Homenagem a 18 Manezinhos da Ilha no Teatro Álvaro de Carvalho

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Em sessão solene realizada na noite de segunda-feira, dia 6 de junho, no Teatro Álvaro de Carvalho – TAC, a Câmara Municipal fez a entrega da Medalha Manezinho da Ilha Aldírio Simões a 18 figuras representativas da comunidade florianopolitana. Orador designado para falar em nome dos vereadores, César Faria (DEM) afirmou que a expressão “manezinho” servia para designar, inicialmente, os moradores das praias da Ilha de Santa Catarina, e lembrou que os habitantes das Ilhas dos Açores também são chamados “manezinhos”.

“Ser Mané é defender uma identidade cultural. Todo Mané tem uma incrível capacidade de amar e de ser gentil, então, nós Manés amaremos cada vez mais a nossa Terra e queremos que os que são de fora aprendam a amá-la e, acima de tudo, a respeitar nossa forma de ser”, disse o vereador, acrescentando que a Medalha Manezinho da Ilha, criada pelo falecido jornalista e carnavalesco Aldírio Simões, e que passou a ser entregue pela Câmara de Vereadores a partir da iniciativa do vereador Aurélio Valente (PP) pelo projeto de lei 7.040/2006.

Depois de um vídeo produzido pela TV Câmara que lembrou a trajetória de Aldírio Simões, foi realizada a entrega das medalhas pelos vereadores a seus homenageados. O ex-vereador Lino Peres (PT) homenageou o professor aposentado da UFSC e fundador do PT, Valmir Martins, e dois personagens míticos da Ilha de Santa Catarina: seu Arante José Monteiro, pescador do Pântano do Sul e dono do famoso restaurante que leva o seu nome no Sul da Ilha, e Francisco Alexandrino Daniel, o seu Chico, que durante décadas manteve um bar na beira da Praia do Campeche.

O ex-vereador Lázaro Daniel (PT), filho de seu Chico, um dos tantos parentes e convidados dos homenageados que lotaram a plateia do TAC, disse que todos na família pensaram que ele não iria conseguir vir, devido à idade avançada e sua saúde. “Mas ele acordou todo animado, está visivelmente emocionado com a homenagem”, disse Lázaro.

O vereador Dalmo Meneses (PP), entregou suas medalhas a dois ex-funcionários da Casan: Lídio Augusto Costa, o seu Lidinho, passista da Escola de Samba Embaixada Copa Lord desde 1955, e Arnoldo Manoel Feliciano, o Pelé, integrante da Banda Nossa Senhora da Lapa, do Ribeirão da Ilha, agremiação que fez questão de aparecer de surpresa na solenidade para executar a canção Amigos Para Siempre.

O vereador Edinon da Rosa, o Dinho (PSB), homenageou outra figura mítica da Ilha, o seu Lano – Brasiliano Marciano Barcelos -, agricultor e produtor de farinha no antigo engenho que mantinha no Canto do Lamin, em Canasvieiras. O vereador Dinho também homenageou o músico Nilo Sérgio Conceição, compositor do grupoi Gente da Terra.

O vereador Ricardo Vieira (PCdoB) entregou a medalha Manezinho da Ilha a Edenaldo Lisboa da Cunha, o popular Feijão, líder comunitário e comerciante de Santo Antonio de Lisboa, por muitos anos presidente da Associação Recreativa, Cultural e Esportiva Avante e um dos organizadores do Carnaval de Santo Antonia e Sambaqui. Aurélio Valente (PP) também homenageou outro mito ilhéu, o Tio Chico – Francisco Manoel de Siqueira, morador da Costeira do Ribeirão da Ilha.

Renato Geske (PR) homenageou o comerciante João Salvador da Silva, dono da lachonete A Gruta de Fátima, ao lado da Catedral de Florianópolis. E o vereador Norberto Stroisch (PMDB) entregou a medalha a Jorge José de Amorim, voluntário que desenvolve trabalho de dança e teatro com alunos da Escola Pero Vaz de Caminha e um dos fundadores da Associação dos Moradores do Monte Cristo.

O vereador Asael Pereira (PSB) rendeu homenagem à única mulher entre os “manezinhos da Ilha”, dona Ladeolina Rosa Lemos, moradora da Praia do Santinho, filha e mulher de pescador e também antiga produtora de farinha no engenho da família. O sargento da PM aposentado Valmir Fraga, morador do Morro do Mocotó e conselheiro da Escola de Samba Protegidos da Princesa, foi homenageado pelo vereador Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PPS). O ex-vereador Ivan dos Santos (PPS) entregou a medalha ao contador Vilmar Pedro Coelho, o Mazinho, ex-presidente da Escola de Samba Coloninha.

O presidente da Câmara de Vereadores, Jaime Tonello (DEM), entregou quatro medalhas Manezinho da Ilha Aldírio Simões. Para entregar a medalha ao primeiro homenageado, seu Manoel Leopoldo da Rosa, 89 anos, militar aposentado e ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira, ele pediu a presença do vereador e filho Edinon da Rosa. Depois, Tonello entregou as medalhas ao oceanógrafo e professor da UFSC Carlos Rogério Poli, por seu trabalho de pesquisa sobre as técnicas de cultivo de moluscos no litoral catarinense; a Osvaldo Campolino Martins, o seu Vadico, comerciante e líder comunitário do Saco dos Limões; e a Tomaz Camilli Filho, dentista formado pela UFSC que há 40 anos atende a comunidade florianopolitana.

Ao final da solenidade, o professor Carlos Rogério Poli falou em nome dos homenageados e disse que os manés são todos os que nasceram ou vieram morar na Ilha de Santa Catarina, “fragmento que compõem esse paraíso”, pessoas que têm por característica a bondade, a cordialidade ea simpatia. “Os manés se preocupam em ser, não em ter. São puros de alma e procuram preservar as suas tradições e a sua Ilha”, disse Poli, pedindo, no encerramento de seu discurso, que a Câmara Municipal não deixe a Lagoa da Conceição morrer por causa da poluição e, também, que não deixa a Ponte Hercílio Luz cair, pois elas “são tão manés como nós”.