Exposição “Ticuna em Dois Tempos” abre hoje na UFSC

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A exposição “Ticuna em Dois Tempos”, com 53 objetos indígenas coletados pelo pesquisador Sílvio Coelho dos Santos na Amazônia dos anos 60, será aberta nesta quarta-feira, 9, às 19h, no Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. A mostra vai até o dia 25 de outubro, de segunda a sexta (fechado as terças), das 10h às 17h.

Quando em julho de 1962 o jovem historiador Sílvio Coelho dos Santos viajou para o território Ticuna em uma expedição arriscada pelo alto rio Solimões, tinha o desafio de agregar experiência prática à sua formação teórica como antropólogo. A

Ao chegar ao município de Benjamim Constant, ao lado da colega Cecília Maria Helm e do etnólogo Roberto Cardoso de Oliveira, que o orientava na pesquisa, encontrou um povo massacrado pelo avanço violento dos seringueiros e madeireiros sobre suas terras após o boom da exploração da borracha.

Desfigurados pelo álcool e pela miséria, os Ticuna lutavam para perpetuar a prática de suas tradições. Mas o pesquisador também encontrou um grupo de riqueza cultural fascinante, que organiza todos os seres vivos, inclusive os humanos, em duas grandes linhagens, a das aves e a das plantas, e cujas máscaras, desenhos e pinturas ganhariam, por sua força e originalidade, fama internacional.

Desde a vivência com os Ticuna (Túkuna, na grafia original) até o dia de sua morte, em outubro de 2008, de câncer, Sílvio Coelho dos Santos dedicaria sua inteligência e energia física à compreensão do modo de ser índio.

A mostra apresenta pela primeira vez ao público a coleção com 53 objetos recolhidos entre os Ticuna e os registros de campo, compostos por 135 diapositivos (slides) e dois diários produzidos pelo antropólogo catarinense no coração da selva amazônica.