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quarta-feira, agosto 17, 2022
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MIDI Tecnológico de Florianópolis é destaque na revista Tic Mercado

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MIDI Tecnológico de Florianópolis é destaque na revista Tic Mercado

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A incubadora MIDI Tecnológico ganhou destaque na edição virtual desta quarta-feira (27) da revista Tic Mercado. A coordenadora do MIDI Tecnológico, Jamile Sabatini Marques, foi entrevistada e falou sobre o atual cenário de estímulo e apoio à criação e consolidação de empresas no País, a importância das incubadoras para a queda da taxa de mortalidade de empresas nascentes, os principais desafios que as incubadoras encontram para oferecer um ambiente flexível ao surgimento e crescimento de novos empreendimentos e qual o futuro da incubação no Brasil. Confira a íntegra da entrevista abaixo ou clique aqui para visualizar direto do site da Tic Mercado.

“O papel das incubadoras é essencial para o apoio às empresas nos seus primeiros anos e também para garantir a continuidade de uma trajetória de sucesso”

É provado que o desenvolvimento econômico de um setor ou de uma empresa está diretamente ligado ao grau de empreendedorismo do mesmo. Por isso, as condições favoráveis ao desenvolvimento precisam de empreendedores que as aproveitem e coordenem este processo de forma sustentável. E quando se fala em pequenas e médias empresas (MPEs) fica ainda mais evidente a importância da atividade empreendedora, ou seja, da inovação tecnológica e do crescimento econômico, como fator primordial para impedir o fechamento prematuro dessas empresas. Uma incubadora de empresas é uma forma interessante de estimulo ao empreendedorismo na medida em que fortalece e prepara pequenas empresas para sobreviver no mercado, levando em consideração que mais da metade das micro, pequenas e médias empresas (56%) fecham as portas até o terceiro ano de vida, segundo dados do Sebrae. Jamile Sabatini Marques, coordenadora da incubadora MIDI Tecnológico, em entrevista exclusiva à TIC Mercado, falou sobre o atual cenário de estímulo e apoio à criação e consolidação de empresas no País, a importância das incubadoras para a queda da taxa de mortalidade de empresas nascentes, quais os principais desafios que as incubadoras encontram para oferecer um ambiente flexível ao surgimento e crescimento de novos empreendimentos e qual o futuro da incubação no Brasil.

TIC – Que leitura você faz do atual cenário de estímulo e apoio à criação e consolidação de empresas no País, mais especificamente da incubação de empresas? E se compararmos a outros países, como está o Brasil?

Jamile Sabatini Marques – O Brasil está em constante evolução e amadurecimento no movimento de incubação, o que é fundamental para o seu crescimento e consolidação. Atualmente, a incubação de empresas é estratégica para o país e isso se reflete no crescimento das oportunidades de apoio, investimento e financiamento oferecidas às incubadoras e às empresas.

O setor também está se fortalecendo por meio de ações e planejamento conjunto. Um exemplo é a certificação CERNE – Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos. O CERNE será uma ferramenta importante para atestar a qualidade das incubadoras brasileiras. Com essa certificação, as incubadoras poderão apoiar o seu desenvolvimento em um modelo unificado e integrado de qualidade, o que agregará credibilidade e reconhecimento ao modelo de incubação.

Em comparação a outros países, falta ao movimento de incubação brasileiro desenvolver estratégias de atração de investimentos para as empresas, principalmente seed e venture capital. Essa prática, muito comum nas incubadoras americanas, precisa ser fortalecida no Brasil e isso pode ser feito por meio da realização de eventos para colocar em contato empresas e investidores. É mais uma ação que, se desenvolvida em conjunto pelas incubadoras, multiplicará os resultados de crescimento das empresas.

TIC – A taxa de mortalidade de empresas nascentes é alta. De que forma o suporte das incubadoras nos seus primeiros anos de existência ajuda essas empresas a inovarem e não fecharem as portas?

Jamile Sabatini Marques – As estatísticas comprovam que é alta a mortalidade de empresas nascentes que não passam por processo de incubação. Já as empresas que recebem este tipo de apoio chegam ao mercado fortalecidas, maduras, preparadas e com suas competências tecnológicas, comerciais e gerenciais desenvolvidas. Esse suporte oferecido pelas incubadoras é essencial para, além de manter as empresas abertas, torná-las competitivas no mercado.

O papel das incubadoras é essencial para o apoio às empresas nos seus primeiros anos e também para garantir a continuidade de uma trajetória de sucesso. Para garantir que esse apoio seja realmente efetivo, as incubadoras precisam se preocupar em manter empresas com produtos e serviços inovadores e com foco no mercado. Para isso, as incubadoras precisam atuar em diversas frentes, mas principalmente no desenvolvimento da gestão das empresas, na construção de uma rede de relacionamento que beneficie os incubados e na aproximação das empresas com instrumentos de apoio à inovação.

No MIDI Tecnológico, por exemplo, temos uma taxa de sobrevivência de 93%. Ou seja, de cada dez empresas que passam pelo nosso processo de incubação, mais de nove obtém sucesso. Um dos fatores que leva a essa alta taxa de sobrevivência é o foco de atuação da incubadora em desenvolver competências complementares nos empreendedores. Eles entram na incubadora ótimos engenheiros e programadores com uma boa ideia e saem do MIDI gestores qualificados à frente de uma empresa inovadora e competitiva.

TIC – Como medir o grau de sucesso de uma incubadora?

Jamile Sabatini Marques – O grau de sucesso de uma incubadora é reflexo de diversos fatores, mas deve-se principalmente ao equilíbrio entre o desenvolvimento das empresas e a sustentabilidade da incubadora. Uma incubadora bem sucedida é aquela que consegue preparar empresas e empreendedores para atuar de forma competitiva e inovadora, apoiando empreendimentos que atendem a setores estratégicos para o desenvolvimento econômico e social do país. Portanto, as graduadas são os principais indicadores do desempenho de uma incubadora. Graduadas competitivas, gestores maduros e empresas sólidas no mercado atestam o sucesso de uma incubadora.

Tudo isso, sem deixar de lado a sustentabilidade da incubadora como organização. O MIDI Tecnológico desenvolveu no ano passado, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, uma metodologia multicritérios para a auto-avaliação das ações da incubadora e dos impactos que gera nas empresas que atende. Conciliando dados da incubadora e das empresas, a metodologia indica como a incubadora e as empresas estão se comportando diante dos critérios selecionados, atribuindo valores de avaliação de acordo com o peso de cada fator.

A última fase da metodologia desenvolvida recomenda ações de melhoria para implementação pela incubadora, para alavancar seu desempenho e das suas incubadas. O modelo permite ainda a comparação de desempenho entre as incubadas e leva em consideração a fase do período de incubação em que se encontra a incubada. Atualmente, o modelo está em fase de implantação na incubadora e será uma ferramenta muito importante para avaliar a sustentabilidade de suas ações.

TIC – Quais os principais desafios que as incubadoras encontram para oferecer um ambiente flexível ao surgimento e crescimento de novos empreendimentos?

Jamile Sabatini Marques – Está crescendo o número de entidades que apóiam e financiam o movimento de incubação, o que é fundamental para as incubadoras brasileiras superarem as dificuldades no apoio a novos empreendimentos. Mas ainda faltam recursos para serem investidos na gestão das incubadoras. A maior disponibilidade de recursos possibilita investimentos das incubadoras para o desenvolvimento de iniciativas de capacitação, qualificação e apoio às empresas incubadas. Esses recursos também viabilizam a formatação de projetos inovadores, que podem ser replicados por diferentes incubadoras, ampliando o impacto do movimento de incubação no estímulo e desenvolvimento de novas empresas.

O MIDI Tecnológico é um exemplo da importância do investimento destinado à gestão da incubadora. O MIDI é mantido com recursos do SEBRAE-SC, o que oferece à incubadora condições de investir continuamente na sua gestão, beneficiando assim os incubados. Esse vínculo a uma entidade como o SEBRAE é fundamental para a incubadora desenvolver ações efetivas de apoio aos seus incubados, estruturando a sua gestão para melhor atendê-los e apoiá-los no fortalecimento de suas capacidades.

Além disso, cada incubadora enfrenta problemas e desafios específicos para ampliar a sua atuação. O MIDI Tecnológico, por exemplo, enfrentava como desafio o limite das suas instalações físicas. O crescimento da procura nos processos seletivos abertos pela incubadora se chocava com a limitação física do número de empresas que poderiam ser atendidas pelo MIDI. Dessa forma, era necessário recusar bons projetos que, sem o apoio da incubadora, acabaram encerrados. Para reverter essa situação, o MIDI criou a incubação virtual, que oferece todos os benefícios da incubadora às empresas, com exceção da instalação física. Esse modelo tornou-se um sucesso e mostrou como uma simples iniciativa pode ajudar a incubadora a superar desafios que limitavam sua atuação.

TIC – Alguns números mostram o fortalecimento desse tipo de empreendimento. Qual o futuro da incubação, o ritmo de crescimento tende a continuar?

Jamile Sabatini Marques – Hoje, a incubação brasileira está em um momento de incubação. A efetividade e a importância das incubadoras de empresas são comprovadas e reconhecidas, não justificando mais qualquer questionamento sobre a sua viabilidade ou resultados. Portanto, o movimento de incubação brasileiro só tenderá a crescer nos próximos anos. Esse crescimento não será necessariamente por meio do aumento do número de incubadoras, mas sim pelo seu fortalecimento. E o fortalecimento virá da soma e convergência de ações conjuntas dos agentes de incubação, do governo e dos empreendedores.

As incubadoras precisam acompanhar as mudanças no cenário empresarial e de tecnologia e inovação para poder sempre oferecer um ambiente propício ao desenvolvimento das empresas apoiadas. Por isso, é fundamental as incubadoras serem por si mesmas inovadoras. Para isso, é muito importante o desenvolvimento de ações conjuntas e a troca de experiências entre os diferentes agentes do movimento de incubação. A parceria e o planejamento conjunto são essenciais para que a incubação brasileira continue crescendo e se destacando como referência no cenário internacional.

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