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quinta-feira, dezembro 9, 2021
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Semana Ousada de Arte encerra com público de 30 mil pessoas

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Semana Ousada de Arte encerra com público de 30 mil pessoas

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Com os palcos lotados, uma pauta de 120 espetáculos e a integração de todas as manifestações artísticas, a 3ª Semana Ousada de Arte, promovida em parceria entre UFSC e Udesc, encerrou na sexta-feira à noite com um público total estimado em mais de 30 mil pessoas, bem acima do esperado. O documentário Ousadia, produzido pelos alunos da Oficina Ralização de Documentário, sob a direção de Luiz Carlos Lacerda (Bigode), colheu uma mostra do colorido e da diversidade da semana, que mobilizou a cidade com uma maratona de arte contemporânea. O vídeo fecha com as imagens do estudante de Artes Cênicas da UFSC, Roberto Chaves (Betinho) sendo detido nu, no fato que provocou grande polêmica na cidade sobre a legitimidade do nu artístico.

De 20 a 24, o campus universitário das duas universidades públicas foi tomado por manifestações artísticas ousadas, produzidas pelos laboratórios de pesquisa dos cursos de arte das universidades e também por renomadas companhias de fora. Com 12 minutos, o documentário mostra o público interagindo nas apresentações simultâneas de teatro, música, dança, literatura, e também atuando nas oficinas de maquiagem cênica, contos ousados, escultura, ator e intervenção urbana. A cena final traz imagens exclusivas captadas por um dos 16 alunos da Oficina documentário, no momento em que Betinho, enrolado na Bandeira Nacional quando desempenhava nu a performace Na Brasa de Pindorama, no pátio do Restaurante Universitário, na hora do almoço, foi detido e levado à Delegacia de Polícia da Trindade. O estudante justificou-se alegando que homenageava os indígenas do Brasil e a formação macunaímica do povo brasileiro.

Na sexta-feira, às 23 horas, o Curso de Artes Cênicas, convocou uma reunião no Bar do Básico para discutir sobre o nu nas artes, a partir do ocorrido. Para a secretária Maria de Lourdes, a detenção provisória do estudante de Artes Cênicas, Roberto Chaves (Betinho), provocou um debate saudável no Estado sobre o nu artístico. “Apesar do estresse provocado pela prisão, a performance cumpriu sua função de provocar os espectadores e mexer com o preconceito”. A secretária salientou a grande participação dos estudantes na produção das peças e o arrojo dos grandes espetáculos como In on It, Retrato de Augustine e Alberto Heller, todos com auditório lotado. Para o cineasta Zeca Pires, diretor do Departamento Artístico Cultural, a semana vem se consolidando e crescendo a cada ano em programação e ousadia.

A coordenadora de Cultura da Udesc, Cláudia Messores, salientou a força da parceria que garantiu a realização de quase 100 por cento das apresentações previstas e a integração de modalidades diferentes de artes. Segundo ela, no próximo ano o evento deve se interiorizar ainda mais pelos campi da UFSC e Udesc espalhados pelo Estado. Participante da Oficina de Maquiagem Cênica, a estudante de Cinema da Federal Andressa Ocker, 22 anos, elogiou a oportunidade de ter acesso gratuito à formação artística. “Foi maravilhoso. Tomamos uma overdose de arte”.

Dois espetáculos arrojados fecharam a programação: a peça Era uma vez no Pântano dos Gatos, com direção de Carmen Fossari, às 20 horas, no Teatro da UFSC, e a intervenção urbana Fantasmagorias, que projeto imagens e obras de arte provocativas e interativas nas paredes dos prédios e ruas do campus. Pântano dos Gatos foi ambientado num clima que evoca um pântano. Esse efeito é conseguido com o uso de vários recursos cenográficos, como iluminação indireta do meio do público, clima com efeitos de neblina entre plateia e palco e figurino estilo vintage, além de vídeos e de coro que realiza a sonoplastia ao vivo. O inusitado do trabalho cênico está no fato de que a partir do corpo e da voz dos atores são recriados sons da natureza, ao mesmo tempo em que os corpos adquirem texturas cenográficas da natureza vegetal, encontrada nos pântanos.

Em local mantido em surpresa, os prédios vizinhos e o entorno do campus universitário serviram de cenário mutável de uma ousada mostra de cinema expandido, que trouxe outra vez o nu para as artes. Quem transitou pelo campus das 21 às 22 horas foi surpreendido pela projeção simultânea de vídeos, obras de arte, pintura, cinema, música, poesia e artes cênicas no interior na grama, nas paredes dos prédios, nas ruas. A professora do curso de Cinema Clélia Mello colocou em funcionamento o projeto de Cinema Expandido, uma instalação multimídia chamada Fantasmagorias.

Inf.: 3721-9459, www.semanaousada.ufsc.udesc.br

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