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terça-feira, maio 17, 2022
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Erro Grupo abre nesta segunda-feira o ciclo de debates sobre ocupação artística do espaço urbano

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Erro Grupo abre nesta segunda-feira o ciclo de debates sobre ocupação artística do espaço urbano

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O ERRO Grupo, coletivo de intervenções urbanas e teatro de rua de Florianópolis, fará um ciclo de debates sobre a problemática da cidade e a ocupação artística ou não do espaço urbano a partir desta segunda-feira, 8. O eventos ocorrerá às 19h30, no espaço delimitado pelo ERRO como SEDE-CIDADE-SEDE, que compreende a esquina das ruas Conselheiro Mafra e Arcipreste Paiva, no Centro. As atividades são gratuitas, abertas ao público e ocorrerão também nos dias 9, 15 e 16 de junho.  

Os debates públicos são ações do projeto Insistência: atividades de fomento local e manutenção do ERRO Grupo (contemplado pelo Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2014). Os debates serão mediados por integrantes do ERRO Grupo e contarão com a participação de debatedores convidados das áreas de artes, movimentos sociais, direito, antropologia e sociologia, assim como de representantes do poder público. Ao trazer à tona as problemáticas atuais da cidade, o ERRO Grupo pretende fomentar o pensamento crítico e polí­tico da comunidade local, aprofundando a compreensão geral sobre arte, urbanidade e polí­tica.

O ciclo de debates públicos contará com os seguintes temas nos seguintes dias: “Entre o Público e o Privado: o comércio dos espaços sociais” no dia 08/06, “As manifestações visuais no espaço urbano” no dia 09/06, “Fluxos migratórios, ocupação e moradia” dia 15/06 e “A noite como outra cidade” no dia 16/06. Todas as atividades do projeto são gratuitas e ocorrem no espaço público.

 Resumos e convidados dos debates:

1 – Entre o Público e o Privado: o comércio dos espaços sociais

No panorama atual das cidades brasileiras observamos a privatização do espaço público urbano sob a emenda do politicamente correto, empregando slogans como “Adotamos esta praça” e a lógica de que “alguém precisa cuidar desses lugares”. O desinteresse dos poderes públicos de fomentar, cuidar e gerar espaços públicos de convivência, que possam proporcionar uma articulação maior entre os cidadãos de uma comunidade é nítido, e representa quando colocado lado a lado com as possibilidades de lucro que resultam dos repasses destes espaços às iniciativas privadas.

A cidade aos poucos se torna um palco da consolidação de grandes empreendimentos “públicos privados” movidos primeiramente pela valorização de um bem privado, através de uma contrapartida pública. Neste esquema, pouco pesa o impacto dessas “adoções” aos valores culturais e ambientais dos lugares e das populações locais. Cabe a nós refletirmos sobre as consequências em longo prazo destas concessões e seus efeitos na construção da sociedade e da cidade.

Convidados confirmados: representantes do Movimento Ponta do Coral 100% Pública.

Convidados ainda não confirmados: Acácio Garibaldi S. Thiago Filho – Superintendente do IPUF, Marcelo Martins da Rosa – Secretário Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Alexandre Waltrick Rates – Presidente FATMA Florianópolis, além de representantes da Construtora Hantei.

 2 – As manifestações visuais no espaço urbano

As manifestações visuais no espaço urbano (grafite, pichação, stêncil, stickers, posters) são intervenções que atuam com uma ética da resistência à ordem hegemônica estabelecida, borrando e questionando os limites usuais que separam o que é arte e o que é política.

Contrapondo e provocando a estruturação da publicidade, das propagandas político-partidárias e religiosas que há tempos anos enchem os muros e paredes da cidade, a despeito do quão “limpa” ela queira apresentar-se, as manifestações visuais abrem fissuras nas convenções e nos consensos que organizam a vida comum para novas possibilidades de percepção da cidade e amplia e modifica as relações do ser humano com a realidade.

Este debate busca refletir sobre estas posturas efêmeras e marginais que estabelecem relações entre privado e público, vida cotidiana e política, num território simbólico de expressão cultural e contraposição hegemônica, consolidando a luta, a presença e a ocupação do espaço, e expressando os modos de ser e pensar de seus agentes.

Convidados confirmados: Gabriel Vanini e Profa. Nara Milioli – Doutora em Artes Visuais (USP).

Convidados ainda não confirmados: Rodrigo Rizo, Marta Cesar – Diretora de Artes da Fundação Franklin Cascaes.

 

 3 – Fluxos migratórios, ocupação e moradia

As possibilidades de moradias no espaço urbano estão cada vez mais escassas para as classes menos favorecidas nas metrópoles atuais. Moradias populares se concentram nas periferias, distantes dos grandes centros urbanos. As políticas públicas para a cidade segregam e distanciam as possibilidades de convívio social.

Gentrificação. Como contraponto a esta situação surgem movimentos de ocupação, que vêm crescendo em número e visibilidade ao demandarem novas políticas para a habitação de alguns espaços que deveriam e poderiam servir para moradias públicas. Os movimentos sociais demandam o direito a cidade.

Paralelamente a este panorama, os fluxos migratórios, que ora eram compostos por brasileiros de norte a sul, se expande para uma realidade de imigrantes de outros países. Como são vistas as dificuldades e possibilidades desses dois movimentos distintos (ocupação e fluxos migratórios) dentro de uma política estatal? Como recebermos o estrangeiro, e convivemos uns com os outros harmonicamente, independentemente de nossas classes sociais e origens, visto que somos todos estrangeiros em Pindorama?

Convidados confirmados: Representantes da Frente Autônoma de Luta por Moradia (FAML)

Convidados ainda não confirmados: Angela albino – Secretária de Assistência Social, Trabalho e Moradia, representantes do movimento Contra a Tarifa, e da Comuna Amarildo.

 4 – A noite como outra cidade

Inspirado pelo Manifesto da Noite, realizado em São Paulo pelo Colaborátório em 2014, o ERRO propõe este debate com o fim de questionar qual estrutura urbana a cidade de Florianópolis nos apresenta no período noturno. Sabemos, na prática do teatro de rua e da intervenção urbana de que uma ação noturna é completamente diferente de uma ação realizada durante o dia. São outras estratégias, possibilidades, resultados e conseqüências. Mas, também no que diz respeito às outras esferas do espaço urbano, o debate questiona como desenvolver novos modos de vivermos e pensarmos a noite.

A cidade noturna é um novo espaço para uma velha sociedade, um lugar de experimentação, o domínio de todos e de ninguém. A noite tem muitas coisas a dizer ao dia. Este debate busca ativar uma reflexão sobre a noite nas grandes cidades tendo como ponto de partida a noite de Florianópolis. Discutiremos novas possibilidades de convivência social, e novos caminhos para uma cidade criativa e sustentável durante o dia e durante a noite.

Convidados confirmados: Profa. Aglair Bernardo – Doutora em Teoria Literária (UFSC), Isaac Varzim (SIC radio) e Tiago Franco.

Convidados ainda não confirmados: Raffael de Bona Dutra – Secretário Municipal de Segurança e Gestão do Trânsito, Allen Rosa e representante da Guarda Municipal de Florianópolis.

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