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sexta-feira, março 1, 2024

Rara agregação reprodutiva de peixes da espécie mero, o gigante dos mares, é avistada em Santa Catarina

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Rara agregação reprodutiva de peixes da espécie mero, o gigante dos mares, é avistada em Santa Catarina

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Cada vez mais difícil de ser avistado, grupo de  31 indivíduos foi registrado no litoral catarinense, em mergulho da equipe do Projeto Meros do Brasil; verão é época de agregações da espécie e esforços redobrados para conservação 

O verão chegou e com ele, no litoral, as cada vez mais raras agregações de meros, espécie de peixe marinho da família das garoupas fundamental para equilíbrio dos oceanos e ecossistemas associados à sua presença. Os meros estão em risco de extinção no Brasil e no mundo, classificados no país como Criticamente em Perigo, e são inúmeros os desafios para sua preservação, agravados nesse período do ano: capturas ilegais, episódios de morte incidental (quando a pesca do mero acontece junto a outras espécies), além da poluição marinha. O monitoramento do peixe pelo projeto Meros do Brasil tem como uma das vertentes de atuação o apoio às instituições responsáveis pela  fiscalização. Em Santa Catarina,  31 meros foram registrados na última sexta-feira (22/12), um deles já monitorado pelo projeto. 

“Isso é muito significativo, porque, pela primeira vez, desde que começamos este acompanhamento, há 11 anos, foi feito o primeiro registro de um mero monitorado por telemetria no Paraná e agora está em águas catarinenses. Isso é extremamente importante para entender o deslocamento dos meros ao longo do litoral”, conta Maíra Borgonha, gerente geral do Projeto Meros do Brasil. 

Os meros são a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico, e, devido à destruição de seus habitats, sobrepesca e poluição, sofreram um declínio muito significativo nos últimos 65 anos. Considerando toda a área de distribuição da espécie no Brasil, do Amapá à Santa Catarina, a redução das suas populações foi superior a 80%. O que significa que há décadas morrem muito mais meros do que nascem. Há 21 anos, desde 2002, o mero (Epinephelus itajara) é protegido por lei no Brasil. A captura, transporte e comercialização da espécie é proibida e configura crime ambiental. 

“No entando, a captura ilegal de meros em momentos de agregação infelizmente continua acontecendo. Sempre encontramos equipamentos de pesca nos locais, como arpões e linhas com grandes anzóis”, comenta Johnatas Adelir-Alves, pesquisador do Meros do Brasil em Santa Catarina. 

No monitoramento dos meros da última sexta-feira, dia 22, dois indivíduos foram avistados machucados com evidência de tentativas de captura. 

Número de indivíduos na agregações diminuem ano após ano

Encontrar 31 meros numa agregação é muito? De forma alguma. Há aproximadamente 50 anos, as agregações reprodutivas de meros observadas no período do verão tinham mais de uma centena de indivíduos e eram várias ao longo da costa brasileira. Atualmente, muitas agregações naturais estão extintas e o número de meros que compõem esses eventos monitorados pelo Projeto diminuiu drasticamente. 

“E, em definitivo, um mero vivo vale muito mais do que um capturado, tendo em vista papel que desempenha no equilíbrio do meio ambiente e seu ativo ambiental para o setor turístico, pelas suas grandes dimensões”, afirma Maíra. 

O Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, realiza ações de pesquisa científica, educação ambiental e comunicação, além de atuar ativamente na construção de legislação de proteção da espécie. 

“Também trabalhamos no fomento de informações para apoiar a fiscalização e gerar consciência e comprometimento na sociedade brasileira. O verão é um período do ano em que muita gente migra para o Litoral, resultando em grande pressão nos ambientes marinho e costeiros. Diante da fragilidade da espécie e da necessidade de sua preservação, é importante chamarmos atenção para o assunto”, diz o biólogo Matheus Freitas.

Do Senegal a Santa Catarina, no Brasil

O mero, também conhecido como senhor das pedras, vive nas águas tropicais e subtropicais do oceano Atlântico, do Senegal a Angola, na costa africana, e dos Estados Unidos a Santa Catarina no Brasil, na costa oeste do Oceano Atlântico. Ele pode medir mais de 2 metros de comprimento e pesar cerca de 250 quilos, o que lhe garantiu outro apelido: gigante dos mares. É a maior espécie de garoupa do Brasil e do Oceano Atlântico. Vivem em média 40 anos e levam de 6 a 8 anos para atingir a idade adulta, quando entram na fase reprodutiva. Anualmente, de dezembro a março, os meros se reúnem em grupos com o único objetivo de reproduzir, formando as chamadas agregações reprodutivas, eventos que ocorrem anualmente em locais específicos.

Telemetria como aliada na conservação da espécie

A telemetria, uma técnica high tech para o estudo de peixes e pioneira no país para uma espécie de peixe marinho, tem papel importante no entendimento do comportamento dos meros, o que permite embasar políticas públicas de conservação e fiscalização ambiental.

“Os dados da pesquisa com telemetria indicam que essa espécie tem fidelidade aos locais de reprodução: alguns permanecem nestas áreas durante toda a temporada de agregação reprodutiva e outros já voltaram ao mesmo local por três anos consecutivos. Além disso, constatamos que o mero chega a nadar 54 quilômetros em dois dias para chegar às agregações, o que é surpreendente, porque até então pensava-se que meros eram mais sedentários, lentos ou que não realizavam grandes migrações”, afirma Leonardo Bueno, especialista em Telemetria do Meros do Brasil.

 Mais uma peça nesse quebra-cabeça foi encontrada nesta última sexta-feira, quando “descobrimos que um mero, registrado no início do ano no Parque Nacional Marinho dos Currais (PR), foi observado na agregação reprodutiva monitorada em Santa Catarina, perfazendo um deslocamento de pelo menos 57 km, um record!”, comenta Áthila Bertoncini, coordenador do Meros Brasil em Santa Catarina, ressaltando que preservar as áreas de reprodução é um fator chave para a conservação da espécie.

 Na telemetria acústica, marcadores (tags) ultrassônicos são implantados nos meros, com a finalidade de emitir sinais sonoros que são detectados por receptores instalados em pontos determinados previamente, geralmente associados às áreas de agregação.

Atualmente, nas regiões Sudeste e Sul, são nove receptores instalados entre o litoral norte de Santa Catarina, passando por alguns pontos do Paraná, chegando até a divisa deste estado com o litoral sul de São Paulo.

O Projeto Meros em Números – 2021 a 2023

As atividades de pesquisa para conservação da espécie somaram 256 meros identificados, amostrados e devolvidos com vida ao mar

30 espécies são protegidas pelas atividades do Projeto, além dos meros. 

34.142 pessoas envolvidas em ações de educação ambiental como oficinas de arte-educação, palestras e atividades específicas em escolas e outras instituições

766 mil pessoas acessaram informações sobre os meros a partir de exposições e manifestações culturais

As ações de formação envolveram 3.198 participantes

O Projeto já apoiou 2.469 profissionais com desenvolvimento de novas práticas

5,2 toneladas de lixo ganharam um destino adequado em ações de combate ao lixo no mar

Nos últimos dois anos, foram desenvolvidas e disponibilizadas pelo Projeto 18 publicações técnicas para a conservação de espécies e seus habitats.

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