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sexta-feira, janeiro 28, 2022

Escritor Mia Couto abre o Fronteiras do Pensamento nesta segunda-feira

Escritor Mia Couto abre o Fronteiras do Pensamento nesta segunda-feira

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O escritor moçambicano Mia Couto abre nesta segunda-feira, 25, a quarta edição do ciclo de altos estudos Fronteiras do Pensamento. O evento será no Teatro Pedro Ivo e os ingressos estão esgotados.

Como fio condutor da edição 2014 está a reinvenção do mundo. O tempo total de palestra é de uma hora e meia com espaço aberto ao público para participar com perguntas aos conferencistas. Na terça-feira, 26, é a vez do neurocientistas brasileiro Miguel Nicolelis. Os ingressos também estão encerrados para a segunda noite. O terceiro e último dia de evento, na quarta-feira, 27, será com o psicólogo canadense Paul Bloom. Os ingressos para a palestra do último dia podem ser adquiridos no site Blueticket.

O moçambicano Mia Couto é um dos principais expoentes da língua portuguesa na atualidade. É um dos principais escritores do continente africano e, também, um dos mais traduzidos. Conhecido no Brasil por obras como o O Fio das Missangas, Antes de Nascer o Mundo e Terra Sonâmbula, entre tantas outras, produz uma literatura engajada com a cultura africana e com a luta do povo moçambicano pela sobrevivência. Com 27 obras publicadas incluem poesia, contos, romance e crônicas, as quais possuem vários prêmios (entre eles o prêmio Camões de 2013, considerado o mais importante e prestigioso prêmio da língua portuguesa), o autor não versa sobre um assunto específico.

Ao contrário, consegue fazer sua obra ser diversificada sempre colocando elementos da sua terra natal, como a própria variante do português em Moçambique.

Sua literatura é engajada com a cultura do povo africano e de sua luta pela sobrevivência. Ao buscar elementos das mitologias tribais, das lendas e dos causos regionais, torna mais evidente a existência de um português de múltiplos léxicos em suas obras, comprovando que a língua portuguesa está em constante evolução, possuindo uma diversidade de combinações ainda não exploradas.

Pensador da alteridade e dos contrastes e, ao mesmo tempo, da celebração e das histórias, o escritor se confessa um apaixonado pelo Brasil e pelos brasileiros. Desta forma, a Aula Magna não deverá ter um tom oficial, avesso à sua personalidade. Ao contrário, Mia Couto deverá contar suas ricas histórias com jeito de conversa de visitante que chega um pouco antes do almoço: afetuoso, atento aos movimentos da casa e afeito as sensibilidades que trazem os cheiros e a luz do dia. Em suas conferências, explora os limiares da atividade intelectual humana capaz de formar, refletir e permanecer num estado de saudável inquietação: “se em Moçambique eu vivo uma realidade tão próxima da brasileira, a pergunta certa não seria por que gosto tanto de visitar o Brasil. A verdadeira pergunta seria outra: por que, vindo ao Brasil, me converto em Brasil?

Sua primeira obra, Raiz de orvalho, foi publicada em 1983, quando tinha quase 30 anos. É o único escritor africano membro da Academia Brasileira de Letras.
 

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