Como a inteligência artificial começa a transformar decisões dentro do Estado

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Por Jeferson Bittencourt, Auditor Estadual de Finanças Públicas, membro do Sindaf-SC. E-mail: bittencourt@ua.pt

A inteligência artificial já faz parte do cotidiano de empresas e começa a ocupar, de forma consistente, seu espaço no setor público. Mais do que uma tendência tecnológica, trata-se de uma mudança na forma como decisões são preparadas, analisadas e executadas.

No Estado, essa transformação ocorre de maneira própria. Diferentemente da iniciativa privada, onde a adoção costuma ser orientada por ganhos de mercado, no setor público a inovação precisa estar diretamente ligada à melhoria dos serviços e à responsabilidade na gestão dos recursos.

Na área fiscal, esse desafio é ainda mais evidente. A administração das contas públicas envolve grandes volumes de dados, regras rigorosas, necessidade de transparência e decisões que impactam toda a sociedade. Nesse ambiente, a inteligência artificial passa a ser uma aliada importante para qualificar análises e dar mais agilidade aos processos.

O movimento, no entanto, não nasce de forma abstrata. Ele surge da prática. Do dia a dia de quem trabalha com dados, informações fiscais e apoio à tomada de decisão.

Foi nesse contexto que surgiu, no Tesouro Estadual, a necessidade de avançar na capacitação em inteligência artificial. A iniciativa nasceu a partir da atuação dos Auditores Estaduais de Finanças Públicas, que identificaram, na rotina de trabalho, oportunidades concretas de melhorar a organização das informações, automatizar processos e qualificar análises.

A proposta evoluiu e foi ampliada, tornando-se uma agenda institucional da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. Esse caminho — da prática à escala — é característico das iniciativas que conseguem gerar impacto real no setor público.

A inteligência artificial, nesse cenário, não substitui o julgamento técnico. Ela amplia a capacidade de análise, reduz o tempo gasto em tarefas repetitivas e permite maior foco na interpretação de dados e na tomada de decisões responsáveis.

Os efeitos dessa transformação são relevantes. Melhor qualidade das informações, maior transparência, mais consistência nos registros e maior capacidade de planejamento. Em outras palavras, um Estado mais preparado para lidar com a complexidade atual. 

Nesse processo, o papel dos Auditores Estaduais de Finanças Públicas se destaca. Por atuarem diretamente na gestão das finanças, esses profissionais são responsáveis por conectar dados, tecnologia e decisão — garantindo que a inovação seja aplicada com responsabilidade e foco no interesse público.

Para Santa Catarina, o avanço representa um passo importante na modernização da gestão fiscal. Para o cidadão, o impacto é direto: decisões mais bem fundamentadas, melhor aplicação dos recursos públicos e maior eficiência nos serviços prestados.

A inteligência artificial, no fim, não é apenas sobre tecnologia. É sobre melhorar a forma como o Estado funciona — e como ele responde às necessidades da sociedade.