SC gera 63,2 mil vagas de trabalho no primeiro semestre

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Indústria puxa 58% dos novos empregos formais em Santa Catarina com a criação de 36,6 mil novos postos até junho

Florianópolis, 30.07.2026 – Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2026 com um saldo positivo de 63,2 mil postos de trabalho criados, um crescimento de 2,45% no ano, até junho. O resultado posiciona o estado na quarta colocação nacional em geração de empregos, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Na comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, houve recuo de 0,73% no saldo de vagas.

“O ritmo mais moderado de contratações em relação ao ano passado acende um alerta sobre os impactos da taxa de juros elevada no crédito e no investimento, além de pressões externas pontuais, como novo tarifaço norte-americano”, explica o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Gilberto Seleme.

De janeiro a junho, a indústria catarinense criou 36,6 mil novos empregos, o que representa 58% de todas as vagas formais geradas no estado no período. O desempenho do emprego foi puxado pela construção civil, que registrou aumento de 8,12% no estoque de vagas no primeiro semestre, com 11.218. Na sequência, a indústria de alimentos desponta como o segundo maior gerador da atividade, com 5.338 novos postos (+3,38%). O segmento de borracha e plástico criou 2.186 vagas, incremento de 4,11%, seguido pelo setor de madeira, com 2.007 novos empregos formais e alta de 4,87%.

Embora o setor de madeira figure entre os maiores acumulados, a FIESC destaca a perda de fôlego do segmento em razão do tarifaço norte-americano, que afeta diretamente as exportações para a construção civil nos EUA.

Para o economista Ricardo Augusto Souza, da FIESC, embora o resultado do setor industrial demonstre resiliência, já se observa desaceleração generalizada no ritmo de contratações em SC, com a indústria catarinense operando abaixo de sua média histórica desde setembro de 2025. “Uma recuperação mais consistente do ritmo de criação de empregos industriais depende diretamente do início do ciclo de redução da taxa de juros e do controle do risco fiscal no país”, avalia o economista.

O setor de serviços gerou 26,6 mil vagas no primeiro semestre, um incremento de 2,54% no ano. Na ponta oposta, o Comércio registrou saldo de apenas 136 vagas (+0,03%), fortemente impactado pelo encarecimento do crédito e juros altos. A Agropecuária registrou variação negativa de 212 postos (-0,43%).

(Foto: Iano Andrade/CNI)