O presidente do Conselho de Administração da WEG, Décio da Silva, foi aplaudido de pé antes mesmo de começar a falar no encontro sobre governança e empresas familiares promovido pelo LIDE Santa Catarina na manhã desta sexta-feira (16 de outubro), na sede da Energiluz, em São José, na Grande Florianópolis. Filho de um dos fundadores da multinacional catarinense, ele detalhou como funciona a WPA, empresa criada para gerir a WEG e outras empresas do grupo, e deixou um recado para negócios de qualquer porte: é preciso saber “qual é o chapéu que você veste”.
O painel reuniu lideranças de grandes empresas de Santa Catarina, como Grupo Koerich, Docol, Ábaco, Grupo Herval, Nexti e Cota Real, além da anfitriã Energiluz, para compartilhar experiências sobre profissionalização da gestão e longevidade dos negócios. O DONI havia antecipado a programação na prévia do encontro do LIDE sobre governança e empresas familiares em São José.
O que Décio da Silva, da WEG, disse sobre governança em empresas familiares?
Para Décio da Silva, um dos maiores problemas das empresas familiares é a dificuldade de separar o acionista que atua como executivo do acionista que não está na gestão. “Seja uma empresa pequena, média ou grande, é importante você saber exatamente qual é o chapéu que você veste. Nas empresas familiares, um dos maiores problemas que eu vejo é a dificuldade de separação do acionista executivo do acionista normal”, afirmou o empresário.
Na palestra, ele explicou as atribuições do conselho de família da WPA: ser guardião do acordo de acionistas, monitorar o seu cumprimento e identificar a necessidade de atualizá-lo a cada cinco anos. Décio também lembrou que, desde as primeiras gerações, os encontros familiares sobre a empresa contavam até com a presença de crianças de colo, prática que se repete até hoje, agora com educadores para orientar os jovens e futuros executivos. “O mundo mudou, evoluiu, mas o que não pode mudar é a coluna vertebral da cultura”, disse.
Por que poucas empresas familiares chegam à terceira geração?
As empresas familiares estão na base da economia catarinense: segundo dados do IBGE citados pelo LIDE SC, nove em cada dez negócios no estado são administrados por famílias, e eles respondem por até 75% dos empregos gerados e do Produto Interno Bruto. O gargalo é a continuidade. “Apenas 12% das empresas familiares chegam à terceira geração. Na minha geração, a quarta, o índice cai para 3%”, afirmou Eduardo Koerich, diretor comercial do Grupo Koerich e um dos painelistas.
Na abertura do painel, o presidente do LIDE SC, Delton Batista, defendeu que as boas práticas acompanhem as companhias desde as primeiras etapas. “Você não se torna grande para depois ter governança. Você tem governança para se tornar grande”, afirmou. Para ele, a trajetória de organizações que começaram pequenas e superaram obstáculos até conquistar relevância no mercado mostra o papel da gestão colaborativa, do empreendedorismo e do impacto social na consolidação de negócios sólidos.
Quem participou do painel do LIDE SC em São José?
Além de Décio da Silva e Eduardo Koerich, estiveram no painel o presidente da Docol, Guilherme Bertani; o CEO da Ábaco, Roberto Pedrini; o diretor-presidente do Grupo Herval, José Agnelo Seger; o CEO da Nexti, Marcelo Gomes; e o fundador e CEO da Cota Real, Vitor Crestani.
Anfitrião do evento, o CEO da Energiluz, Elígio José Schmitt, ressaltou a importância do networking e as histórias de sucesso contadas por empresas como Koerich, Docol e WEG, além de valorizar a presença do público. “A Energiluz é uma empresa que acolhe, tem muita energia boa porque a gente entrega a solução com muito amor e carinho”, afirmou.
A agenda do LIDE na região segue intensa: nesta semana, o Lide Mulher SC reuniu lideranças em Biguaçu para debater liderança feminina no mercado, e, em setembro, Delton Batista foi a Nova York discutir a agenda comercial entre Brasil e EUA.
Em resumo
- O LIDE Santa Catarina reuniu executivos na sexta-feira (16/10), na sede da Energiluz, em São José, para debater governança e empresas familiares.
- Décio da Silva, presidente do Conselho de Administração da WEG, detalhou o funcionamento da WPA e do conselho de família, guardião do acordo de acionistas revisado a cada cinco anos.
- Para ele, separar o acionista executivo do acionista que não está na gestão é um dos maiores desafios das empresas familiares.
- Segundo o IBGE, nove em cada dez negócios em SC são familiares; Eduardo Koerich lembrou que só 12% chegam à terceira geração.
Com informações da assessoria de imprensa do LIDE SC.



