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quinta-feira, dezembro 9, 2021
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Espetáculo virtual chega a Florianópolis para falar sobre mulheres e prisões

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Espetáculo virtual chega a Florianópolis para falar sobre mulheres e prisões

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A peça celas e elas – desmontagem teatral sobre mulheres e cárceres, do VAI! Coletivo, discute o sistema prisional e outras questões femininas dos dias de hoje

Apesar de alguns avanços, o machismo entranhado na sociedade brasileiro segue fazendo das mulheres vítimas de tipos variados de violência – de assédio moral a homicídio. Desde 2011, a atriz Samira Sinara discute essa opressão social nos palcos, primeiro com o elogiado solo performático teatral @celas, e agora, com celas e elas – desmontagem teatral sobre mulheres e cárceres, uma peça poética e reflexiva que se coloca dos dois lados das grades: dentro e fora. Esta última versão, estreada em 2019, também abriu brechas para dar voz à população carcerária feminina. Um grito que ganha força nos meios digitais e será ouvido em Criciúma nos dias 26 e 27 de novembro.


Contemplado em 2019 pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, o trabalho do VAI! Coletivo, de Joinville, circula de modo remoto por Santa Catarina. O circuito de apresentações, seguido de um bate-papo com a plateia de internautas, passa ainda por Lages, Chapecó e Criciúma nos canais no YouTube dos locais que inicialmente receberiam de forma presencial o grupo no ano passado. Na Capital, a transmissão será por meio do canal do espaço cultural Casa Vermelha.


Celas e elas é uma “desmontagem” da peça @celas que circulou pelo Estado até 2014. Cinco anos depois, ele ganhou vida nova a partir das experiências proporcionadas pelo projeto “Teatro com mulheres em privação de liberdade”, realizado por Samira e Daiane Dordete – diretora e responsável pela dramaturgia do espetáculo – junto às reeducandas do Presídio Regional de Joinville. Assim, Samira representa muitas mulheres, detentas ou não, que de alguma forma se sentem aprisionadas. São mulheres que lutam, sobrevivem, se contradizem, criam muros e pontes, expõem fragilidades e cicatrizes, se revelam e se escondem, têm dúvidas, sonhos e desejos.


“Neste processo, percebemos o quanto uma prisão pode ser apenas subjetiva e o quanto a vida real dessas mulheres são excluídas na sociedade. Assim, buscamos como ponto de partida as sensações, paradigmas e impulsos que nos afetam e nos fazem transgredir o código penal. O @celas nasceu do desejo de nos olharmos, pensarmos e ocuparmos os espaços como mulheres na sociedade do século 21”, explica Samira.


Para a diretora Daiane Dordete, o encarceramento em massa no Brasil é reflexo de um processo histórico de colonização, escravização e depreciação humana que nunca levou a cabo um projeto efetivo de ressocialização da população negra. “No caso das mulheres encarceradas, outras questões específicas de gênero atravessam esse tema, como o abandono que elas sofrem nesse ambiente por parte de suas famílias, a falta de adaptação dos espaços relativos à saúde e higiene das mulheres e práticas jurídicas que não favorecem penas alternativas”, denuncia. No final de 2020, haviam 1.044 mulheres detidas em presídios catarinenses, segundo o Departamento de Administração Prisional.


Em meio a este ambiente hostil e pesado, a arte surge como ação social sensível e mobilizadora, um instrumento que propicia a ludicidade, a escuta, a coletividade, a reflexão e a mudança. “Como diz Ferreira Gullar, ‘a arte existe porque a vida não basta’”, lembra Samira. “Com a desmontagem do @celas e vivenciado um pouco a vida nas prisões, desejamos o Celas e Elas como novas perspectivas para as mulheres, sem nenhuma prisão. Que possamos diariamente reparar e rever nosso papel na sociedade como cidadãs. Que o público perceba, sinta e reflita a importância da arte, do acesso à educação e à cultura a todos. Que seja mudança e transformação de ser!”.


Arte que, por sinal, abraçou a tecnologia para se manter viva, em movimento e ao alcance de todos ao longo destes mais de 18 meses de pandemia. O projeto não será apenas a exibição virtual da performance de Samira Sinara, mas também uma exposição ganha visibilidade no site www.vaicoletivo.com. Além da visita virtual, a mostra Para Além das Celas , com registros feitos pela fotógrafa Jéssica Michels durante as aulas de teatro ministradas por Samira e Daiane às internas do Presídio Regional, pode ser conferida presencialmente até 29 de novembro na Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa, em Florianópolis.

SERVIÇO

O QUÊ: celas e elas – desmontagem teatral sobre mulheres e cárceres, do VAI! Coletivo, em Florianópolis.
QUANDO: Dias 26 e 27 de novembro, às 19h, seguido de bate-papo e exibição da exposição Para Além das Celas no site www.vaicoletivo.com.
ONDE: no canal do espaço cultural Casa Vermelha no YouTube (youtube.com/CasaVermelhaCentroCultural).

foto: Celas e Elas – divulgação, Jéssica Michels

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