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A comédia ácida do grupo, inspirada no livro “Assim Falava Zaratustra”, de Friedrich Nietzsche, sugere questionamentos acerca das questões climáticas e da alienação da população

Inspirado na estética do Teatro do Absurdo e mergulhado em um universo onírico, o espetáculo “O Vigia”, do grupo de teatro O Dromedário Loquaz, volta a entrar em cartaz em Florianópolis. Nos dias 10 e 11 de abril, o Teatro Álvaro de Carvalho será palco para a peça dirigida por Sulanger Bavaresco, tendo no elenco a atriz Diana Adada Padilha, que também assina a dramaturgia, e o ator convidado Antônio Cunha. O pianista, compositor e sintesista Diogo de Haro, é o autor da trilha sonora original do espetáculo. Os ingressos podem ser adquiridos pela enjoyticket.com.br. 

Com uma narrativa cômica, a peça conta a história da cidade Niréa, vizinha de um vulcão adormecido há centenas de anos, cujos habitantes seriam exterminados em caso de uma erupção. Engolidos pela rotina e pouco preocupados com a possível atividade vulcânica, os moradores confiam cegamente no governo, que envia um vigia, vez ou outra, ao alto da montanha da cidade, apenas para certificar-se que o vulcão segue adormecido.

Nesse contexto, a peça sugere questionamentos acerca das questões climáticas que assolam o planeta e ceifam vidas em decorrência da inoperância e descaso de governos e pessoas que seguem seu cotidiano alheios às evidências catastróficas. A inspiração de Diana para escrever o espetáculo partiu da premissa filosófica proposta por Friedrich Nietzsche em “Assim Falava Zaratustra”. Neste livro, o autor conta sobre uma sociedade de valores éticos e morais distorcidos que levam a mesma ao caminho da autodestruição.  

A dramaturga percebe o espetáculo como “uma metáfora do tempo histórico em que vivemos, com as crises climática e política que detonam guerras intermináveis pelo mundo, mas também da própria condição humana enquanto ser social”, explica. Ao que o artista convidado Antônio Cunha, complementa, afirmando que “O Vigia” é uma peça sobre a falta de vigilância e cuidado por parte da humanidade em relação ao seu meio, ao seu espaço vital. “O antropocentrismo arraigado nos encobre uma realidade indiscutível, a de que somos habitantes de um organismo poderoso mas sensível e que nossas ações impactam consideravelmente esse ser no qual viajamos”, reflete. 

Para reforçar ainda mais a investigação de novas linguagens artísticas, o grupo convidou Diogo de Haro para compor a trilha sonora do espetáculo. Composição que ele criou totalmente em sintonia com o espetáculo. Diogo conta que procurou inventar a música de uma natureza ainda não conhecida, criando sons que soassem familiares sem nunca terem sido ouvidos. “Imaginei o rumor de um vulcão que não é o que conhecemos, mas outro, cheio de mistério e assombro, capaz de nos fazer questionar o que chamamos de natureza”, explica. 

Ainda de acordo com ele, a intenção foi situar a ação em um tempo e espaço, talvez outro planeta que não a Terra, mas que ao mesmo tempo reflete e potencializa a realidade. “A ideia foi projetar um leque mais amplo de catástrofes iminentes às quais poderíamos estar, e talvez estejamos, à mercê”, observa. 

Esse movimento de se aproximar da natureza foi um desafio, também, para Marco Ribeiro, iluminador do espetáculo. Ele conta que foi preciso criar uma atmosfera visual que remetesse ao alto de uma montanha, valorizando o cenário e o elenco em cena. “Para esse espetáculo utilizo recursos com sombras, volumes, recortes e cores na criação”, observa. Sulanger, por sua vez, comenta que cada novo espetáculo a coloca na condição de eterna aprendiz do ofício teatral. “Fiquei muito feliz com o resultado do encontro de uma equipe talentosa e focada na construção artística de dar corpo, voz, movimento, luz e som à escrita dramatúrgica”, conclui.

Assim, essa comédia ácida, que representa o mais novo trabalho do grupo que completa 45 anos de existência em 2026, transporta o público para o alto de uma montanha onde um vulcão está prestes a explodir. E as pessoas, como se comportam? Para descobrir, o convite que fica é o de ir conferir essa montagem independente que um dos grupos mais tradicionais da Ilha de Santa Catarina volta a apresentar. 

SOBRE O GRUPO

O Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz, de Florianópolis, completa 45 anos em 2026 e entre seus fundadores estão o ator Ademir Rosa (1948-1997) e o diretor Isnard Azevedo (1950-1991). Atualmente, o grupo é formado por 20 integrantes entre técnicos, atores, músicos e cantores. Com mais de 40 espetáculos e ações cênicas em sua trajetória, o grupo reverencia seu passado e aposta no futuro, se reinventando com a participação de novos integrantes e parceiros artísticos, o que revela fôlego para continuar a existir e resistir ao acreditar em um mundo melhor através da experiência e vivência artística.

Ficha técnica

Dramaturgia: Diana Adada Padilha

Direção: Sulanger Bavaresco

Elenco: Antônio Cunha e Diana Adada Padilha

Iluminação: Marco Ribeiro e 5M Produções e Serviços Técnicos

Paisagem Sonora: Diogo de Haro

Cenografia e Figurinos: Sulanger Bavaresco

Adereços: Sulanger Bavaresco e Diana Adada Padilha

Preparação Vocal: Luiza Faé Mantovani

Produção Teatral: Magda Scors Campos

Design Gráfico: Mariana Barardi

Assessoria de Imprensa: Leticia Bombo | Eccoa Comunicação

Assessoria de redes sociais: Welington Hors

Realização: Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz

Serviço

Espetáculo: O Vigia

Datas: 10 e 11 de abril/26 

Horário: 20h

Local: Teatro Álvaro de Carvalho – R. Mal. Guilherme, 26 – Centro, Florianópolis – SC, 88015-000

Classificação: 12 anos

Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia-entrada)

Ingressos: Disponíveis na plataforma Enjoy Ticket

Contatos do grupo:

Site do Grupo: www.dromedarioloquaz.com

Instagram: www.instagram.com/dromedarioloquaz