Projeto suaviza o cotidiano de crianças hospitalizadas em Florianópolis

SaúdeProjeto suaviza o cotidiano de crianças hospitalizadas em Florianópolis

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“Todos podem dar um pouco de si”. Foi com esse pensamento que a professora do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (DDV) Salma Ferraz idealizou o projeto Narrar para Alegrar, que leva o mundo da literatura infantil a crianças hospitalizadas. Financiada pelo Pró-Bolsa 2010, a equipe é formada por três bolsistas do curso de Letras, que realizam a contação de histórias. As atividades começaram em maio deste ano no Hospital Universitário, onde não tiveram sucesso devido a problemas burocráticos e administrativos. No Hospital Infantil Joana de Gusmão, onde o projeto recebeu mais apoio, a equipe faz duas visitas semanais, nas quartas e quintas-feiras, desde o mês de julho.

Engana-se quem pensa que tudo que é feito é abrir um livro e lê-lo em voz alta. Os bolsistas se empenham para distrair as crianças e levar a elas um pouco de diversão. Oficinas de dobradura, jogo da memória e outras brincadeiras já fizeram parte das atividades. A contação de histórias, feita maca por maca, é bem interativa: os estudantes interpretam os enredos, conversam com a criança e estimulam seu aprendizado. A bolsista Daniela Cristina da Silva, da quinta fase de Letras-Português, diz que muitas vezes quem mais sofre são os pais dos pacientes, por verem seus filhos enfermos, numa situação de sofrimento. Por isso, a equipe tenta incluí-los nas histórias, para que participem com a criança naquele momento especial e construam uma atmosfera confortável.

É inevitável que os bolsistas se apeguem aos pacientes. Aos poucos, crianças que eram ariscas e mostravam desinteresse passam a perguntar pelos “tios das historinhas”, reconhecer seus rostos e construir um vínculo com eles. Muitas vezes, a tarefa dos estudantes não é fácil. Visitar a ala de queimados e a oncologia, por exemplo, exige sangue frio. “Toda vez que vou lá é como seu eu levasse um tapa na cara”, descreve Luiz Henrique Flores, estudante da quarta fase de Letras -Alemão. Segundo os bolsistas, ver as crianças hospitalizadas é uma lição de gratidão pela própria vida. Algumas vezes, os pacientes estão tão apáticos que ignoram a presença dos visitantes. “Só saio de lá triste quando não consigo alcançá-los”, diz Daniela. Felizmente, essas ocasiões são exceção.

Os bolsistas ressaltam que toda a equipe do Joana de Gusmão se esforça para que o ambiente não pareça um hospital. “As alas são megacoloridas, os aventais das enfermeiras são enfeitados, cheios de adereços”, conta Luiz Henrique. Além disso, o hospital tem uma estrutura excelente, com brinquedoteca, salas de teatro, festas e recreação. Os estudantes contam com os livros da biblioteca do Colégio de Aplicação da UFSC para realizarem seu trabalho. Mariana Hoffmann, da sexta fase de Letras Português é a outra bolsista do projeto.