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quinta-feira, dezembro 2, 2021
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Mais um grupo teatral cancela participação na Maratona Cultural de Florianópolis

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Mais um grupo teatral cancela participação na Maratona Cultural de Florianópolis

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A Cia Experimentus, de Itajaí, anunciou nesta terça-feira, 19, que cancelou sua participação na Maratona Cultural de Florianópolis, que ocorrerá entre sexta-feira, 22, e domingo, 24, e oferecerá 36 horas de atrações, em 42 espaços na Ilha e Continente, com 781 artistas envolvidos. Todas as apresentações são gratuitas.

O grupo iria apresentar o espetáculo “Dois Amores e um Bicho” às 19h de domingo, na Célula Cultural. O motivo alegado pela companhia foi o patrocínio do Governo do Estado e da Prefeitura de Florianópolis ao evento, em vez de recursos da Lei Rouanet, como, segundo o grupo, davam conta informações que circulavam “em dezembro de 2012”, quando a peça foi submetida à avaliação da curadoria da maratona. Outra questão foi a ingerência do Estado, ao exigir que o espetáculo “Kassandra” tivesse seu local alterado.

Ouvida pela reportagem do DeOlhoNaIlha, Paula Borges, organizadora do evento, compreende mas lamenta a decisão da Cia Experimentus. Ela garante que em nenhum momento foi informado aos artistas que a Maratona Cultural seria bancada exclusivamente com recursos captados via Lei Rouanet. “Temos aprovação na Lei Rouanet, mas não conseguimos captar nem 20% do valor total necessário”, afirma. Ainda sobre a questão financeira da maratona, Paula diz que “o corte de 40% da verba do Governo do Estado foi um baque na produção” e esclarece que os R$ 250 mil da Prefeitura são gastos em mídia.

Confira a nota oficial da Cia Experimentus:

“NOTA DE CANCELAMENTO DO ESPETÁCULO
‘DOIS AMORES E UM BICHO’ NA 3ª MARATONA CULTURAL

A Cia Experimentus informa a tod@s que está se retirando da programação da 3a. Maratona Cultural de Florianópolis, evento no qual apresentaria o espetáculo “Dois Amores e um Bicho” no dia 24/03, decisão esta informada hoje à produção do evento.

Quando inscrevemos nosso espetáculo em dezembro de 2012 haviam informações de que a terceira edição da Maratona seria realizada com recursos Lei Rouanet, e naquele momento entendemos que este cobriria seu valor integral, não havendo participação do Governo do Estado. No entanto, quando saiu a divulgação da programação no website do evento há algumas semanas, vimos veiculada no material de mídia o Governo do Estado como patrocinador e a Prefeitura Municipal de Florianópolis como co-realizadora, não havendo no site a logomarca da Lei Rouanet.

E por que não participar de um evento custeado pelo Governo do Estado?

O descaso e a arbitrariedade com a qual a cultura catarinense vem sendo tratada pelo Governo do Estado tem desencadeado diversas manifestações de repúdio, a exemplo das ações do Fórum Catarina e do movimento Ocupa CIC, apenas para citar duas recentes, que no ano passado deram ampla visibilidade a diversas irregularidades ocorridas, tais como a aprovação de projetos que sequer passaram pelo Conselho Estadual de Cultura, este que legalmente deveria ser o responsável por tal processo, enquanto outros projetos, tais como o Prêmio Cruz e Souza (sic), o Salão Victor Meirelles, o Prêmio Cinemateca Catarinense, e o Festival Catarinense de Teatro, projetos aprovados pelo Funcultural, não foram pagos pelo Governo do Estado.

Na última semana, mais um destes absurdos veio à tona com o cancelamento do espetáculo “Kassandra”, que teve de ser retirado da programação da Maratona Cultural, por ter como espaço de apresentação o Bokarra Club. Segundo o jornalista Rafael Martini (da Coluna “Visor” / Diário Catarinense) a decisão teria vindo do governador, Sr. Raimundo Colombo, que determinou que o espaço de apresentação fosse retirado da programação por se tratar de casa de diversão adulta, e não havendo sentido em realizar a peça em outro espaço “moralmente aceitável” o grupo preferiu retirar-se do evento.

Entendemos que esta ação específica desrespeita a curadoria realizada a partir da inscrição de trabalhos artísticos diversos em dezembro de 2012 pelo website do evento, seleção esta que é um processo democrático rompido por uma ação que julgamos arbitrária e moralista. Mas esta ação é apenas a ponta do iceberg.

Mesmo reconhecendo a importância da Maratona Cultural, não concordamos que um evento artístico tenha de ser refém das deliberações do Governo do Estado, por correr riscos de sua não viabilização. Seja por moralismo ou por qualquer outro motivo, entendemos que não é direito do poder público decidir que tipo de arte pode ou não ser vista e, principalmente, que tipo de projetos devem ou não ser pagos. Entendemos isto como um desrespeito aos processos legais instituídos para a seleção de projetos culturais a serem beneficiados com a rescisão de impostos destinada à cultura catarinense.

Lamentamos pelo público que perderá mais um espetáculo da programação, contudo, como artistas e cidadãos, não podemos concordar com estes acontecimentos, e aqui registramos nosso repúdio retirando nosso trabalho da programação.

Cia. Experimentus / Itajaí – SC”

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