em equilíbrio com o meio ambiente e responsável socialmente”, pontua Marila.

Não é apenas uma questão de especificar ou só escolher materiais que não impactem ou que impactem menos o meio ambiente, mas promover ações através do projeto ou das escolhas para compor o trabalho que reflitam positivamente em quem está envolvido.

As mandalas decorativas em exposição no ambiente assinado pelos sócios do escritório Gebara & Filártiga são uma demonstração muito clara. A partir de uma curadoria da dupla de arquitetos, as peças foram desenvolvidas pela Associação de Artesanato Tramatusa, de Lages, que atualmente conta com cerca de 20 mulheres. ⁠

O material utilizado para o desenvolvimento das mandalas e luminárias pendentes, a fita tusa, é resíduo das fábricas de papel e de celulose da Serra Catarinense. Antes, as fitas eram rejeitadas pelas empresas, e o descarte poderia significar um problema ao meio ambiente, agora é matéria-prima para a arte das mulheres da associação.⁠

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“Todos os dias recebo muitas mensagens das mulheres da associação dizendo que os pedidos de mandalas não param de chegar, de pessoas que passam pelo ambiente da mostra e entram em contato para fazer encomendas. Isso é impactar postivamente”, destaca Marila.


O processo regenerativo também abrange a indústria, segundo a arquiteta, que é mestre e doutora em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC, facilitadora em projeto regenerativo pelo Center for Living Environments and Regeneration (EUA).

“Nesse projeto, nossa conversa com os parceiros foi de reaproveitamento – garimpar peças que estavam no depósito para ressignificar o produto”, explica.

Todos os móveis soltos que ambientam o restaurante foram garimpados na fábrica da Studio Ambientes em Santo Amaro da Imperatriz. “Escolhemos a Studio porque além da competência e da fabricação catarinense, sabemos que eles estão preocupados com os impactos no meio ambiente e promovem diversas ações baseadas no reuso e no reaproveitamento.”

Lounge de Entrada e Bilheteria (Fotos Lio Simas)

Ana Lins e Iara Rosa, no Lounge de Entrada e Bilheteria, trabalharam com princípios básicos no uso de elementos naturais, por isso, na ambientação do projeto a dupla procurou evidenciar a madeira, a pedra, o vidro e a água.


Aliás, a madeira – que voltou a marcar presença fortemente na concepção dos espaços pensados para a CASACOR, mostrando diferentes maneiras de aplicação –  é um exemplo. Na bilheteria ela aparece no teto revestido com deck de itaúba, espécie de manejo sustentável, fornecido pela BTP Floors.

2. Ana Konradt e Iara Konradt _- Lounge de Entrada e Bilheteria.jpg

Para se ter uma ideia, a empresa investe constantemente na aquisição de novas florestas e em parcerias de exploração, sempre visando o manejo de baixo impacto ambiental, contando hoje com florestas registradas na SEMA/IBAMA para proveito nos próximos 20 anos.

Tem também o piso vinílico, com certificação, que pode ser 100% reutilizado após a mostra, segundo Iara.  Não para por aí. Olhar atento ainda para o banco Solo do designer mineiro Domingos Tótora, feito de papelão reciclado e que passa por um processo sustentável.  Tem pés em aço e assento maciço, produzido com massa de celulose moldável à mão e acabamento alisado. A peça foi premiada no 24º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, em 2010.  Móvel da Studio Ambientes.


A Trajetóriah (Fotos Lio Simas)

A galeria A Trajetóriah ocupa todos os corredores de circulação da CASACOR SC, percorrendo quatro pavimentos. No subsolo, as designers de interiores Vanessa Buonomo e Gabriela Dutra falam por meio da arte sobre a regeneração da natureza e a relação do ser humano com ela.

Não por menos, entre os itens que compõem o espaço estão as luminárias feitas a partir do byeplastic, um material 100% reciclado e reciclável resultante do plástico que as pessoas descartam e na maioria das vezes vai parar nas ruas, oceanos, na natureza.

A matéria-prima que dá forma à cúpula das luminárias é uma alternativa inteligente e consciente para a produção de acessórios de decoração. Da linha Corrupio, as peças com design de Érico Gondim + Ratoroi estão sendo expostas pela primeira vez na mostra. “A ideia dos criadores é levar as luminárias para Milão”, destaca Vanessa.

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Tem mais: o artista Léo Furtado, a partir do reaproveitamento de uma moldura encontrada no lixo, criou uma obra de arte que retrata um dos momentos mais emblemáticos de toda a trajetória da pandemia: os golfinhos nos canais de Veneza, uma das demonstrações da natureza se regenerando com a ausência do ser humano.

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Ainda no subsolo, as designers encontraram uma solução inusitada. Elas usaram um tecido de tela para forrar o teto, dando a impressão de uma ampla área externa. Depois da mostra, o tecido será doado e se transformará em novas pinturas nas mãos dos artistas que abraçaram A Trajetóriah! com seus talentos e que utilizam além dos muros, as telas para expressarem suas artes.

Casa dos Pássaros (Fotos Lio Simas)

Resultado de contrastes, a mesa Alfi, desenhada pelo escritório Tufi Mousse Arquitetura é um dos grandes destaques de seu espaço na CASACOR SC 2021, feita em madeira tauari, extraída de áreas de manejo sustentável.

O conceito estético veio da madeira e da sustentabilidade. O ponto de partida foram os troncos de árvore (início de toda movelaria), aqui representados pelos pés, mas que trouxesse algo inspirador, com proporções diferentes.

1. Tufi Mousse - Casa dos Passaros_menor.jpg

Assim, os pés remetem à força que a natureza tem e o tampo mais limpo, traz leveza, fazendo um contraponto com a base. Esse jogo de proporções é um movimento que está em alta desde 2013, 2014. Pode ser tingida em diversas cores e o tampo também pode ser em vidro, pois existe uma estrutura metálica pronta para receber esse tampo em vidro. Móvel fabricado pela Woodler

Camadas Brasileiras (Fotos Mariana Boro)

No projeto Camadas Brasileiras, Juliana Pippi apresenta alguns exemplos de design sustentável, porém, com um olhar que vai além da escolha da matéria-prima.

“Para mim a sustentabilidade deve envolver toda a cadeia de produção e, por isso, prefiro chamar de economia sustentável”, explica a arquiteta.

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A taboa – material usado no tapete que demarca o living – é base de várias comunidades de Santa Rita, na Paraíba. É fonte de renda para muitos artesãos daquela região. Mas além disso, como lembra a arquiteta, também gera lucro para quem vai manufaturar, beneficiar os materiais. Daí, a economia criativa que contribui para o desenvolvimento sustentável. O produto foi fornecido pela Oriente-se.

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Outro exemplo que tem atraído olhares e segue esta mesma linha de pensamento são os xales e a manta da Pia Laus, feitos à mão por artesãs, a partir do uso de insumos de reuso, como o fio desfibrado dos retalhos descartados pela indústria têxtil, usados com pigmentos naturais.

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Nada de descarte. Juliana ainda revigora o olhar para a beleza dos materiais em seu estado bruto. Foi o que fez com o quartzito Bronzite – com origem entre 2.8 e 2.5 bilhões de anos vindo da Bahia – , que aparece em duas versões no ambiente: na mesa de centro e na parede do lavabo. As sobras(cantos) dos blocos, chamadas de castanheiras, foram aproveitadas com o mínimo de intervenção no desenho. Os blocos apenas passaram por um trabalho de marchetaria. Segundo a Pedecril, que forneceu o material para o espaço, a rocha já estava há 10 anos no depósito da empresa e foi descoberta pela arquiteta. Há cerca de um ano a Pedecril vem desmistificando o uso de materiais nobres fadados ao descarte. 

Sala Íntima da Arquiteta (Fotos Lio Simas)

À primeira vista, ao entrar na Sala Íntima da Arquiteta, projeto de Anna Maya, atrai o olhar a marcenaria que veste uma parede lateral inteira. Desenho da arquiteta, o móvel feito com ripas de madeira natural tauari, fornecidas pela BTP Floors, é resultante de manejo sustentável. 

2. sala intima da arquiteta - anna maya_menor_.jpg

Os ripados, prontos para a execução do painel, foram colocados no sistema de encaixe macho-fêmea. O comprimento aleatório das réguas é o que dá o efeito de continuidade e diferentes nuances, que vão do branco amarelado ao cinza.

3. sala intima da arquiteta - anna maya_menor_.jpg

Outra peça singular é a mesa do escritório, com um tampo feito a partir de uma tora de Imbuia, e pés em acrílico. A madeira é 100% resíduo encontrado na natureza, que foi ressignificado e transformado em uma obra de arte funcional e estética.

Wine Bar pra lá de Marrakech (Fotos Mariana Boro)

A partir da releitura do estilo marroquino, o espaço Wine Bar pra Lá de Marrakech, assinado pela designer Alessandra Casagrande, ganhou arandelas exclusivas, artesanais, autorais e com uma pegada sustentável.

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Chamadas de Drapper, elas integram a coleção Mecanics de objetos de decoração da oficina criativa BeRod. Foram feitas a partir de peças automotivas garimpadas e recicladas. Compõem cada arandela base de filtro de óleo, correntes soldadas, filtros de ar e franjas de tecidos. Elas são produzidas ancoradas no conceito de upcycling, movimento que consiste no reaproveitamento de materiais para criar novos objetos, com funções diferentes, sem alterar as principais características da peça original.

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