Artista Heloisa Panuci abre 1ª exposição individual na Fundação Cultural Badesc

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 “Imagem e Semelhança”, que reúne 16 trabalhos produzidos de 2022 a 2025, será aberta para visitação na quinta-feira, 2 de julho

Esculturas, gravuras e arte têxtil estão presentes na exposição “Imagem e Semelhança”, que a artista paranaense Heloisa Panuci abre no dia 2 de julho na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Moradora da Capital de SC, a artista teve o projeto selecionado na Chamada Pública Paulo Gaiad 2026 – 1ª exposição individual, e a abertura está marcada para às 19h. A entrada é gratuita.

A exposição, resultado de três anos de pesquisa, é marcada pela relação entre imagem, materialidade e a formação católica da artista. “No catolicismo, há essa noção de uma irreconstituição frente ao original, que fica no campo do divino e absoluto. O próprio humano é feito à semelhança moral de Deus, e é uma lógica que atravessa as formas de devoção: como as imagens santas e a materialidade que as constituem tentam, em vão, substituir”, explica a artista.

Heloisa reconhece que a pesquisa desenvolvida por ela pode gerar leituras diversas, especialmente por incorporar simbologias de forma crítica. “Fico curiosa como a exposição pode ser recebida pois, visto que tive uma criação muito católica, acabo incorporando como simbologia/método em várias obras de formas disruptivas e às vezes até críticas. Da minha parte, não se trataria de algum desrespeito ou algo do tipo. Trabalho até sob a perspectiva do registro de um afeto por conviver com imagens de santos, hábitos de devoção, e como esse entorno afetou profundamente minha relação com imagem e materialidade – por isso o nome ‘Imagem e Semelhança’”, compartilha a artista.

As 16 obras produzidas entre 2022 e 2025 já foram apresentadas isoladamente em exposições coletivas, mas nunca antes reunidas em um único espaço. “A tônica entre a constituição das obras é o orgânico, seja matéria, sejam modos de viver, e a tentativa de reconstituição por meio do artifício. Trago sudários, materiais e imagens análogas a carnes e peles, e a instrumentalização de objetos e móveis do cotidiano”, afirma a artista.

Heloisa destaca ainda que a mostra também fala de relíquia, da relação de substituição direta entre o material orgânico de algum santo e a presença divina deste. “Nessa pesquisa, entra como modo de pensar e método de produção artística, visto que assumo o artifício no fazer artístico como busca sempre falha da reconstituição do orgânico e do hábito que, sendo humano e orgânico, é findo, a gerar apenas vestígios daquilo que já foi”, salienta.

“Imagem e Semelhança” poderá ser visitada até 20 de agosto de segunda a sexta das 13h às 19h na Fundação Cultural Badesc que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis.

“É a primeira vez que reúno um volume tão grande da minha produção em um único espaço. O edital para a primeira exposição individual é uma oportunidade muito bacana, pela qual fico muitíssimo grata de ser contemplada”, completa a artista.

Sobre a artista

Heloisa Panuci, nascida em Curitiba/PR, é artista-acumuladora, bacharela em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGAV/UDESC). Trabalha no hibridismo entre a gravura, assemblagens e instalações, a explorar a prática artística como produtora de vestígios. Pesquisa instâncias da subjetividade como ficção, na manipulação de materialidades e signos do entorno. Participou de exposições coletivas em Curitiba, Brasília, São Paulo, Limeira, Ribeirão Preto, Leme, Lisboa e Chillán.