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segunda-feira, maio 16, 2022
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Exposição Fernando Pimenta em cartaz no 15º Florianópolis Audiovisual Mercosul

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Exposição Fernando Pimenta em cartaz no 15º Florianópolis Audiovisual Mercosul

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Fernando Pimenta, o homem por trás dos cartazes do cinema nacional

Se há 30 anos o cinema nacional se fez ver e se fazer conhecer se deve em boa parte a uma figura singular. O carioca Fernando Pimenta nunca dirigiu um filme, mas seu traço e suas ideias estão presentes em mais de 200 cartazes de divulgação de obras ficção e documentários brasileiros. São deles, por exemplo, os pôsters de divulgação de Pra Frente Brasil (Roberto Farias), Bye Bye Brasil (Cacá Diegues), Câncer (Glauber Rocha), ), Engraçadinha (Haroldo Marinho Barbosa), Eu Sei que vou te Amar (Arnaldo Jabor), Quatrilho (Fábio Barreto), entre outros filmes que marcaram diversos movimentos da cinematografia brasileira, do cinema novo aos filmes da Boca do Lixo, do cinema da retomada à produção atual.

O artista gráfico está com uma exposição, a “Pimenta em Cartaz”, aberta a visitação no FAM 2011 – 15º Florianópolis Audiovisual Mercosul reunindo 26 cartazes de sua autoria de filmes e festivais de cinema. A proposta é mostrar a diversidade do trabalho como designer e a habilidade de síntese e construção de sentido. “Fazer cartaz é algo perto do óbvio. Porque o cara tem ver como um logotipo, uma marca, um ícone ou espírito do filme seja de uma distância de dois metros ou de 50 metros”, observa Pimenta. “Você também não pode mentir, dizer que o filme é melhor do que é, senão o cara sai do cinema matando. Tem que ser honesto”, acrescenta.

Premiado em festivais no Brasil e no exterior, Pimenta é do tempo que fazer cartaz era quase um trabalho de artista plástico, misturado com um pouco de diretor. “A gente mandava fazer uma logomarca (às vezes até em escultura tridimensional), depois fotografava, chamava o ator no estúdio e também fotografava e até os caracteres eram na foto. Depois tinha que recortar tudo isso na tesoura e colar”, conta.

Pimenta começou por acaso na área. “Eu trabalhava numa agência de publicidade como manchador, (“o cara que faz o layout”), e um dia fui numa festa de maluco e me convidaram para ser ator num filme. Me envolvi também com a produção e tinha um amigo que sabia de cinema, porque eu não entendia nada e tinha que aprender. Então pintou um cara brasileiro que recém tinha voltado da Alemanha, quando deu a anistia. Ele era diretor de produção da Embrafilme e me pediu um cartaz”, relata.

O artista gráfico fez o primeiro e começaram as solicitações. “Eu vinha de agência, sabia fazer campanha, outdoor, vinheta, abertura”, diz. Pimenta então ganhou uma concorrência na extinta Embrafilme para produzir os cartazes do cinema nacional. “Quando saí, demitido, montei um escritório e a demanda do Brasil continuou lá, era uma loucura”, relembra. “O Luiz Carlos Barreto (para quem Pimenta produziu diversos cartazes), instalou um telefone vermelho dentro do escritório para ter uma ligação direta”, diverte-se.

Na era digital, Pimenta até tentou resistir, mas teve que se render. Seus cartazes estão todos reunidos no livro “O Cinema Brasileiro em Cartaz”. “Tem uns 30% que são bacanas, uns 10% são geniais e o resto é um perrengue, mas coloco todos, é a obra de um ser parte da cultura brasileira”, diz Pimenta, sempre franco até demais. Pimenta também é o autor de diversas aberturas e vinhetas de cinema e de cartazes estrangeiros, como Morango e Chocolate, Minha Marido de Batom, entre outros. É um dos principais criadores dos cartazes do blumenauense Sylvio Back.

A exposição do artista será móvel, circulará pelas áreas das atividades do FAM, com mudanças na exibição dos cartazes.

Serviço:

O quê: Exposição “Pimenta em Cartaz”, de Fernando Pimenta

Quando: 24/6 a 1/7, 8h às 0h

Onde: Centro de Eventos e Cultura da UFSC, Campus Trindade, Florianópolis, tel. 3721-4341

Quanto: Gratuito

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